Eles querem acabar com a compra de autopeças por telefone — e já movimentaram R$ 45 milhões
Oficinas mecânicas e funilarias ainda operam com processos manuais, anotações em papel, telefonemas e trocas desorganizadas de mensagens. No dia a dia, compradores trabalham com poucos fornecedores, repetem pedidos, lidam com respostas incompletas ou demoradas e têm pouca visibilidade sobre estoque, prazos e preços.
Foi a partir dessa dor que a Partsfy surgiu. A empresa centraliza a busca, cotação e compra de autopeças em uma rede de fornecedores. Na prática, conecta centenas de parceiros, gera múltiplas cotações em pouco tempo e avalia não só preço, mas também prazo de entrega e condições comerciais.
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Segundo a empresa, nos últimos 12 meses foram mais de 22 mil veículos cotados, 73 mil peças compradas e R$ 45,6 milhões em transações, com cerca de mil distribuidores e 500 oficinas cadastradas.
Formado em ciência da computação, Marcelo Galli é o fundador da Partsfy. Ele decidiu empreender após anos trabalhando em grandes empresas de tecnologia. "Logo depois de me formar pensei em abrir o próprio negócio, mas achei mais prudente ter alguma experiência antes", afirma.
A ideia surgiu a partir de uma experiência próxima: o pai de um amigo tinha uma oficina de funilaria. Ao observar as dificuldades na compra de peças, identificou uma oportunidade de profissionalizar o processo.
Nos primeiros anos, ele visitou pessoalmente dezenas de distribuidores para formar uma rede mínima de atendimento. A comunicação ainda era feita por rádio e telefone, e a falta de dados estruturados tornava o processo lento e impreciso. "Hoje é claro que o prazo de entrega é tão importante quanto o preço. Naquela época, eu não tinha essa informação", diz.
A Partsfy evoluiu. Com sede em Campinas, no interior paulista, e 22 funcionários, a empresa hoje opera uma plataforma que vai além da cotação. O sistema permite localizar peças, comparar preços, avaliar prazos, analisar condições de pagamento e considerar restrições específicas de cada oficina.
Da plataforma ao serviço completo
Além da tecnologia, a empresa passou a oferecer serviços como cashback e a execução do processo de compra para as oficinas. Essa mudança estratégica, consolidada a partir de 2020, marcou uma nova fase do negócio.
Foi nesse contexto que Davi Souza entrou na empresa. Formado em educação física, ele fez a transição para a área comercial em 2010 e se juntou à companhia em meio à pandemia —período em que o negócio foi diretamente impactado pela crise sanitária, com queda de cerca de 70% na receita.
"Tivemos de reduzir custos e revisar nossa estratégia. Em vez de vender apenas software, passamos a oferecer um serviço integrado, atuando como o próprio comprador das oficinas", afirma. Além de Marcelo e Davi, o quadro societário conta com Thiago Valente, responsável pela arquitetura tecnológica da empresa.
A Partsfy está inserida em um mercado com mais de 100 mil oficinas no Brasil, muitas ainda operando de forma semelhante à de duas décadas atrás. Ao conectar esses estabelecimentos a uma ampla rede de fornecedores, o negócio aumenta a eficiência no processo de compra.
Segundo os sócios, é possível reduzir em até 42% o prazo de entrega das peças e melhorar a margem de lucro das oficinas por meio de negociações em escala.
Em termos financeiros, a empresa registrou receita operacional líquida de R$ 2,5 milhões em 2024, o que garantiu sua entrada no ranking EXAME Negócios em Expansão 2025. No ano passado, fechou com receita de R$ 3,1 milhões. A estratégia recente priorizou a rentabilidade, após anos de crescimento médio de cerca de 30% ao ano. Para 2026, a meta é elevar o lucro em 2,5 vezes.
Entre os diferenciais, os sócios destacam a especialização no setor e a capacidade de resolver o problema de ponta a ponta. A empresa não apenas fornece dados, mas executa o processo, com uma equipe treinada e orientada a gerar resultados concretos para o cliente. Isso inclui desde a escolha de fornecedores até a análise de impacto de cada compra na operação da oficina.
Outro ponto importante é a integração entre tecnologia e pessoas. Embora a plataforma seja o núcleo da operação, o processo ainda exige interação humana qualificada, especialmente em um mercado complexo e pouco padronizado. A empresa investe ainda em integrações com sistemas de gestão e orçamentação já utilizados pelas oficinas, facilitando a adoção.
Próximos passos
O setor de oficinas é composto majoritariamente por negócios familiares, muitos com décadas de atuação, e passa por uma transição geracional. A entrada de novos gestores, geralmente filhos dos proprietários e mais abertos à tecnologia, tende a acelerar a modernização do segmento.
Ao mesmo tempo, a chegada de novas montadoras ao país torna a gestão de peças mais complexa e favorece soluções como a Partsfy, que reduz o tempo de compra e venda e melhora a rentabilidade das oficinas.
Para este ano, os planos incluem o lançamento de novos produtos, com destaque para uma solução de inteligência artificial e linguagem natural. A ideia é permitir que fornecedores vendam peças de forma mais automatizada e eficiente, ampliando o alcance da rede e reduzindo fricções na negociação. A expectativa é lançar um MVP em maio.
O que é o ranking Negócios em Expansão
O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.
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Em 2025, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2024.
São 470 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.
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