Dólar vai a R$ 5,08 e chega a menor valor em quase dois anos

Por Rebecca Crepaldi 9 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Dólar vai a R$ 5,08 e chega a menor valor em quase dois anos

O dólar abriu a sessão desta quinta-feira, 9, próximo à estabilidade, mas passou a cair sem um driver claro, explica Bruno Yamashita, Coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue. Às 12h15, a divisa recuava 0,34% cotada a R$ 5,085, menor valor desde maio de 2024.

Uma das coisas que o mercado acompanha hoje é o Índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês), medida de inflação favorita do Federal Reserva (Fed, banco central dos EUA), que mostrou uma variação de preços dentro do esperado, registrando alta de 0,4% e de 2,8% no acumulado em 12 meses.

O núcleo do indicador, que exclui itens mais voláteis, subiu 0,4% ante janeiro e 3% na variação anual, também em linha com as estimativas do consenso de mercado.

“Mas o dado, que não demonstrou grandes variações dos combustíveis, é anterior ao início do conflito, o qual se iniciou no dia 28 de fevereiro. Amanhã, outro indicador de inflação, o CPI, trará os dados de março e tende a capturar o efeito inflacionário do fechamento de Ormuz”, comenta Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.

Mesmo assim, segundo ela, os dados do PCE trazem uma informação valiosa, embora já conhecida: a inflação americana segue bem acima da meta de 2%, antes mesmo de qualquer choque nos combustíveis.

“A inflação subjacente nos EUA segue pegajosa, acima da meta de 2%, mesmo num cenário em que o mercado já precifica o impacto de choques geopolíticos e tarifários ao longo de 2026, e há risco de novos incrementos conforme pressões de custos e salários se mantêm em patamares mais elevados”, explica.

O PCE de fevereiro, então, não reflete totalmente o impacto do fechamento do Estreito de Ormuz, reforçando a ideia de que o Fed ainda atua em um cenário de “inflação residual”, no qual o núcleo já supera a meta antes que os efeitos do petróleo e do frete se espalhem por serviços e manufatura.

Nesse contexto, o CPI de março pode apresentar alta mais expressiva, oferecendo espaço para ajustes no mercado de juros caso mostre aceleração tanto nos preços de bens quanto de serviços, mantendo a pressão sobre o duplo mandato do Fed em um cenário de crescimento moderado e desemprego ainda contido.

Cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos

O mercado também monitora de perto o cessar-fogo entre o Irã e os Estados Unidos. Com informações de que poucas embarcações estão de fato passando pelo Estreito de Ormuz, de onde sai 20% da produção global de petróleo, o preço da matéria-prima volta a subir com força revivendo temores de aumento na inflação global.

O Brent, principal referência internacional, subia 4%, se reaproximando dos US$ 100. O WTI tinha cotação semelhante, com alta de 6%.

O movimento ocorreu após o porta-voz do parlamento iraniano, Mohammed Bagher Ghalibaf, acusar Washington de violar os termos do acordo de cessar-fogo de duas semanas, ao qual o presidente Donald Trump deu aval na última terça-feira à noite.

Entre as violações apontadas por Teerã estavam a negação do direito iraniano ao enriquecimento de urânio, ataques israelenses contínuos no Líbano e a entrada de um drone no espaço aéreo iraniano — sinalizando que o alívio de tensões, comemorado no pregão anterior, pode ser mais frágil do que o esperado.

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