Do grêmio ao governo: no Colégio Cândido Portinari, eleições estudantis ajudam a formar líderes
O desenvolvimento de competências socioemocionais e de cidadania deixou de ser uma meta abstrata nas grades curriculares para se tornar um ativo prático de gestão nas escolas que lideram o mercado educacional.
Com a demanda de propósito e participação ativa nas próximas gerações, as instituições de ensino redesenham suas estruturas para colocar o estudante no centro do processo decisório. No Colégio Cândido Portinari, esse movimento ganha contornos de laboratório social e político.
Em entrevista exclusiva à EXAME, Aleci Silva, diretor-geral da instituição, explicou como a escola utiliza o desenvolvimento de projetos — apoiados por ferramentas de Inteligência Artificial — e a simulação hiper-realista de processos democráticos para moldar as lideranças do futuro e construir uma forte identidade cidadã em sua comunidade escolar.
O grêmio como ativo de gestão e coparticipação
O grande insight do modelo adotado pelo Colégio Cândido Portinari está em não enxergar as organizações estudantis apenas como espaços de recreação, mas sim como instâncias atuantes e coparticipantes na evolução da escola. O engajamento começa na escolha dos representantes de turma e atinge o ápice na atuação do Grêmio Estudantil.
"A gente tem uma atuação muito forte com as lideranças e o desenvolvimento delas. O grêmio estudantil é muito atuante e vemos que muitos projetos nascem com iniciativa dos próprios alunos. Nós entendemos que eles são participantes ativos no processo de construção de uma escola cada vez melhor", afirma Aleci.
Ao dar vazão a essas demandas, o colégio colhe um retorno direto no comportamento dos estudantes: os jovens passam a propoe soluções internas com maior autonomia e responsabilidade, aplicando metodologias modernas e ferramentas tecnológicas como suporte para fundamentar suas ideias.
A engenharia da urna: debates e segundo turno no auditório
Para tangibilizar a educação para a cidadania, a instituição reproduz fielmente as engrenagens de um ecossistema eleitoral. Longe de ser um processo meramente simbólico, a escolha da gestão do Grêmio mobiliza o colégio em torno de debates, construção de propostas estruturadas e o uso de tecnologia de votação.
A seriedade do processo se reflete em números expressivos e no envolvimento emocional da comunidade:
Simulação de Alta Fidelidade: Os alunos se organizam em chapas concorrentes, constroem propostas de gestão reais e participam de debates mediados por professores no auditório da escola, simulando o ambiente de uma campanha eleitoral de verdade.
Votação Eletrônica: A votação ocorre por meio de uma simulação muito fiel de urna eletrônica, o que resultou em um índice histórico de mais de 90% de presença e participação do eleitorado estudantil nas urnas.
Demanda por Segundo Turno: O engajamento com o processo político escolar foi tão intenso que, na atual edição, os próprios alunos solicitaram a implementação de um segundo turno para garantir a representatividade das propostas.
Construindo a identidade cidadã
Para o corpo diretivo e pedagógico do Colégio Cândido Portinari, essa efervescência política dentro dos muros da instituição é o caminho mais seguro para preparar o jovem para os desafios da sociedade.
Ao vivenciar o debate de ideias na prática, o aluno aprende a conviver com o contraditório, a respeitar os diferentes posicionamentos e a compreender a importância do seu papel na coletividade.
O desafio de educar em 2026 exige que as marcas de ensino entreguem mais do que o conteúdo técnico voltado aos exames tradicionais; exige a criação de ecossistemas onde o aluno aprenda, sinta e exerça o protagonismo.
Ao transformar a eleição escolar em um rito de maturidade e tecnologia, o Cândido Portinari mostra que o segredo para formar o cidadão de amanhã é permitir que ele lidere o dia de hoje.
Diretores do Colégio Cândido Portinari
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