Dólar opera perto da mínima em 10 dias com acordo entre EUA e Irã

Por Ana Luiza Serrão 15 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Dólar opera perto da mínima em 10 dias com acordo entre EUA e Irã

O dólar opera próximo das mínimas em dez dias frente às principais moedas globais nesta segunda-feira, 15, à medida que investidores reagem ao acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do escoamento global da commodity.

O movimento ocorre em paralelo à forte queda dos preços de energia. O petróleo Brent recuava mais de 5%, para a faixa de US$ 83 por barril, refletindo a expectativa de normalização do fluxo na região e a redução dos riscos de interrupção da oferta.

Segundo analistas ouvidos pela Reuters, com a diminuição das hostilidades, os investidores passaram a buscar ativos considerados mais arriscados, reduzindo a demanda por ativos, tradicionalmente, vistos como refúgio em momentos de incerteza; caso do dólar.

O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas fortes, incluindo euro, iene e libra esterlina, operava praticamente estável em 99,52 pontos. Apesar da pouca variação no dia, o indicador permanecia próximo do menor nível desde 5 de junho.

Ainda há incerteza

Por outro lado, os investidores evitam assumir que o avanço diplomático resolverá todos os problemas da região, segundo o chefe de pesquisa macroeconômica da Monex Europe, Nick Rees.

"Há muito espaço para decepções aqui", afirmou à Reuters. "O ponto crucial é que ainda não ouvimos nada sobre a questão nuclear. Se isso avançar nos próximos dias, então poderemos ser um pouco mais construtivos."

"Sem um acordo nuclear, não podemos simplesmente assumir que qualquer acordo vai se sustentar. Estamos cautelosamente otimistas, mas isso justifica uma reação relativamente pequena no mercado de câmbio", acrescentou.

Euro e libra avançam

Enquanto o dólar perdia força, moedas europeias registravam ganhos. O euro subia 0,32%, para US$ 1,1605, enquanto a libra esterlina avançava 0,16%, para US$ 1,3428.

Já o iene japonês apresentava pouca oscilação, a 160 por dólar. Segundo a Reuters, o patamar é considerado sensível pelos investidores por aumentar as especulações sobre uma eventual intervenção das autoridades japonesas no mercado de câmbio.

Bancos centrais

Federal Reserve (Fed), Banco do Japão, Banco da Inglaterra e Banco da Reserva da Austrália divulgam suas decisões de juros nos próximos dias. A expectativa predominante é que o Fed mantenha a taxa básica americana na faixa atual de 3,5% a 3,75% na reunião de quarta-feira, 17.

O foco, porém, estará na comunicação da autoridade monetária e nas sinalizações do presidente Kevin Warsh sobre os próximos passos da política monetária. A forte correção do petróleo ajudou a reduzir as apostas em novas altas de juros nos EUA.

Dados do CME FedWatch mostram que os investidores agora atribuem cerca de 50% de probabilidade para um aumento de juros em dezembro, abaixo dos mais de 70% registrados uma semana atrás, de acordo com dados da Reuters.

"Não há dúvida de que os banqueiros centrais respiram aliviados, pelo menos por enquanto, ao ver que os riscos de alta para a inflação estão diminuindo e deixando de ser o cenário principal", afirmou o estrategista de juros da TD Securities, Prashant Newnaha.

Além da queda do dólar, os mercados globais registravam alta das bolsas e recuo nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries.

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