Emirados Árabes anunciam saída da Opep e Opep+ após mais de 50 anos
Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram nesta terça-feira, 28, sua saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e da aliança OPEP+, com efeito a partir de 1º de maio de 2026, informou a agência de notícias oficial dos Emirados, WAM.
O país citou "distúrbios no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz" para justificar a saída.
A agência afirmou que essa decisão é motivada "por interesses nacionais e pelo compromisso do país de contribuir ativamente para atender às necessidades urgentes do mercado, especialmente considerando a atual volatilidade geopolítica de curto prazo decorrente dos distúrbios no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, que estão afetando a dinâmica da oferta".
A agência também afirmou que "as tendências fundamentais indicam um crescimento contínuo da demanda global de energia no médio e longo prazo" e argumentou que "a estabilidade do sistema energético global depende da disponibilidade de suprimentos flexíveis, confiáveis e acessíveis".
A saída dos Emirados Árabes Unidos ocorre em um momento em que a produção da OPEP caiu quase 8 milhões de barris por dia (mbd) em março, 27,5% a menos do que em fevereiro, devido à Guerra Irã-Iraque e ao bloqueio do Estreito de Ormuz, que afetou principalmente o Iraque e os países do Golfo Pérsico.
O ministro de Energia e Infraestrutura do país, Suhail bin Mohammed Al Mazrouei, argumentou que a saída da OPEP "reflete uma evolução política alinhada com os fundamentos de longo prazo do mercado".
Os Emirados Árabes Unidos ingressaram na OPEP em 1967, por meio do Emirado de Abu Dhabi, e mantiveram sua participação após a criação do país em 1971.
"Ao longo desse período, o país desempenhou um papel ativo no apoio à estabilidade do mercado global de petróleo e no fomento do diálogo entre os países produtores", afirmou a agência de notícias WAM.
Ele enfatizou que os Emirados Árabes Unidos "são um produtor confiável de alguns dos óleos mais competitivos em termos de preço e com menor intensidade de carbono do mundo, contribuindo para o crescimento global e a redução das emissões".
Contudo, ele afirmou que, "após sua saída da OPEP, os Emirados Árabes Unidos continuarão a desempenhar seu papel responsável, aumentando a produção de forma gradual e prudente" e continuarão "colaborando com seus parceiros para desenvolver recursos".
Ele enfatizou que "essa decisão não altera o compromisso dos Emirados Árabes Unidos com a estabilidade do mercado global nem sua abordagem baseada na cooperação com produtores e consumidores".
Os Emirados Árabes Unidos também expressaram "sua gratidão" pelos esforços da OPEP e da aliança OPEP+, liderada pela Arábia Saudita e pela Rússia, mas ressaltaram que "chegou a hora de concentrar esforços nos interesses nacionais dos Emirados Árabes Unidos".
"Os Emirados Árabes Unidos continuarão a investir em toda a cadeia de valor da energia, incluindo petróleo e gás, energias renováveis e soluções de baixo carbono, para fortalecer a resiliência e a transformação a longo prazo do seu sistema energético", concluiu o comunicado.
A decisão dos Emirados Árabes Unidos surge num momento de tensão com os seus vizinhos árabes no Golfo Pérsico, a quem acusam de não coordenarem a sua resposta aos ataques iranianos à infraestrutura energética rica em petróleo da região.
Seguem-se também as críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, à OPEP, à qual acusa de inflacionar os preços do petróleo.
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