Como guerras e sanções afastaram o Iraque da Copa do Mundo por décadas
Entre guerras, sanções internacionais e anos de isolamento, o Iraque tenta encerrar uma espera que já dura quatro décadas.
A seleção nacional não disputa uma Copa do Mundo desde 1986, quando participou do torneio realizado no México.
Conflitos afastaram o esporte do país
Desde então, o país atravessou alguns dos períodos mais turbulentos de sua história recente.
A guerra contra o Irã nos anos 1980, a invasão do Kuwait em 1990, os conflitos liderados pelos Estados Unidos em 1991 e 2003 e o avanço do Estado Islâmico deixaram marcas profundas na sociedade iraquiana, incluindo no futebol.
Durante muitos anos, a seleção precisou atuar longe de casa. Questões de segurança fizeram com que a FIFA proibisse partidas internacionais no Iraque por longos períodos. Jogos das Eliminatórias e amistosos foram disputados em países vizinhos, afastando a equipe de sua torcida e dificultando a preparação.
Além dos conflitos armados, o país também sofreu com sanções econômicas internacionais. A estrutura esportiva foi afetada, estádios ficaram deteriorados e o investimento em categorias de base praticamente desapareceu em alguns períodos.
O futebol iraquiano ainda carrega o peso de outro capítulo traumático.
Uday Hussein, filho do ex-ditador Saddam Hussein, comandou o Comitê Olímpico Iraquiano e ficou conhecido por relatos de tortura e punições violentas contra atletas após derrotas da seleção. Ex-jogadores relataram agressões físicas, prisões e humilhações durante aquele período, que só acabou com a queda do regime, em 2003.
Apenas em março de 2020 a Fifa autorizou que a cidade de Basra, no sul do país, recebesse jogos internacionais. Com isso, confrontos decisivos deixaram de ser transferidos para países como Jordânia, Malásia e Irã.
Futebol iraquiano começa a renascer
Mesmo em meio às dificuldades, o futebol continuou sendo um símbolo de união nacional. Em 2007, a seleção conquistou a Copa da Ásia em uma campanha histórica.
O título aconteceu justamente em um dos momentos mais violentos do conflito interno no país e provocou celebrações massivas nas ruas de Bagdá.
Agora, uma nova geração colocou o Iraque no maior palco do futebol mundial. A equipe viveu uma campanha competitiva nas Eliminatórias e alimenta a esperança de uma boa campanha na Copa do Mundo, pela primeira vez em 40 anos.
Atual 57º colocado no ranking da Fifa, o Iraque conta com atletas que acumulam experiência no futebol europeu.
Entre eles, o atacante Ali Al-Hamadi, do Ipswich Town, o meia Zidane Iqbal, revelado pelo Manchester United e atualmente no Utrecht, da Holanda, e Kevin Yakob, que recentemente participou da campanha do título dinamarquês do AGF.
A aposta no técnico Graham Arnold, responsável por levar a Austrália às oitavas de final da Copa do Mundo de 2022, também trouxe resultados positivos ao Iraque.
Contratado em 2025, o treinador de 62 anos conduziu a seleção pelas terceira e quarta fases das Eliminatórias.
A equipe superou os Emirados Árabes Unidos em um confronto equilibrado nos playoffs antes de confirmar a classificação com vitória de 2x1 sobre a Bolívia, jogo que foi realizado em Monterrey, no México — mesmo lugar da última participação do Iraque em Copas até 2026. O triunfo marcou o 21º jogo da longa campanha até a reta decisiva pela vaga no Mundial.
O retorno da Seleção do Iraque tem um significado que ultrapassa o esporte. Para muitos iraquianos, a classificação representaria um raro momento de orgulho coletivo após décadas marcadas por guerra, instabilidade política e reconstrução contínua.
Confira a convocação do Iraque
O Iraque está no Grupo I da Copa do Mundo de 2026. A equipe enfrenta a Noruega, às 19h, no dia 16 de junho, em Boston, nos Estados Unidos; depois joga contra a França, às 18h, no dia 22 de junho, na Filadélfia, também nos Estados Unidos; e seu último jogo na fase de grupos será contra o Senegal, às 16h, no dia 26 de junho, em Toronto, no Canadá.
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