Cobra-voadora e víbora rara estão entre novas espécies descobertas no Camboja

Por Vanessa Loiola 30 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Cobra-voadora e víbora rara estão entre novas espécies descobertas no Camboja

Uma expedição científica em cavernas do Camboja revelou 11 novas espécies para a ciência, incluindo uma víbora-de-fosseta, uma cobra-voadora e diferentes tipos de lagartixas. A descoberta foi feita durante um levantamento em formações rochosas calcárias conhecidas como carstes, ambientes isolados que favorecem o surgimento de espécies únicas.

O estudo foi conduzido pela organização Fauna & Flora em parceria com o governo cambojano e reuniu dados coletados entre novembro de 2023 e julho de 2025.

Espécies em ambientes isolados

Os pesquisadores exploraram 64 cavernas distribuídas em 10 colinas na província de Battambang, no noroeste do país. Entre os animais identificados estão uma víbora-de-fosseta de coloração turquesa, uma cobra-voadora, várias espécies de lagartixas, além de microcaracóis e milípedes (geralmente pequenos, alongados e escuros, conhecidos por piolhos-de-cobra).

Algumas dessas espécies ainda estão em processo de descrição científica e não receberam nome oficial.

Segundo os pesquisadores, cada caverna funciona como um ambiente isolado, o que permite a evolução independente das espécies. Esse isolamento favorece o surgimento de animais adaptados a condições específicas.

Foto: Phyroum Chourn/Fauna e Flora

Foto: Manita Hem/Fauna e Flora

Foto: Hun Seiha/Fauna e Flora

Foto: Phyroum Chourn/Fauna e Flora

Região ainda é pouco explorada

De acordo com o biólogo evolucionista Lee Grismer, esses ambientes podem ser comparados a “laboratórios naturais” da evolução. A análise genética das espécies mostra que populações semelhantes podem evoluir de maneiras diferentes, dependendo das condições de cada caverna.

Os dados ajudam a entender como fatores ambientais influenciam a biodiversidade ao longo do tempo. As paisagens ocupam cerca de 20 mil quilômetros quadrados no Camboja, mas grande parte dessa área ainda não foi estudada em detalhes.

Durante a expedição, os pesquisadores também registraram cavernas que ainda não haviam sido mapeadas, o que indica que novas descobertas podem surgir. Segundo os cientistas, o levantamento atual representa apenas uma parte da biodiversidade existente na região.

Área enfrenta ameaças ambientais

Apesar da riqueza biológica, esses ambientes estão sob pressão de atividades humanas. Entre as principais ameaças estão a extração de calcário para a produção de cimento, o turismo, a caça e o desmatamento.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: