Creatina: de favorita dos “marombeiros” ao suplemento queridinho das mulheres

Por Marina Semensato 6 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Creatina: de favorita dos “marombeiros” ao suplemento queridinho das mulheres

Historicamente associada aos "marombeiros" de academia, a creatina caiu na graça do público e se tornou parte da rotina dos mais variados consumidores — especialmente as mulheres, sejam elas frequentadoras assíduas da musculação, praticantes de pilates, iniciantes no mundo fitness ou até mesmo idosas que só querem melhorar o desempenho.

O "boom" da creatina faz parte da expansão do setor de wellness no mundo. O mercado global de saúde e bem-estar movimentou cerca de US$ 6,19 trilhões em 2025 e deve alcançar US$ 6,52 trilhões em 2026, com projeção de chegar a US$ 10,38 trilhões até 2035, segundo estimativas da Business Research Insights.

Especificamente no Brasil, o número de academias triplicou na última década, em um setor que movimenta cerca de R$ 8 bilhões por ano. Essa alta puxou também o setor dos suplementos: segundo a Associação Brasileira de Suplementos Alimentares (Brasnutri), o país ocupa o terceiro lugar no ranking global de consumo desses produtos, atrás apenas dos Estados Unidos e da Austrália.

Mas por que a creatina?

Nesse cenário, nenhum composto ficou tão popular quanto a creatina. Dados da consultoria Close-Up International mostram que, nas farmácias brasileiras, as vendas do suplemento cresceram 67% nos últimos cinco anos, o que corresponde a um aumento de 92% no faturamento da categoria.

Parte desse salto está ligada à mudança de percepção sobre o produto. "Muitas pessoas costumavam pensar na creatina como algo que te deixa inchado, mas hoje ela é reconhecida como um dos nutrientes mais pesquisados para apoiar força, recuperação muscular e até saúde cerebral", afirmou Simon Huck, cofundador da marca de suplementos Lemme, à Vogue.

A ciência também colaborou para essa alta, ao evidenciar que as mulheres podem se beneficiar da suplementação. "Pesquisas mostram que mulheres naturalmente têm reservas menores de creatina do que os homens, e os níveis podem oscilar com mudanças hormonais", adiciona Huck.

"Agora existem estudos sobre creatina em mulheres na menopausa e seus benefícios para esse público. O conhecimento está chegando a mais pessoas", complementa Rachel Kreider, vice-presidente de inovação de produtos da varejista de suplementos GNC, à revista.

Afinal, quais são esses benefícios?

A creatina é um dos suplementos mais estudados da nutrição esportiva. Em termos gerais, ela aumenta a disponibilidade de energia nos músculos durante os exercícios, contribuindo para o ganho de força e na recuperação pós-treino.

Os estudos também apontam efeitos fora da academia, como melhora nas funções cognitivas, além de ajudar a preservar massa muscular com o avanço da idade.

Quando se trata especificamente das mulheres, a creatina tem efeitos ainda mais importantes. Isso porque os níveis naturais de creatina no organismo feminino costumam ser 70% a 80% menores do que nos homens, o que torna a suplementação um verdadeiro hack para o ganho de força e desempenho.

Pesquisas também indicam benefícios em fases específicas da vida, como a menopausa, quando a creatina pode ajudar a preservar massa muscular e densidade óssea, quando combinada à musculação. Outros efeitos incluem melhora do humor e da saúde dos ossos, redução da fadiga e suporte à hidratação celular.

Aposta de influenciadores e marcas

O reposicionamento do produto foi acelerado por influenciadoras do meio fitness e marcas voltadas ao público feminino. No Brasil, por exemplo, a marca "WePink", de Virgínia Fonseca, tem uma aba só de suplementos, entre eles a creatina em pó. O produto tem três variações — uma sem sabor e duas saborizadas, de limão e lichia.

A mudança também aparece nos formatos disponíveis no mercado. Além do tradicional pó, marcas passaram a vender gomas, cápsulas, mastigáveis e sachês portáteis, que dispensam a necessidade de misturar o produto em bebidas. A influenciadora Manu Cit, por exemplo, é o nome por trás da goma de creatina Guday, que promete auxiliar no desempenho físico, aumento de força e prevenção de doenças.

"Por muitos anos, tomei suplementos todos os dias. Eu sabia da importância deles para a saúde, mas a experiência era sempre desagradável. Suplementos em pílula eram enormes e quase impossíveis de engolir, e os pós tinham gostos horríveis. Por que algo tão essencial para o nosso bem-estar tinha que ser tão difícil de consumir? Foi então que pensei: por que não transformar tudo isso em algo gostoso? Assim nasceu a Guday", diz a influenciadora no site da marca.

A inovação no setor também inclui produtos híbridos, que combinam creatina com outros ingredientes, como colágeno ou compostos de hidratação, além de embalagens portáteis voltadas para novos consumidores ou objetivos específicos. Na GNC, um dos produtos mais recentes do portfólio é a Peach Perfect, uma creatina com enfoque em melhorar os glúteos femininos.

"Existe uma forma de fazer marketing para mulheres — é desafiador, mas possível. Há uma linha tênue, porque acho que vemos consistentemente nas pesquisas que as mulheres consideram quase insultante quando são abordadas apenas através da cor rosa ou não são tratadas de forma igual", diz Kreider. A abordagem da Peach Perfect é ser divertida e enfatizar que o suplemento tonifica, não aumenta o volume.

Perspectiva é de crescimento

Segundo estimativas da Grand View Research, o mercado global de creatina pode quadruplicar até 2030 e chegar a cerca de US$ 4,2 bilhões, com crescimento anual de 25%, muito acima da média do mercado de suplementos em geral.

Parte desse avanço também é associada ao aumento do uso de medicamentos da classe GLP-1, utilizados para perda de peso. Especialistas apontam que a creatina pode ajudar a preservar massa muscular durante processos de emagrecimento, o que ampliou o interesse pelo suplemento.

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