Dólar dispara com Irã, ultrapassa os R$ 5,20 e reduz perdas no ano
O dólar ampliou a alta frente ao real nesta segunda-feira, 2, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio após ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra o Irã no fim de semana, que culminaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
Às 11h04, a moeda americana avançava 1,40%, cotada a R$ 5,207 — maior nível desde a sessão de 19 de fevereiro — aprofundando o movimento de recuperação após semanas de queda. Mais cedo, às 9h40, o dólar subia 1,09%, a R$ 5,19.
O movimento é global. No mesmo horário, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas de países desenvolvidos, avançava 0,90%, aos 98,43 pontos, refletindo a busca por proteção em meio ao aumento das tensões geopolíticas.
No sábado, 28, Estados Unidos e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã. Horas depois, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que Khamenei havia sido morto nos bombardeios — informação posteriormente confirmada pelo governo iraniano.
No domingo, 1º, os ataques e retaliações continuaram, ampliando o temor de envolvimento de outros países da região e elevando a incerteza global.
Com a alta desta segunda-feira, a desvalorização do dólar frente ao real no acumulado de 2026, que era de 6,46% até a última sexta-feira, foi reduzida para cerca de 5%. Ainda assim, a moeda segue registrando perdas no ano.
Aumento da aversão ao risco
A expectativa é de aumento da aversão ao risco no curto prazo, cenário que tende a fortalecer o dólar e pressionar ativos de países emergentes. Analistas avaliam que, para o Brasil, o câmbio pode avançar para a faixa entre R$ 5,20 e R$ 5,25 no curto prazo, movimento que pode pressionar os juros futuros e levar a bolsa brasileira a recuar para o intervalo entre 170 mil e 180 mil pontos.
"A gente inicia essa semana com o mercado repercutindo o ataque de Estados Unidos e Israel contra o Irã ao longo desse final de semana e também o reflexo disso nas próximas semanas e meses. Nesse curto prazo, vemos um aumento da aversão a risco, justamente por trazer maior incerteza e imprevisibilidade", afirma Bruno Yamashita, analista de alocação e inteligência da Avenue.
Segundo ele, esse movimento global de cautela tende a impactar negativamente bolsas e moedas emergentes, ao mesmo tempo em que fortalece ativos considerados mais defensivos.
"Isso acaba fortalecendo tanto o dólar quanto o ouro. Ao longo dessa semana e nesse curtíssimo prazo, o mercado tende a ficar mais volátil, com os participantes tentando entender qual será o desenrolar e quais podem ser os próximos impactos, principalmente na cadeia do petróleo", diz o especialista.
Yamashita destaca que o mercado também acompanha possíveis desdobramentos envolvendo a produção iraniana e o estreito de Hormuz, ponto estratégico para o transporte global de petróleo.
"Existem diversos fatores que o mercado vai prestar atenção. A médio e longo prazo, poderíamos ver uma normalização dos preços, mas isso ainda não está em jogo diante dos acontecimentos recentes, que continuam gerando notícias nesta manhã", completa.
A alta desta segunda-feira contrasta com o desempenho recente da moeda. Na sexta-feira, 27, o dólar encerrou a sessão em R$ 5,1340, com leve queda de 0,1%. Com isso, na última semana de fevereiro, a moeda americana acumulou baixa de 2,3%.
Até então, o enfraquecimento do dólar não era um fenômeno restrito ao Brasil. A moeda vinha perdendo espaço como principal ativo de proteção, movimento que favorecia o ouro e outras commodities.
O fluxo estrangeiro na bolsa brasileira já ultrapassava US$ 35 bilhões em 2026, aumentando a oferta de dólares no país e pressionando a cotação para baixo — dinâmica que agora é parcialmente revertida pelo choque geopolítico.
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