Empresas chinesas dão presentes a usuários para convencê-los a usar sua IA

Por Matheus Gonçalves 11 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Empresas chinesas dão presentes a usuários para convencê-los a usar sua IA

Durante o Ano Novo chinês, a troca de presentes é costumeira. Em uma campanha promocional durante as festividades que abriram o ano do cavalo, gigantes do setor de IA da China adotaram as tradições em uma abordagem pouco convencional: distribuindo dinheiro e até mesmo carros luxuosos no que ficou conhecido como “A Guerra dos Hongbao”, em referência aos tradicionais envelopes vermelhos chineses do mesmo nome, trocados como presentes nessa época do ano.

Entre os nomes, está a ByteDance, dona do TikTok, que para promover seu modelo de inteligência artificial Doubao AI, distribuiu um total de 100.000 prêmios – não 100.000 dólares, mas sim 100.000 itens – inclusive carros de luxo. Além disso, pacotes valendo 8.888 yuans, um pouco mais de 6,600 reais, também faziam parte das promoções.

Outros titãs, como Baidu, Tencent, e Alibaba ofereceram prêmios em dinheiro ainda maiores, com alguns batendo os 10.000 yuan, ou cerca de 7,400 reais, junto de diversos brindes como vouchers e uma variedade de equipamentos de alta tecnologia, totalmente sem custo – o Baidu, equivalente chinês do Google, alocou para a campanha de promoção do seu chatbot Ernie 500 milhões de yuans.

A Tencent, dona de empresas como a Riot Games, que desenvolve o jogo League of Legends, dobrou suas apostas para seu modelo Yuanbao, investindo 1 bilhão de yuans. Mas a coroa vai para a gigante do e-commerce Alibaba, que investiu 3 bilhões de yuans, ou cerca de 2,2 bilhões de reais, na promoção de seu produto, Qwen, que viu um tráfego tão grande que a empresa admitiu ter que “urgentemente adicionar mais recursos” para receber os usuários adicionais.

Rivalidade entre gigantes desaponta acionistas, engenheiros e o governo

Por mais que dinheiro e prêmios aparentemente sem compromisso tenham sido bem recebidos pela população, sentimento refletido pelo drástico aumento em usuários de todas essas plataformas, acionistas que compraram ações nessas companhias não ficaram tão contentes com a rivalidade. A preocupação entre eles é que a maratona de investimentos ainda não tenha fornecido evidências de um retorno sólido. Ao invés disso, desde o começo da Guerra dos Hongbao, as ações da Alibaba, o maior investidor nessa corrida, caíram cerca de 30%.

Além disso, a intensa rivalidade e a necessidade de melhorar exponencialmente os serviços estão causando rixas nos níveis altos dessas empresas. Apenas na semana passada, um dia após o fim das campanhas promocionais, o engenheiro-chefe por trás do Qwen, produto do Alibaba, se demitiu.

Por fim, o próprio governo levantou uma sobrancelha em relação à campanha. Recentemente, órgãos reguladores expressaram desapontamento com a guerra de subsídios no setor de delivery de comida e estão igualmente insatisfeitos com a batalha entre gigantes da IA.

Autoridades chinesas têm demonstrado crescente desconfiança em relação a serviços de internet voltados diretamente ao consumidor, ao mesmo tempo em que incentivam empresas de tecnologia a direcionar investimentos para prioridades estratégicas do país, como a produção nacional de semicondutores.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: