Complexo turístico no Vale Europeu de SC cresce 85% e mira R$ 55 milhões

Por Rafael Martini 2 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Complexo turístico no Vale Europeu de SC cresce 85% e mira R$ 55 milhões

O que começou como uma alternativa para complementar a renda de dois irmãos agricultores, Querino e Afonso Reinert, no interior de Gaspar, no Vale Europeu de Santa Catarina, se transformou em um dos casos mais consistentes de empreendedorismo no turismo regional.Há 40 anos, em uma área de pastagem cortada por um ribeirão, os irmãos decidiram represar a água e instalar churrasqueiras simples para receber visitantes, inspirados em um balneário que frequentavam na juventude.

O primeiro investimento estruturado, de cerca de R$ 120 mil em uma piscina e um toboágua, deu origem ao que hoje é o Grupo Cascanéia — um complexo turístico integrado que projeta alcançar R$ 55 milhões em faturamento em 2026.

Ao longo de quatro décadas, o negócio evoluiu de uma operação local e sazonal para uma estrutura diversificada, baseada na integração entre lazer e hospitalidade. Hoje, o grupo reúne três frentes principais — Parque Cascanéia, Hotel Villa di Acqua e Resort Ecoar — que operam de forma complementar, ampliando o tempo de permanência dos visitantes e a captura de valor dentro do próprio ecossistema.

Nos últimos quatro anos, essa estratégia se traduziu em escala. O grupo registrou crescimento de 85% no faturamento, movimento impulsionado principalmente pela expansão da hotelaria e pela ampliação da operação ao longo de todo o ano. Atualmente, cerca de 70% da receita já vem da hospedagem, consolidando uma mudança estrutural no modelo de negócios.

O parque aquático, no entanto, segue como principal motor de fluxo. Com mais de 25 atrações distribuídas em uma área superior a 100 mil metros quadrados, o espaço recebe, em média, 120 mil visitantes por ano e já acumula aproximadamente 5 milhões de pessoas ao longo de sua história. Integrado à natureza, o parque mantém forte apelo junto ao público familiar e se consolidou como um dos principais atrativos do Vale Europeu catarinense.

Na temporada de verão de 2025, encerrada no fim de fevereiro, o parque registrou crescimento de 22% no faturamento em relação ao mesmo período de 2024, considerando a operação entre outubro e fevereiro. O desempenho reforça a resiliência do ativo, mesmo dentro de uma operação cada vez mais diversificada.

Monique Reinert, CEO do Grupo Cascanéia (Divulgação/Divulgação)

A virada estratégica veio com a aposta na hospitalidade. O lançamento do Hotel Villa di Acqua, inaugurado na década de 2010, como a primeira expansão estruturada além do parque, marcou o movimento inicial para ampliar o tempo de permanência dos visitantes e criar novas fontes de receita além do modelo de day use. Na sequência, o grupo avançou para um novo patamar com a implantação do Resort Ecoar, inaugurado em 2020, voltado a experiências completas de lazer, natureza e descanso.

Os indicadores operacionais refletem essa transformação. O ticket médio do parque foi de cerca de R$ 135 em 2025, considerando ingressos e consumo interno. Na hotelaria, a diária média por pessoa gira em torno de R$ 395 no Hotel Villa di Acqua e R$ 600 no Resort Ecoar, sem considerar receitas adicionais com alimentação, experiências e serviços, ampliando significativamente o potencial de monetização por visitante.

“A maior virada de chave foi entender que não poderíamos depender apenas da alta temporada do parque. Ao investir na hotelaria, passamos a operar o ano inteiro e consolidamos o Cascanéia como um destino turístico”, afirma Monique Reinert, CEO do Grupo Cascanéia.

A estratégia de crescimento segue ancorada em ganhos de eficiência e valorização da experiência. Segundo a empresa, cada nova atração relevante no parque pode gerar incremento de cerca de 10% no número de visitantes e no ticket médio, enquanto os upgrades previstos na hotelaria têm potencial de elevar a receita entre 10% e 15%, impulsionados pelo aumento do tempo de permanência e pela qualificação da oferta.

Para sustentar o próximo ciclo, o grupo estruturou um plano de R$ 40 milhões em investimentos nos próximos 5 anos, com capital próprio. Parte relevante dos recursos será destinada à modernização do Parque Cascanéia, incluindo a implantação de uma nova atração de grande porte. Outra frente envolve melhorias nos empreendimentos de hospedagem, com foco em conforto, tecnologia e ampliação das experiências oferecidas aos hóspedes.

Sem previsão de expansão geográfica, a estratégia está concentrada em extrair mais valor dos ativos existentes, consolidar a presença no Sul do Brasil e ampliar a participação do público do Sudeste, principal mercado emissor de turistas do país.

O movimento acompanha uma tendência clara do setor de turismo brasileiro: a integração entre atrações de lazer e hospitalidade para aumentar permanência, gasto médio e recorrência de visitantes.Para os operadores do trade turístico de Santa Catarina, a estrutura de excelência do Parque Cascanéia é mais um atrativo relevante dentro de um ecossistema que se consolida nos municípios às margens da BR-101 Norte.

A distância entre Gaspar e Penha, onde fica o Beto Carrero World, ppor exemplo, é de aproximadamente 70 quilômetros, enquanto Balneário Camboriú está a cerca de 40 quilômetros.

Ou seja, o turista pode se hospedar no Cascanéia por algus dias para usufruir de toda a estrutura do parque aquático e da hotelaria integrada, visitar o Beto Carrero World e ainda aproveitar os restaurantes e a vida noturna de Balneário Camboriú — tudo dentro de um raio de cerca de 80 quilômetros, reforçando a lógica de destino regional integrado.

"Ao completar 40 anos de operação, o Grupo Cascanéia mantém a lógica que acompanha sua trajetória desde a origem: crescimento gradual, reinvestimento contínuo e disciplina financeira — pilares que sustentam a transição de parque regional para destino turístico consolidado", finaliza Monique.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: