Embalixo descarta escala 6x1 e irá apostar em um novo produto de limpeza
A discussão sobre jornada de trabalho no Brasil tem ganhado força nos últimos meses, especialmente em setores industriais e de serviços. Em uma fábrica no interior de São Paulo, a decisão foi antecipar esse movimento.
A Embalixo, fabricante de sacos para lixo fundada em Campinas e hoje instalada em Hortolândia, São Paulo, decidiu descartar a escala 6x1 para os profissionais que trabalham na operação.
A mudança foi implementada em novembro do ano passado e já começa a mostrar resultados, segundo o CEO.
“Antes trabalhávamos 44 horas semanais em dois turnos. Passamos para uma jornada de 36,2 horas, com três turnos. No começo exige adaptação, mas hoje já vemos ganho de produtividade e mais satisfação das equipes”, diz Rafael Costa, CEO da Embalixo.
Com a nova escala, os funcionários trabalham de segunda a sexta-feira e têm os fins de semana livres. Dependendo do turno, também passam a ter metade do dia disponível para atividades pessoais, como estudo, cuidados com a família ou descanso.
“Hoje, quem trabalha no primeiro turno tem a tarde livre. Quem está no segundo tem a manhã disponível. Isso dá mais liberdade para resolver a vida pessoal. Quando a pessoa chega para trabalhar, chega com a mente mais descansada”, afirma.
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Mais empregos com jornada menor
A redução da jornada exigiu ajustes na operação. Para manter a produção, a empresa reorganizou a fábrica e ampliou o número de turnos.
Com isso, 110 novas vagas foram abertas desde novembro, processo de contratação que ainda está em andamento.
“Como mudamos para três turnos e a empresa está em expansão, precisamos contratar mais pessoas. Ainda temos vagas abertas e seguimos contratando semanalmente”, diz Costa.
Hoje, a unidade de Hortolândia reúne cerca de 470 trabalhadores na operação fabril e logística. Considerando áreas administrativas e equipes externas, o grupo ultrapassa 700 funcionários.
Segundo o executivo, a nova jornada também tem ajudado na atração de candidatos em um mercado de trabalho mais competitivo.
“Essa escala virou um diferencial. As pessoas buscam mais qualidade de vida e isso acaba sendo um atrativo para novos funcionários.”
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Reduzir faltas e rotatividade
Além de melhorar o bem-estar dos funcionários, a empresa buscava resolver problemas práticos da rotina industrial, como faltas e rotatividade.
“Antes muitas faltas aconteciam porque as pessoas precisavam resolver questões pessoais, ir ao médico ou cuidar da família. Com mais tempo livre durante a semana, isso diminui”, afirma Costa.
Segundo ele, o impacto aparece também no desempenho das equipes.
“O funcionário consegue organizar melhor a vida e, quando está na empresa, está focado. Só isso já acaba aumentando a produtividade,” afirma.
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De empresa familiar a indústria de R$ 400 milhões
A Embalixo nasceu como uma empresa familiar. A marca foi criada em 2002 por João Batista Costa, pai do atual CEO, mas a produção começou oficialmente em 2004.
No início, a empresa operava com uma única máquina em um galpão de 500 metros quadrados. Hoje, está instalada em um complexo industrial de 140 mil metros quadrados em Hortolândia.
O negócio cresceu apostando em inovação em um produto considerado básico do cotidiano.
“Saco para lixo era visto como commodity. Desde o início buscamos inovar, com produtos antibacterianos, bloqueadores de odores e linhas sustentáveis”, afirma Costa.
Durante a pandemia, a empresa desenvolveu com pesquisadores da Unicamp um plástico antiviral. Mais recentemente, lançou a linha Embalixo Oceano, feita com plástico retirado do litoral paulista em parceria com cooperativas de reciclagem e o Projeto Tamar.
Expansão para novas categorias
A companhia faturou cerca de R$ 400 milhões em 2025, com crescimento de 12% frente ao ano anterior. Para 2026, o plano é acelerar o ritmo no Brasil.
“O potencial de crescimento do setor ainda é grande no Brasil. Muitos consumidores ainda utilizam sacolas de supermercado para descartar lixo doméstico, o que mostra que a categoria de sacos específicos para resíduos ainda pode se expandir”, afirma.
A companhia também está sendo preparada para entrar no segundo semestre deste ano em novas categorias de limpeza, como vassouras, aproveitando a força da marca no varejo.
“Vamos usar a mesma estrutura industrial, com novas máquinas. A marca já é conhecida e queremos ampliar o portfólio”, diz o CEO.
Com a expansão, a empresa projeta crescimento entre 22% e 25% neste ano.
Entrar no mercado internacional também faz parte dos planos do CEO. No longo prazo, a companhia também estuda a possibilidade de abrir uma fábrica nos Estados Unidos.
“O mercado americano é o maior do mundo para esse tipo de produto. Ainda estamos analisando, mas vemos oportunidades, porque temos tecnologias que eles ainda não utilizam.”
Enquanto isso, no Brasil, a estratégia passa por combinar inovação com mudanças na gestão de pessoas, incluindo a nova jornada de trabalho.
“Apesar de sermos uma indústria de saco para lixo, gostamos de pensar que vendemos tecnologia. E inovação também passa por cuidar das pessoas que fazem a empresa acontecer.”
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