Equador impõe tarifas de 100% a Colômbia e agrava guerra comercial

Por EFE 3 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Equador impõe tarifas de 100% a Colômbia e agrava guerra comercial

As tarifas de 100% impostas pelo Equador às importações colombianas entraram em vigor na última meia-noite, o que agrava a guerra comercial iniciada em fevereiro pelo presidente Daniel Noboa, sob o argumento de que o país vizinho não faz o suficiente para enfrentar o narcotráfico e o crime organizado na fronteira comum.

A medida se aplica às mercadorias provenientes ou originárias da Colômbia, com algumas exceções, como importações de petróleo e de geração de energia e afins, entre outras, segundo detalha uma resolução emitida pelo Serviço Nacional de Alfândega do Equador (Senae) no último dia 9 de abril.

Empresários, exportadores e trabalhadores da fronteira rejeitaram o aumento das tarifas e pediram aos presidentes de ambos os países que se sentem para conversar a fim de encontrar soluções que contribuam para a segurança, sem causar mais impactos do que os já provocados, segundo eles, pelas taxas de 30% a 50%.

Em janeiro, o presidente Noboa anunciou que, a partir de 1º de fevereiro, entraria em vigor uma "taxa de segurança" de 30% sobre as importações colombianas até que "exista um compromisso real" de Bogotá para enfrentar o narcotráfico e a mineração ilegal na fronteira.

A Colômbia respondeu com uma medida semelhante, cortou a interconexão elétrica com o Equador e fechou sua fronteira terrestre para a entrada de vários produtos equatorianos, como arroz e banana.

Um mês depois, o governo equatoriano informou que a taxa subiria para 100% a partir desta sexta "após constatar a falta de implementação de medidas concretas em matéria de segurança fronteiriça por parte da Colômbia".

A guerra comercial também tem sido marcada por acusações mútuas entre Noboa e o presidente colombiano, Gustavo Petro, o que levou os governos a convocarem seus embaixadores para consultas.

No início de março, militares equatorianos bombardearam supostos acampamentos de facções criminosas na fronteira com a Colômbia com o apoio dos Estados Unidos.

Uma dessas bombas apareceu em um campo de cultivo de coca na Colômbia, um incidente que foi resolvido após se determinar que o artefato havia ricocheteado no território vizinho sem chegar a detonar.

A relação bilateral voltou a ficar tensa quando Petro insistiu em chamar o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, preso e condenado por corrupção, de "preso político".

Posteriormente, Noboa o acusou de ter se relacionado com pessoas próximas ao narcotraficante José Adolfo Macías ('Fito'), líder de Los Choneros, a facção criminosa mais antiga do Equador, durante sua estadia de dois dias na cidade costeira de Manta em 2025, após comparecer a Quito para a posse do presidente equatoriano, algo que o mandatário colombiano nega.

O último episódio ocorreu na última quarta, quando Noboa apontou Petro como responsável por ter impulsionado uma suposta incursão de guerrilheiros colombianos em território equatoriano, e o presidente colombiano lhe disse para "deixar de acreditar em mentiras" e propôs um encontro na fronteira comum para "construir a paz".

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