Dólar avança com petróleo em alta e sem expectativa de cortes de juros nos EUA
O dólar à vista voltou a operar em alta nesta quinta-feira, 19, em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e à disparada dos preços do petróleo, movimento que eleva a aversão ao risco global.
Após ter fechado a véspera com avanço de 0,90%, cotado a R$ 5,2457, a moeda americana abriu o dia em nova alta frente ao real. Perto das 11h, a divisa subia 0,35%, a R$ 5,265, depois de ter atingido a máxima de R$ 5,314 ao longo da manhã. Apesar de ter perdido força em relação ao pico do dia, o câmbio segue pressionado.
O movimento acompanha a disparada dos preços do petróleo no mercado internacional, que intensifica a busca por ativos considerados mais seguros.
Os contratos do petróleo registravam forte alta, com o Brent subindo 5,08%, a US$ 112,82 o barril, enquanto o WTI avançava 0,91%, a US$ 97,20, no mesmo horário. A valorização ocorre em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio, após o Irã manter ataques contra instalações energéticas na região do Golfo, mesmo após apelos por moderação por parte dos Estados Unidos.
Segundo autoridades iranianas, a resposta de Teerã aos ataques israelenses ainda está em andamento, ampliando as incertezas sobre a duração e a intensidade do conflito, que já se aproxima da terceira semana sem perspectiva de cessar-fogo. Os danos a infraestruturas estratégicas de petróleo e gás elevam os temores de interrupções no fornecimento global de energia.
Na avaliação de Marianna Costa, economista da Mirae Asset, o cenário global pressiona os mercados nesta quinta-feira. "A sessão começa com forte queda dos principais índices acionários, impactados pela escalada das tensões no Oriente Médio, que elevaram os preços de energia e reduziram o apetite por risco", afirma.
Ela destaca que os contratos do Brent chegaram a se aproximar de US$ 119 por barril durante a madrugada, diante de novos ataques a infraestruturas energéticas, aumentando o receio de interrupções no fluxo global de petróleo e gás.
Mercado não vê espaço para cortes de juros nos EUA
Além do cenário geopolítico, a economista ressalta que os investidores monitoram decisões de política monetária ao redor do mundo. Ontem, o Banco Central americano, o Federal Reserve (Fed) manteve, pela segunda reunião consecutiva, a taxa básica de juros do país no intervalo de 3,50% a 3,75%.
Diante da decisão e da coletiva do presidente do Fed, Jerome Powell, após o comunicado, o mercado passou a reduzir de forma significativa as apostas em cortes de juros nos Estados Unidos em 2026, dado o tom cauteloso em relação à inflação.
De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, que acompanha as expectativas a partir dos contratos futuros de Fed funds, os investidores agora atribuem 74,4% de probabilidade de que não haja qualquer afrouxamento monetário no país neste. O total representa um salto relevante frente aos 47,1% registrados no dia anterior.
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