Como está Chernobyl hoje, 40 anos após o explosão da usina nuclear?
Chernobyl era um lugar desinteressante até 1986, quando a explosão da usina nuclear culminou no maior desastre radioativo do mundo. Hoje, 40 anos após o acidente, o espaço é motivo constante de pesquisas, turismo de conscientização e contenção do material tóxico lá espalhado.
Se em 1986 a área foi totalmente fechada, hoje, parte dela é aberta de forma controlada para visitação. Foi transformada em uma "zona de exclusão" de 30 quilômetros, que criou um cenário único de preservação forçada e degradação radioativa. Pripyat e Chernobyl ficaram congeladas na estética dos anos 1980, com praças e prédios públicos lentamente engolidos por uma floresta que não respeita o concreto.
Esse isolamento permitiu que a área se tornasse um destino de dark tourism, que atrai cerca de 85 mil visitantes anuais interessados em ver de perto as ruínas da utopia soviética. Nos últimos dois anos, o fluxo de turistas diminuiu devido à instabilidade geopolítica da Ucrânia.
Como está Chernobyl 40 anos após a explosão?
Em 90% da zona de exclusão, a radiação caiu drasticamente devido à decaída natural. Caminhar pelas ruas de Pripyat hoje oferece uma carga radioativa similar à de um exame de raio-X de rotina. Ainda assim, a região deve ser visitada por tempo controlado para evitar uma contaminação.
Próximo da usina, o acesso é totalmente restrito. Além do risco de ser contaminado pelo ar, existem manchas de solo e objetos (como as garras de metal usadas na limpeza original) que permanecem altamente letais. Os locais mais perigosos foram contidos no Novo Confinamento Seguro (NSC), uma gigantesca estrutura de aço que protege o reator número 4 (que explodiu).
A Floresta Vermelha também é proibida, devido à alta contaminação do solo. É proibido sair da estrada para conhecê-la.
Mas nem só de radiação vive Chernobyl. Sem a interferência humana, o espaço virou uma das maiores reservas naturais da Europa. Cavalos-de-przewalski, lobos, linces e ursos-pardos proliferam no logal e a floresta "engoliu" a cidade de Pripyat. Árvores crescem dentro de escolas e ginásios, e as raízes estão destruindo a estrutura de concreto dos prédios soviéticos, o que torna o desabamento de edifícios um risco maior para os visitantes do que a própria radiação.
Quem visita o local hoje ainda precisa passar por detectores de radiação na entrada e na saída da Zona de Exclusão. Hoje, quase 3 mil pessoas ainda trabalham na região. Elas vivem em sistemas de turnos (geralmente 15 dias dentro da zona e 15 dias fora) para minimizar a exposição acumulada.
Pripyat, a cidade "fantasma" próxima de Chernobyl (DIMITAR DILKOFF/AFP/Getty Images)
Chernobyl ainda é radioativa?
A zona de exclusão permanece como uma área altamente restrita devido aos níveis persistentes de radiação, mas ficou ainda mais fechada no último ano. Em fevereiro de 2025, um ataque com drone vindo da Rússia danificou o
Segundo relatórios da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA), o incidente comprometeu a capacidade da estrutura de conter resíduos radioativos. O escudo protetor não cumpre mais as funções principais de segurança. Cerca de 2.700 trabalhadores operam na região, muitos baseados em Slavutych.
Os níveis de radiação em áreas como Pripyat variam de dezenas a centenas de microsieverts por hora, com "pontos quentes" controlados por rotas específicas, graças à decaída natural e esforços de descontaminação. O turismo guiado continua em zonas de menor risco, embora com precauções rigorosas.
A invasão russa em 2022 já havia elevado temporariamente a radiação ao movimentar solos contaminados, mas os níveis se estabilizaram depois. O incidente de 2025 exigiu uma grande reforma na estrutura do NSC para restaurar a contenção. Animais selvagens, como cães na zona, acumulam radiação, mas a vida vegetal e animal floresceu de forma inesperada em áreas menos afetadas.
CHERNOBYL (HBO/Reprodução)
Relembre a explosão nuclear de Chernobyl
O desastre ocorreu na madrugada de 26 de abril de 1986, na Usina Nuclear de Chernobyl, na então República Socialista Soviética da Ucrânia. Foi o resultado de uma combinação fatal de falhas no projeto do reator e erros humanos gravíssimos durante um teste de segurança.
A equipe planejava testar se as turbinas do reator 4 poderiam gerar energia suficiente para manter as bombas de resfriamento funcionando durante uma queda de energia. Para isso, desligaram sistemas automáticos de segurança. Devido a erros de operação, a potência do reator caiu demais e depois subiu de forma descontrolada. Houve uma explosão de vapor que destruiu o teto do reator, seguida por uma explosão de hidrogênio que lançou uma coluna de material radioativo na atmosfera.
O núcleo do reator, feito de grafite, pegou fogo e queimou por nove dias. O incêndio espalhou uma nuvem radioativa pela União Soviética e boa parte da Europa.
Central de Chernobyl (Sergei Supinsky/AFP)
O que aconteceu com as vítimas de Chernobyl?
31 pessoas morreram nos dias seguintes, sendo dois na explosão e 29 bombeiros e funcionários por Síndrome Aguda da Radiação. Milhares de casos de câncer de tireoide foram registrados nas décadas seguintes em crianças da região.
A cidade de Pripyat, construída para os trabalhadores da usina, só começou a ser evacuada 36 horas após o acidente. Os moradores saíram acreditando que voltariam em três dias, e deixaram tudo para trás.
Milhares de "liquidadores" (soldados e civis) foram mobilizados para limpar os escombros e construir uma estrutura de concreto às pressas para selar o reator, o que hoje conhecemos como o antigo sarcófago. O Novo Confinamento Seguro, atingido recentemente pelos drones russos, era um arco de aço gigante projetado para durar 100 anos.
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