Economia argentina registra maior contração mensal sob Milei

Por Matheus Gonçalves 24 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Economia argentina registra maior contração mensal sob Milei

A atividade econômica da Argentina registrou uma redução de 2,6% em fevereiro, em relação ao mês anterior, a maior contração econômica desde que o presidente Javier Milei tomou o cargo em 2023, segundo divulgou o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) nesta quarta, 22. Para o jornal britânico Financial Times, isso reflete como os programas econômicos de Milei prejudicam grandes indústrias.

Especificamente, as políticas monetárias e outras medidas desenhadas unicamente para combater a inflação minaram o investimento e a atividade econômica, transformando a recuperação da Argentina de uma recessão de 2023 em algo desigual entre os diversos setores econômicos, segundo o veículo. O economista Ramiro Giomi, estrategista na companhia de serviços financeiros StoneX, diz em entrevista ao jornal:

“O governo acha que reduzir a inflação, por si só, será a chave para a vitória em 2027, mas não tenho certeza se essa equação é infalível”, diz Giomi ao FT. “Existem maneiras de lidar com isso, de dar um fôlego aos setores que estão em dificuldades, mas até agora eles não as estão implementando.”

Comparada ao mesmo período do ano passado, a queda da atividade econômica em fevereiro foi de 2,1%, segundo dados publicados pela agência nacional de estatísticas da Argentina. Essa foi a maior queda desde 2024, quando Milei, considerado um libertário, aprovou um amplo projeto de austeridade econômica.

A taxa de desemprego no país atingiu 7,5% nos últimos três meses de 2025, um aumento de 1,1 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado e a quarta maior cifra desde a pandemia. Com isso, as taxas de aprovação de Milei caíram para 36%, as mais baixas de seu tempo no poder.

Crescimento desigual

A desaceleração segue um período de crescimento no PIB de 4,4% em 2025, e uma queda dramática na inflação, celebrada por investidores, o que sugere que os sucessos de Milei na estabilização da economia argentina ainda não afetaram as principais indústrias do país, especialmente manufatura e varejo, que empregam as maiores parcelas da população.

Esse crescimento foi impulsionado por setores focados em exportação, principalmente mineração e agricultura, que cresceram 9,9% e 8,4%, respectivamente, em fevereiro desse ano, em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Enquanto isso, indústrias de manufatura e varejo, que enfrentam forte competição com atores estrangeiros devido aos cortes tarifários impostos por Milei às importações, protagonizam a contração. A manufatura na Argentina caiu 8,7%, enquanto o varejo registrou queda de 7% no período.

O plano do presidente, segundo ele mesmo, é gradualmente mudar o foco da economia argentina de setores menos competitivos, como varejo e manufatura, para mineração, energia, agricultura e tecnologia, que, juntos, representam apenas 12% dos empregos no país.

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