Enjoo de movimento: por que algumas pessoas passam mal e outras não?
O enjoo de movimento, também conhecido como cinetose, ocorre quando o cérebro recebe informações contraditórias sobre o movimento do corpo. A explicação é da médica Kristen K. Steenerson, especialista em distúrbios do equilíbrio da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.
Em entrevista à Popular Science, Steenerson destaca que o problema surge quando os sinais enviados pelos olhos, ouvido interno e sensores corporais não estão em sintonia. Essa diferença na interpretação do movimento pode provocar sintomas como náusea, tontura, suor frio e, em alguns casos, vômito.
O enjoo pode aparecer em diferentes situações, como viagens de carro, barco, avião ou trem, além de brinquedos de parques de diversão e ambientes com movimento intenso.
O que causa o enjoo de movimento
Para manter o equilíbrio, o corpo depende da integração de três sistemas sensoriais: a visão, o ouvido interno e a propriocepção, que é a capacidade do corpo de perceber a posição das articulações, músculos e movimentos.
Segundo Steenerson, o cérebro combina essas informações para formar uma percepção única de movimento. Quando os sinais chegam de forma sincronizada, o corpo interpreta corretamente o deslocamento.
O problema surge quando há divergência entre esses estímulos. Um exemplo comum ocorre quando o corpo sente o movimento de um veículo, mas os olhos não percebem deslocamento, como ao ler dentro do carro. Esse conflito sensorial pode desencadear o enjoo.
Alguns pesquisadores sugerem que essa reação pode ter origem evolutiva. Nessa hipótese, o cérebro interpreta a confusão sensorial como um possível sinal de intoxicação e ativa mecanismos de defesa, como náusea e vômito.
Quem tem mais chance de sentir enjoo?
O enjoo de movimento é relativamente comum. Estudos indicam que cerca de uma em cada três pessoas apresenta maior sensibilidade ao problema.
Diversos fatores podem influenciar essa predisposição. A genética desempenha papel importante e pode explicar grande parte da variação na suscetibilidade entre indivíduos. A idade também interfere: crianças entre sete e 12 anos costumam ser mais sensíveis ao movimento, enquanto adultos tendem a apresentar menor incidência.
Alterações hormonais também podem aumentar a vulnerabilidade, motivo pelo qual mulheres grávidas ou em determinados períodos do ciclo hormonal podem sentir sintomas com maior frequência. Pessoas com enxaqueca ou ansiedade também apresentam maior risco de desenvolver cinetose.
O que ajuda a reduzir o enjoo em viagens?
Algumas medidas simples podem ajudar a diminuir o desconforto durante deslocamentos. Entre as recomendações apontadas pela pesquisadora estão:
Outras medidas simples, como buscar ventilação adequada e ar fresco, também podem ajudar a reduzir o desconforto durante o deslocamento.
O cérebro pode se adaptar ao movimento
Com a exposição repetida ao movimento, algumas pessoas desenvolvem maior tolerância ao deslocamento. Esse processo é conhecido como habituação.
Na avaliação de Steenerson, o cérebro pode aprender gradualmente a interpretar melhor os estímulos sensoriais associados ao movimento. Por isso, pessoas que viajam com frequência ou trabalham em ambientes com deslocamento constante tendem a apresentar redução dos sintomas ao longo do tempo.
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