De rival da Coco Chanel ao casamento de Dua Lipa: a história da Schiaparelli

Por Gustavo Frank 1 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
De rival da Coco Chanel ao casamento de Dua Lipa: a história da Schiaparelli

Dua Lipa saiu da Old Marylebone Town Hall, em Londres, casada com o ator Callum Turner no último final de semana. O look escolhido por ela era um Schiaparelli: conjunto de saia e blazer em marfim, com botões dourados e luvas brancas. O chapéu era de Stephen Jones.

Há quem diga que era uma referência ao Saint Laurent de Bianca Jagger, nos mesmos moldes, há 55 anos, no casamento com Mick Jagger.

O look virou notícia imediata e inundou as redes sociais de fotos. A Schiaparelli foi fundada em 1927 por uma italiana excêntrica em Paris, faliu em 1954 e só voltou a desfilar em 2014. Abaixo, conheça a história da maison, desde a rivalidade com Coco Chanel até o renascimento com Daniel Roseberry no papel de diretor criativo da grife.

A italiana que assustava Chanel

A estilista italiana Elsa Schiaparelli (Divulgação/Schiaparelli)

Elsa Schiaparelli nasceu em Roma em 1890, em uma família aristocrática. Estudou filosofia, chegou a publicar uma coleção de poemas sensuais em 1911, e acabou parando no mundo da moda sem nenhum treinamento técnico formal. Em 1934, ela se tornou a primeira mulher a estampar a capa da revista Time Magazine. Coco Chanel, que via o sucesso da italiana com desconforto, tinha um apelido para ela: "aquela artista italiana que faz roupas." Schiaparelli retribuía chamando Chanel de "a chapeleira."

A rivalidade foi a mais acirrada da história da moda parisiense. Segundo rumores, numa festa de fantasia antes da Segunda Guerra, Chanel empurrou Schiaparelli em direção a um lustre de velas, incendiando o vestido surrealista da rival. As convidadas jogaram água com gás para apagar o fogo.

O que Elsa fazia era o oposto do que Chanel pregava. Enquanto Coco falava de simplicidade e cores neutras, Elsa trazia Salvador Dalí para dentro do ateliê. Juntos, produziram um tailleur com bolsos em formato de gaveta, um vestido com uma lagosta pintada na saia e um chapéu em forma de sapato de salto alto. Quando Wallis Simpson usou o vestido da lagosta, a polêmica era dupla: estética e política.

A Schiaparelli também é responsável pelo rosa-choque, que ela criou em 1936 e se tornou uma das cores mais icônicas do século. O mesmo tom que aparece nos vestidos de Marilyn Monroe em Cavalheiros Preferem Loiras. A casa fechou em 1954. Elsa morreu em 1973. A marca ficou no limbo por décadas.

O designer que foi de Paris para a Quinta Avenida

O elo entre a Schiaparelli e a Tiffany & Co. tem nome: Jean Schlumberger. Em 1937, o francês chegou ao ateliê da Elsa para criar botões. Ficou para desenhar joias. As peças que ele produzia para a grife, feitas com "os objetos mais inacreditáveis: animais, penas, correntes, cadeados", como a própria Schiaparelli descreveu, chamaram atenção suficiente para abrir todas as portas de Paris.

Em 1956, a Tiffany o contratou como vice-presidente. Ele foi um dos únicos quatro designers que a joalheria americana permitiu assinar o próprio trabalho na história da marca. Na Tiffany, criou as pulseiras Croisillon em esmalte paillonné — coloridas, esmaltadas em ouro de 18 quilates, com um processo do século 19 que Schlumberger resgatou do esquecimento. Jackie Kennedy as usava empilhadas com tanta frequência que a imprensa passou a chamá-las de "Jackie's bracelets".

Continuam sendo produzidas hoje.

O retorno e Daniel Roseberry

Daniel Roseberry, diretor criativo da Schiaparelli desde 2019 (Divulgação )

Em 2012, o empresário italiano Diego Della Valle — fundador do grupo Tod's, que havia comprado os arquivos da marca em 2006 — anunciou o relançamento da Schiaparelli. O primeiro desfile de fato aconteceu em janeiro de 2014. Em 2019, a maison anunciou o nome de Daniel Roseberry, então com 33 anos, nascido em Plano, Texas, filho de um pastor anglicano e de uma artista. Ele vinha de onze anos na Thom Browne, em Nova York, onde subiu de estagiário a diretor de design. Era o primeiro americano a liderar uma casa histórica de costura em Paris.

O que Roseberry fez foi reconectar a marca ao surrealismo original sem copiar Elsa, mas a partir dela. As peças de joalheria em ouro que funcionam como partes do corpo humano, o corset escultural, os acessórios que citam obras de arte. "Uma das coisas que tenho em comum com Elsa é que nenhum de nós era esperado nessa posição", disse Roseberry ao Hollywood Reporter.

No Grammy de 2025, Beyoncé subiu ao palco para receber o prêmio de Álbum do Ano por Cowboy Carter — a primeira mulher negra a ganhar na categoria desde Lauryn Hill em 1999 — vestindo um Schiaparelli de alta-costura em dourado com padrão paisley bordado, uma referência direta ao universo country do álbum. No ano anterior, Taylor Swift, vencedora na mesma categoria, também usava uma peça da maison. Bad Bunny, neste ano, seguiu os mesmos passos.

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