Colômbia e Bolívia expulsam embaixadores após crise diplomática

Por Estela Marconi 21 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Colômbia e Bolívia expulsam embaixadores após crise diplomática

A Colômbia e a Bolívia anunciaram a expulsão recíproca de seus embaixadores após uma escalada diplomática motivada por declarações do presidente colombiano Gustavo Petro sobre protestos no país vizinho.

A decisão foi confirmada nesta quarta-feira, 20, pela chancelaria colombiana, poucas horas depois de La Paz determinar a saída da representante de Bogotá.

O episódio ocorre em meio a tensões políticas internas na Bolívia, onde manifestações de diferentes setores sociais pressionam o governo do presidente Rodrigo Paz.

A ruptura teve início após Petro se referir, durante o fim de semana, aos protestos na Bolívia como uma “insurreição popular”. As declarações foram interpretadas pelo governo boliviano como interferência direta em assuntos internos.

Em resposta, La Paz expulsou a embaixadora colombiana Elizabeth García, acusando o governo de Bogotá de ultrapassar limites diplomáticos.

A Colômbia reagiu poucas horas depois. Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores informou o encerramento das funções do embaixador boliviano no país, Ariel Percy Molina Pimentel, em decisão tomada por reciprocidade.

Petro defende mediação e critica decisão boliviana

O presidente Gustavo Petro afirmou que sua intenção era defender a abertura de diálogo entre governo e manifestantes. Aliado político do ex-presidente Evo Morales, ele declarou que a situação na Bolívia envolve um governo contestado pela população e criticou a expulsão da diplomata colombiana.

“Se por propor um diálogo e uma mediação expulsam a embaixadora, está se caminhando para extremismos”, afirmou em entrevista à rádio Caracol.

Petro também disse que há relatos de repressão contra manifestantes no país e defendeu uma solução negociada para a crise política.

Protestos se intensificam em meio à crise econômica

A Bolívia enfrenta desde o início de maio uma onda de protestos envolvendo camponeses, mineiros, operários e outros setores da sociedade. Os manifestantes exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz, que assumiu o cargo há seis meses.

O cenário ocorre em meio à pior crise econômica do país em quatro décadas, marcada por escassez de dólares, alta inflação e pressão sobre subsídios estatais.

Segundo dados oficiais, a inflação anual chegou a 14% em abril, enquanto o país enfrenta dificuldades para sustentar políticas de controle de preços, especialmente no setor de combustíveis.

Rodrigo Paz chegou ao poder após duas décadas de governos de esquerda liderados por Evo Morales e Luis Arce. Seu governo conta com apoio dos Estados Unidos, em um reposicionamento geopolítico que alterou a dinâmica regional.

A aproximação com Washington, sob influência do presidente Donald Trump, contrasta com o alinhamento histórico de setores da política boliviana com governos progressistas da América Latina.

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