Conflito no Irã reacende temor de crise do petróleo dos anos 1970
A escalada das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã reacendeu o temor de um choque de oferta no mercado global de energia, sobretudo no petróleo. Especialistas alertam que uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz pode desencadear uma crise do petróleo comparável à dos anos 1970.
O principal ponto de preocupação é o Golfo Pérsico, considerado o gargalo mais sensível do comércio mundial de petróleo. Em 2025, cerca de 13 milhões de barris por dia passaram pela rota de Ormuz: 31% de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo, segundo dados da Kpler divulgados pela CNBC.
Para o chefe de pesquisa de energia da MST Marquee, Saul Kavonic, o mercado já começa a precificar um amplo espectro de riscos desde a perda de até dois milhões de barris por dia das exportações iranianas até ataques à infraestrutura ou, no cenário extremo, o bloqueio total de Ormuz.
Os dados mostram que a via conecta grandes produtores aos mercados internacionais, e qualquer bloqueio teria impacto imediato sobre preços, fretes e inflação. Por isso, o aumento do temor de uma eventual retomada da crise do petróleo, como a que ocorreu na década de 1970.
Paralelo com os anos 1970
Iniciada em 1973, a crise ocorreu quando países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) impuseram um embargo às exportações de algumas nações. A medida reduziu a oferta global, fez o preço do barril disparar e provocou inflação alta e recessão em várias economias.
É justamente esse precedente histórico que volta ao radar. Kavonic cita à CNBC que um fechamento bem-sucedido de Ormuz geraria um cenário três vezes pior que o embargo árabe e a Revolução Iraniana nos anos 1970, levando o preço do petróleo a três dígitos e até batendo recordes de 2022.
Com o conflito atual, uma missão naval europeia, denominada Aspides, afirmou que as embarcações comerciais já receberam mensagens de rádio da Guarda Revolucionária do Irã pontuando que nenhum navio teria "permissão para passar" por Ormuz, segundo fontes consultadas pela CNBC.
Embora Teerã não tenha confirmado oficialmente um bloqueio, a ameaça mantém o mercado em estado de alerta. O Brent encerrou o pregão da sexta-feira, 27, em US$ 72,48, acumulando alta de cerca de 19% no ano. O movimento reflete a incorporação de prêmio de risco geopolítico aos preços.
'Cenário sem precedentes'
A CEO da Vanda Insights, Vandana Hari, teme que o mundo possa estar diante de um cenário sem precedentes. "Parece que estamos diante de um conflito militar em escala total entre EUA e Irã, algo cuja trajetória é impossível de avaliar", disse à emissora estadunidense.
Caso o confronto se prolongue com retaliações amplas, o mercado poderá enfrentar "os piores cenários para o petróleo", incluindo interrupção relevante dos fluxos energéticos no Oriente Médio.
O presidente do Rapidan Energy Group, Bob McNally, vê desdobramentos "muito sérios" para os mercados globais de óleo e gás, em que a magnitude de qualquer disparada de preços vai depender da duração e do alcance das interrupções na produção e no transporte, de acordo com falas à CNBC.
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