Doji: o aplicativo que viralizou como provador para roupas de grife
Na manhã seguinte ao Met Gala, o look de Saint Laurent azul usado por Hailey Bieber já estava disponível para teste no Doji. Não para compra. Mas, para experimentar no próprio corpo, via avatar gerado por inteligência artificial.
O Doji foi criado por Dorian Dargan e Jim Winkens — o nome do app surge a partir das iniciais dos sócios. Dargan trabalhou na Apple no desenvolvimento do VisionOS e na Meta em experiências do Oculus Quest. Winkens foi pesquisador no DeepMind e também atuou no Google em produtos de IA generativa para o consumidor. Os dois se conheceram no Twitter em 2022 e começaram a trabalhar juntos depois de se identificarem com o universo da moda.
A inspiração para o Doji veio do Lensa, aplicativo de criação de avatares estilizados que viralizou em 2022. "O Lensa criava avatares estilizados com temas diferentes", disse Dargan ao TechCrunch. "A gente viu aquilo e pensou: e se a gente fizesse isso para moda, mas de forma fotorrealista?"
O funcionamento é simples. O usuário tira seis selfies em diferentes ângulos e duas fotos de corpo inteiro. O app processa as imagens em cerca de dez a quinze minutos e gera um avatar digital. Com ele pronto, é possível experimentar peças de marcas de luxo, montar looks, comparar combinações e comprar diretamente pelo aplicativo. Também é possível colar links de peças de fora do app para ver como ficam no avatar. A plataforma funciona ainda como uma rede social, onde é possível compartilhar looks com amigos.
Doji: aplicativo usa inteligência artificial para que usuários provem roupas de grifes (Divulgação)
O que diferencia o Doji de outros provadores virtuais é o nível de realismo do avatar e a velocidade com que o app incorpora referências do momento. Peças que apareceram no tapete vermelho do Met Gala estavam disponíveis para teste horas depois do evento. O aplicativo já está disponível em mais de 80 países, ainda em acesso por convite. A startup captou US$ 14 milhões numa rodada semente liderada pela Thrive Capital, com participação da Seven Seven Six, fundo de Alexis Ohanian, cofundador do Reddit. O capital será usado para melhorar os modelos de IA, expandir o realismo dos avatares e integrar a funcionalidade de compra dentro do próprio app.
A comparação mais recorrente nas redes é com o computador de Cher Horowitz em As Patricinhas de Beverly Hills, que combinava roupas em uma versão digital da personagem. A referência não é nova no setor: Amazon e Google tentam tornar os provadores virtuais funcionais há anos. Arezzo e Zara também já testam recursos similares em seus próprios aplicativos. Mas o Doji aposta numa experiência mais próxima do styling do que do e-commerce, com foco em identidade visual e exploração de estilo antes da decisão de compra. "Moda é para ser divertida. Mas em algum momento, comprar roupas online se tornou mais cansativo do que empolgante", disse Dargan no anúncio da rodada de investimento. "Acreditamos que existe uma forma melhor, que celebra a criatividade e a autoexpressão."
O app também levanta questões. Especialistas apontam que a experiência pode gerar uma falsa sensação de posse, já que o usuário vê a peça no próprio corpo sem tê-la de fato. Há também o debate sobre distorção de imagem: o avatar, por mais realista que seja, é uma versão digital editada. Em testes realizados pelo TechCrunch, o avatar apareceu mais alto e mais magro do que o usuário real. O próprio Doji reconhece o problema e oferece a opção de retreinar o avatar com um novo conjunto de fotos caso o resultado não agrade. Até o momento, ainda não há uma versão em português do app.
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