Como guerras e sanções afastaram o Iraque da Copa do Mundo por décadas

Por Maria Luiza Pereira 2 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Como guerras e sanções afastaram o Iraque da Copa do Mundo por décadas

Entre guerras, sanções internacionais e anos de isolamento, o Iraque tenta encerrar uma espera que já dura quatro décadas.

A seleção nacional não disputa uma Copa do Mundo desde 1986, quando participou do torneio realizado no México.

Conflitos afastaram o esporte do país

Desde então, o país atravessou alguns dos períodos mais turbulentos de sua história recente.

A guerra contra o Irã nos anos 1980, a invasão do Kuwait em 1990, os conflitos liderados pelos Estados Unidos em 1991 e 2003 e o avanço do Estado Islâmico deixaram marcas profundas na sociedade iraquiana, incluindo no futebol.

Durante muitos anos, a seleção precisou atuar longe de casa. Questões de segurança fizeram com que a FIFA proibisse partidas internacionais no Iraque por longos períodos. Jogos das Eliminatórias e amistosos foram disputados em países vizinhos, afastando a equipe de sua torcida e dificultando a preparação.

Além dos conflitos armados, o país também sofreu com sanções econômicas internacionais. A estrutura esportiva foi afetada, estádios ficaram deteriorados e o investimento em categorias de base praticamente desapareceu em alguns períodos.

O futebol iraquiano ainda carrega o peso de outro capítulo traumático.

Uday Hussein, filho do ex-ditador Saddam Hussein, comandou o Comitê Olímpico Iraquiano e ficou conhecido por relatos de tortura e punições violentas contra atletas após derrotas da seleção. Ex-jogadores relataram agressões físicas, prisões e humilhações durante aquele período, que só acabou com a queda do regime, em 2003.

Apenas em março de 2020 a Fifa autorizou que a cidade de Basra, no sul do país, recebesse jogos internacionais. Com isso, confrontos decisivos deixaram de ser transferidos para países como Jordânia, Malásia e Irã.

Futebol iraquiano começa a renascer

Mesmo em meio às dificuldades, o futebol continuou sendo um símbolo de união nacional. Em 2007, a seleção conquistou a Copa da Ásia em uma campanha histórica.

O título aconteceu justamente em um dos momentos mais violentos do conflito interno no país e provocou celebrações massivas nas ruas de Bagdá.

Agora, uma nova geração colocou o Iraque no maior palco do futebol mundial. A equipe viveu uma campanha competitiva nas Eliminatórias e alimenta a esperança de uma boa campanha na Copa do Mundo, pela primeira vez em 40 anos.

Atual 57º colocado no ranking da Fifa, o Iraque conta com atletas que acumulam experiência no futebol europeu.

Entre eles, o atacante Ali Al-Hamadi, do Ipswich Town, o meia Zidane Iqbal, revelado pelo Manchester United e atualmente no Utrecht, da Holanda, e Kevin Yakob, que recentemente participou da campanha do título dinamarquês do AGF.

A aposta no técnico Graham Arnold, responsável por levar a Austrália às oitavas de final da Copa do Mundo de 2022, também trouxe resultados positivos ao Iraque.

Contratado em 2025, o treinador de 62 anos conduziu a seleção pelas terceira e quarta fases das Eliminatórias.

A equipe superou os Emirados Árabes Unidos em um confronto equilibrado nos playoffs antes de confirmar a classificação com vitória de 2x1 sobre a Bolívia, jogo que foi realizado em Monterrey, no México — mesmo lugar da última participação do Iraque em Copas até 2026. O triunfo marcou o 21º jogo da longa campanha até a reta decisiva pela vaga no Mundial.

O retorno da Seleção do Iraque tem um significado que ultrapassa o esporte. Para muitos iraquianos, a classificação representaria um raro momento de orgulho coletivo após décadas marcadas por guerra, instabilidade política e reconstrução contínua.

Confira a convocação do Iraque

O Iraque está no Grupo I da Copa do Mundo de 2026. A equipe enfrenta a Noruega, às 19h, no dia 16 de junho, em Boston, nos Estados Unidos; depois joga contra a França, às 18h, no dia 22 de junho, na Filadélfia, também nos Estados Unidos; e seu último jogo na fase de grupos será contra o Senegal, às 16h, no dia 26 de junho, em Toronto, no Canadá.

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