Como os guaxinins resolvem enigmas apenas pela 'diversão'
Quem acha que só humanos e alguns primatas gostam de desafios mentais talvez precise rever seus conceitos. Um novo estudo indica que os guaxinins também curtem quebrar a cabeça. E não é por comida ou sobrevivência. É por diversão mesmo.
Conhecidos pela curiosidade quase obsessiva, esses mamíferos das Américas já tinham fama de espertos. Agora, experimentos mostram que eles conseguem resolver enigmas e, mais curioso ainda, continuam tentando mesmo quando não há recompensa envolvida.
Um passatempo inesperado
Um novo estudo da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), no Canadá, publicado nesta semana na revista Animal Behaviour, colocou os animais em uma espécie de “caixa-desafio”, equipada com diferentes mecanismos — como fechos, portas deslizantes e botões — que permitiam acessar um único marshmallow escondido dentro do recipiente.
Durante as sessões, que duravam 20 minutos, os guaxinins podiam tentar abrir a caixa por nove pontos diferentes, classificados em níveis de dificuldade fácil, médio e difícil. Mesmo depois de conseguirem retirar o marshmallow, muitos continuavam mexendo nos mecanismos e tentando abrir novas entradas, apesar de já saberem que não havia mais comida ali.
Segundo os pesquisadores, esse comportamento sugere que os animais não estavam motivados apenas pela fome. A interpretação é que os guaxinins exploravam o objeto por pura curiosidade, interessados em entender como ele funcionava e em descobrir novas possibilidades no ambiente.
Guaxinins desvendando os enigmas das caixas / Reprodução: Hannah Griebling (Reprodução / Hannah Griebling)
Curiosidade ajuda na sobrevivência
Os cientistas também perceberam que o comportamento dos guaxinins mudava de acordo com o grau de dificuldade do desafio. Quando a solução era simples, os animais experimentavam diferentes maneiras de abrir a caixa, alternando a ordem das entradas e testando várias possibilidades.
Mas, quando o mecanismo exigia mais esforço ou raciocínio, a postura mudava. Em vez de continuar explorando, eles tendiam a repetir uma estratégia que já sabiam que funcionava. Ainda assim, mesmo diante dos desafios mais complicados, alguns indivíduos voltavam a testar caminhos alternativos.
Para os pesquisadores, esse padrão ajuda a entender por que os guaxinins conseguem se adaptar tão bem às cidades. A habilidade de aprender rápido, tentar abordagens diferentes e manipular objetos com destreza nas patas dianteiras facilita o acesso a novas fontes de alimento, como lixeiras e recipientes fechados.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: