Em Portugal, Kevin Warsh evita palpite sobre próximas decisões de juros nos EUA
O novo presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, alertou os investidores para que não esperem pistas ou sinalizações antecipadas sobre os próximos passos da política monetária dos Estados Unidos. Em declarações feitas nesta quarta-feira (1) no fórum do Banco Central Europeu (BCE) em Sintra, Portugal, Warsh reiterou sua forte oposição ao uso do guidance, ferramenta frequentemente utilizada por seus antecessores para balizar as expectativas de Wall Street.
Fim das pistas para o mercado
Segundo o chefe da autoridade monetária norte-americana, os dirigentes de bancos centrais tendem a falar excessivamente em público, o que acaba por gerar ruídos e confundir o mercado financeiro em vez de trazer esclarecimentos. Diante desse cenário, Warsh enfatizou que os participantes do mercado devem focar estritamente na análise independente dos dados econômicos reais para tentar prever as futuras decisões de juros, em vez de buscarem sinalizações implícitas nos discursos oficiais.
A posição rigorosa de Warsh em relação à comunicação institucional ganhou o apoio público da presidente do BCE, Christine Lagarde, presente no mesmo evento. Lagarde declarou que seu maior arrependimento à frente da instituição europeia foi ter se sentido compelida a agir em conformidade com as orientações previamente fornecidas ao mercado, em detrimento de uma avaliação em tempo real dos indicadores econômicos. Ao endossar a visão da colega europeia, Warsh afirmou que "não poderia ter dito melhor".
Defesa da independência e foco na inflação
Essa mudança de postura ocorre pouco mais de um mês após a confirmação de Warsh no cargo. Em sua segunda aparição pública como presidente do Fed, ele reforçou o compromisso com a meta de inflação de 2% e com a estabilidade de preços, assegurando que a instituição manterá sua independência blindada contra eventuais pressões políticas da Casa Branca.
O dirigente ponderou que as expectativas e os riscos inflacionários arrefeceram ao longo do último mês. Contudo, ele manteve um tom austero ao frisar que aqueles que apostavam em uma tolerância maior do Fed com índices elevados de preços ficariam desapontados.
Silêncio sobre os próximos passos
Fiel à sua filosofia de evitar comentários antecipados, Warsh absteve-se de dar indicações sobre o rumo das taxas na reunião de julho. Ele também se recusou a rotular o recente salto inflacionário de maio — que atingiu 4,2% sob o impacto do conflito geopolítico com o Irã — como temporário.
"Nos reunimos em quatro semanas", declarou Warsh, projetando um debate interno intenso entre os membros do comitê de política monetária. "Entramos naquela sala e fechamos a porta. Teremos um bom debate — mas não tenho muito mais do que isso para vocês".
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