Dia Mundial do Uísque: guia para apreciar melhor a bebida

Por Júlia Storch 16 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Dia Mundial do Uísque: guia para apreciar melhor a bebida

O uísque atravessou séculos mantendo sua associação com sofisticação, tradição e personalidade. Da antiga “água da vida” criada pelos povos gaélicos aos balcões da coquetelaria contemporânea, o destilado construiu um universo próprio que combina história, cultura e técnica. No Dia Mundial do Uísque, celebrado hoje, 16, cresce também o interesse de consumidores que desejam ir além do consumo casual e entender como apreciar melhor a bebida.

Entre as marcas que ajudaram a ampliar esse repertório está a escocesa Glenmorangie. Fundada em 1843, nas Highlands, a destilaria se destacou por popularizar técnicas de extra maturação em barris anteriormente utilizados para vinhos fortificados, prática que ampliou a complexidade aromática dos single malts modernos. A abordagem influenciou o mercado e abriu espaço para uma nova diversidade de aromas, texturas e camadas de sabor no universo do uísque.

Nesse cenário, questões como o tipo de gelo mais indicado, a escolha da taça ideal e as harmonizações mais adequadas para cada perfil passaram a integrar o repertório de apreciadores em busca de experiências mais completas e sofisticadas.

Para Rick Anson, Brand Ambassador dos destilados da Moët Hennessy no Brasil, docente da Le Cordon Bleu e estudioso do tema há mais de 26 anos, apreciar a bebida significa, acima de tudo, ter atenção aos detalhes. Confira cinco dicas para elevar a experiência com o destilado.

Rick Anson: Brand Ambassador dos destilados da Moët Hennessy no Brasil (Divulgação/Divulgação)

A taça correta

Entre as principais recomendações do especialista está a escolha da taça ideal para cada estilo. No caso dos single malts, a indicação é a Glencairn, reconhecida pelo formato em tulipa, que ajuda a concentrar os aromas e direcionar melhor a percepção olfativa da bebida.

O gelo ideal

Para quem prefere uísque gelado, as esferas de gelo são as mais indicadas porque derretem lentamente e evitam excesso de diluição.

Harmonizações enriquecem a experiência

Uísques como o Glenmorangie Original possuem um perfil mais leve e costumam combinar bem com castanha-do-pará, amêndoas e uvas-passas claras, que acompanham suas notas mais delicadas sem sobrecarregar o paladar.

O primeiro gole deve ser mais lento

Anson destaca a importância do ritmo da degustação. “No primeiro gole, vá com calma. É nesse momento que o uísque começa a revelar sua complexidade”, afirma. Segundo ele, a bebida deve ser apreciada sem pressa, permitindo que o paladar se adapte ao teor alcoólico e explore, aos poucos, a evolução das camadas de sabor ao longo da prova.

Alguns rótulos pedem experiências mais ousadas

O Glenmorangie Signet, produzido com malte “chocolate”, é citado pelo especialista como um uísque que abre espaço para harmonizações mais exóticas e sofisticadas. Um exemplo é o creme de maracujá, que funciona por antagonismo e realça a complexidade da bebida.

Ao longo da história, o uísque deixou de ser apenas uma bebida alcoólica para se tornar um universo próprio, que envolve geografia, técnica, cultura e ritual. Talvez seja justamente essa combinação que explique por que o destilado continua despertando fascínio tantos séculos após sua criação. “Saúde! Ou, como dizem os gaélicos: Sláinte! (pronuncia-se “slawn-cha”)”, diz Rick.

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