Cometa 3I/ATLAS revela grande quantidade de metanol e intriga cientistas
O cometa interestelar 3I/ATLAS possui grande quantidade de metanol, uma molécula orgânica associada ao álcool, segundo observações realizadas com o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), no Chile. A pesquisa mostra que o objeto apresenta uma proporção incomum dessa substância em comparação com cometas conhecidos do Sistema Solar.
O 3I/ATLAS foi descoberto em julho de 2025 e é apenas o terceiro objeto interestelar confirmado a atravessar o Sistema Solar, depois de 1I/'Oumuamua, observado em 2017, e 2I/Borisov, detectado em 2019. Por ter se formado em outro sistema planetário, o cometa fornece pistas sobre a composição química de regiões distantes da galáxia.
Os resultados foram obtidos por uma equipe liderada pelo astrônomo Nathan Roth, da American University, a partir de observações realizadas em diferentes datas no final de 2025 usando o Atacama Compact Array, parte do ALMA.
“Observar o 3I/ATLAS é como coletar uma impressão digital de outro sistema solar”, afirmou Roth ao apresentar os resultados da pesquisa. Segundo ele, os dados indicam que o objeto está “repleto de metanol de uma forma que normalmente não vemos em cometas do nosso próprio sistema solar”.
O que os cientistas descobriram no cometa 3I/ATLAS
Durante a aproximação do Sol, a superfície gelada do cometa começou a aquecer e liberou gás e poeira, formando uma coma, uma espécie de nuvem brilhante que envolve o núcleo do objeto. A análise dessa região permitiu identificar as moléculas presentes no material liberado.
Os cientistas concentraram a investigação em duas substâncias: metanol (CH₃OH) e cianeto de hidrogênio (HCN). Enquanto o cianeto de hidrogênio é comum em cometas, a quantidade de metanol observada no 3I/ATLAS chamou a atenção da equipe.
As medições indicaram razões de metanol em relação ao HCN de aproximadamente 70 e 120, valores muito superiores aos registrados na maioria dos cometas do Sistema Solar. Esses números colocam o objeto entre os mais ricos em metanol já analisados.
As observações de alta resolução do ALMA também permitiram identificar diferenças na origem dessas moléculas. O cianeto de hidrogênio parece ser liberado principalmente diretamente do núcleo do cometa. Já o metanol é emitido tanto pelo núcleo quanto por pequenos grãos de gelo presentes na coma.
Esses fragmentos de gelo funcionam como “mini-cometas”: quando se aproximam do Sol e aquecem, liberam metanol na forma de gás.
Formação de planetas
Estudos anteriores realizados com o Telescópio Espacial James Webb já haviam mostrado que a coma do 3I/ATLAS era dominada por dióxido de carbono quando o objeto estava mais distante do Sol. As novas observações com o ALMA adicionam o metanol como outro componente importante de sua composição química.
Segundo os pesquisadores, as proporções dessas moléculas sugerem que o material gelado do cometa se formou em condições diferentes das que originaram a maioria dos cometas do Sistema Solar.
Cada nova observação fornece dados sobre processos químicos que ocorreram em regiões da galáxia que ainda não podem ser estudadas diretamente.
Com a descoberta de mais objetos vindos do espaço interestelar, os astrônomos esperam ampliar o conhecimento sobre a diversidade de materiais presentes na formação de sistemas planetários em diferentes partes da galáxia.
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