Epidemia de ebola: tudo que sabemos sobre casos da doença no Congo
Uma epidemia de ebola foi declarada na sexta-feira, 15, na República Democrática do Congo (RDC), levando a Organização Mundial da Saúde (OMS) a emitir uma emergência sanitária internacional diante da rápida evolução dos casos e do número de mortes.
Ebola já provocou ao menos 91 mortes no país, segundo autoridades congolesas, que também registram cerca de 350 casos suspeitos. A maioria dos infectados tem entre 20 e 39 anos, com predominância feminina.
Os dados ainda são preliminares, já que poucas amostras foram confirmadas em laboratório, e os números se baseiam principalmente em casos suspeitos.
O surto tem epicentro na província de Ituri, no nordeste da RDC, região de forte atividade mineradora e marcada por deslocamentos constantes de população. A área também enfrenta conflitos armados, o que dificulta o acesso de equipes de saúde.
Segundo autoridades sanitárias, a infecção já ultrapassou fronteiras, com registros de mortes em Uganda associados a pessoas que viajaram a partir da RDC.
Risco regional e alerta da OMS
A Agência de Saúde da União Africana classificou como alto o risco de disseminação para países vizinhos da África Oriental. A OMS ativou o segundo nível mais alto de alerta internacional para conter o avanço do surto.
O cenário preocupa autoridades devido à mobilidade populacional na região e à dificuldade de rastreamento dos casos.
O surto atual é causado pela cepa Bundibugyo do ebola, para a qual não há vacina nem tratamento específico. As vacinas disponíveis são eficazes apenas contra a cepa Zaire, responsável por grandes epidemias anteriores.
As medidas de contenção dependem de isolamento de casos, rastreamento de contatos e prevenção comunitária.
Histórico e velocidade de propagação
A RDC já enfrentou diversas epidemias de ebola e possui experiência no controle da doença, mas especialistas alertam que o atual surto pode se espalhar rapidamente devido à densidade populacional da região afetada.
O país registra sua 17ª epidemia da doença, que já causou mais de 15 mil mortes na África ao longo das últimas cinco décadas.
As investigações apontam que o primeiro caso identificado foi de um profissional de saúde em Bunia, com possível origem em uma área rural próxima.
A demora na identificação do surto é atribuída, em parte, à desconfiança da população e à crença inicial de que se tratava de “bruxaria”, o que levou pacientes a buscarem centros religiosos em vez de hospitais.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: