Eco Invest anuncia R$ 13,2 bilhões para Amazônia e lança quinto leilão do programa

Por Lia Rizzo 25 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Eco Invest anuncia R$ 13,2 bilhões para Amazônia e lança quinto leilão do programa

O Governo Federal apresentou nesta segunda-feira, 25, em São Paulo, os resultados do quarto Leilão do Eco Invest Brasil.

O anúncio aconteceu na sede do Banco do Brasil em São Paulo e reuniu o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, a secretária nacional de Bioeconomia, Carina Pimenta, e representantes do Tesouro Nacional e do banco.

Com foco exclusivo na Amazônia Legal, a edição captou R$ 13,2 bilhões para bioindústria, sociobioeconomia, turismo sustentável e infraestrutura regional, com participação expressiva do mercado financeiro, incluindo investidores estrangeiros.

Com os quatro certames realizados desde outubro de 2024, o Eco Invest já mobilizou R$ 127 bilhões no total, consolidando-se como o principal instrumento de financiamento verde do país.

Um leilão orientado pelo plano de bioeconomia

O diferencial do quarto leilão foi sua construção a partir do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), lançado em abril após dois anos de trabalho envolvendo 16 ministérios. Anunciado durante a COP30 em Belém, o leilão traduziu em financiamento as diretrizes estratégicas do plano.

O PNDBio estabelece oito missões e 21 metas , desde agricultura e bioindustrialização até sociobioeconomia. Cada leilão do Eco Invest tem atacado diferentes frentes dessa agenda. "O leilão está intimamente associado ao plano de bioeconomia. Ele endereça os objetivos estratégicos que definimos como prioridades do país", explicou Carina Pimenta.

A secretária destacou ainda que bioeconomia é um tema difuso, que trata do uso de recursos biológicos em vários setores. "Portanto, o plano precisava dizer quais são as prioridades: onde agregar valor, onde investir, quais marcos regulatórios criar", completou Carina, explicando a importância do envolvimento de outros ministérios, como por exemplo o da agricultura.

Infraestrutura como prioridade estratégica

Dos R$ 13,4 bilhões captados, quase R$ 8 bilhões foram direcionados para infraestrutura habilitante, o maior volume da carteira. Os recursos financiarão portos, saneamento, conectividade e energia renovável na Amazônia Legal.

"Para a bioeconomia florescer na Amazônia e se tornar o mainstream da economia da região, precisamos dessa infraestrutura. Essa é uma carência histórica", afirmou Carina Pimenta. A aposta agora é que conectividade energética, logística portuária e saneamento criem as condições para que atividades de floresta em pé ganhem escala.

A sociobioeconomia - voltada para povos e comunidades tradicionais, indígenas e agricultores familiares - recebeu mais de R$ 2 bilhões, superando os 10% mínimos estabelecidos no edital.

O montante inclui recursos para a assistência técnica dos projetos, considerada fundamental para que os investimentos tenham capilaridade e cheguem aos territórios.

O restante da carteira foi distribuído entre bioindústria, com foco em agregação de valor sobre recursos biológicos, e turismo sustentável, reconhecido como produto e serviço oriundo da biodiversidade brasileira.

A economia que se faz com a floresta em pé

O ministro João Paulo Capobianco ponderou que o grande desafio do Brasil é "alavancar a economia da floresta". "A economia que não pressupõe a derrubada, que se faz com a floresta em pé", afirmou. Para ele, o conjunto de ações do quarto leilão cria uma necessária sinergia.

"Como você desenvolve bioeconomia junto a comunidades isoladas sem infraestrutura? Como estimula o turismo sem acesso? Essas ações precisam caminhar juntas. Não há transformação ecológica no Brasil se os povos e comunidades da floresta não compuserem esses investimentos."

Para incorporar essa visão, o quarto leilão adotou uma arquitetura financeira que combina crédito tradicional com instrumentos de redução de risco, um modelo que mescla capital público e privado.

"Não tem outra forma de fazer essa economia se desenvolver se não tivermos essas estratégias. O governo coloca recursos públicos para catalisar e alavancar o investimento privado", explicou a secretária Carina Pimenta.

A participação expressiva do mercado financeiro, incluindo investidores estrangeiros, sinaliza que o setor enxerga viabilidade econômica nos projetos de floresta em pé quando há mitigação de riscos e horizonte de retorno claro.

Quinto leilão mira inovação

Mais cedo, em outra entrevista coletiva para imprensa, foi anunciado também o quinto leilão do Eco Invest. Na próxima edição do certame, em que o governo espera levantar R$ 50 bilhões, a aposta é no fortalecimento da inovação tecnológica e no aumento da competitividade brasileira.

A arquitetura neste caso prevê a criação de seis Fundos de Inovação Eco Invest, cada um com R$ 1,5 bilhão de capital catalítico público, capaz de alavancar até duas vezes em capital privado, totalizando R$ 4,5 bilhões por fundo. Somados, os fundos podem movimentar até R$ 27 bilhões.

Além disso, cada fundo vencedor poderá acessar até R$ 1 bilhão em capital catalítico para crédito corporativo, com alavancagem mínima de três vezes. "Estamos falando de mais R$ 18 bilhões. Então, esse leilão vai ser um dos maiores", detalhou Rogério Ceron, secretário-executivo do Ministério da Fazenda.

Os fundos serão direcionados a cadeias consideradas estratégicas para a nova economia global: fertilizantes verdes, combustíveis verdes avançados (como o SAF, combustível sustentável para aviação), automação e inteligência artificial aplicada à indústria, beneficiamento de minerais críticos, sistemas de baterias e veículos elétricos, química verde, biomateriais e circularidade de resíduos minerais e industriais.

A estrutura também prevê recursos não reembolsáveis para pesquisa aplicada e empreendedorismo de base tecnológica, criando mecanismos para aproximar empresas, universidades, centros de pesquisa, startups e investidores.

Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o quinto leilão pode ajudar o país a ter mais resiliência em um momento de instabilidade global. "Principalmente em um contexto em que conflitos pressionam o mundo por combustíveis, o Brasil é um dos menos afetados. E esse leilão reforça essa posição estratégica", afirmou.

O Eco Invest é integrado ao Plano de Transformação Ecológica e coordenado pelos ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, com 12 bancos credenciados e apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Embaixada do Reino Unido.

Durante a COP30 em Belém, o governo lançou o Monitor Eco Invest Brasil, plataforma pública que acompanha a implementação dos projetos financiados.

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