Esposa do primeiro-ministro da Espanha será julgada por corrupção
A Justiça da Espanha determinou que Begoña Gómez, esposa do primeiro-ministro Pedro Sánchez, seja julgada em um processo que envolve suspeitas de corrupção, peculato, tráfico de influência e apropriação indébita de fundos. A decisão judicial foi publicada neste sábado, 20.
O juiz responsável pelo caso, Juan Carlos Peinado, ordenou que Gómez entregue seu passaporte e se apresente às autoridades duas vezes por mês até que seja proferido o veredicto. A decisão não estabelece uma data para a realização do julgamento.
Segundo o tribunal, “todos os postos fronteiriços e aeroportos civis e militares” serão informados para impedir que Gómez descumpra a determinação.
Do que Begoña Gómez é acusada?
O caso envolve a criação de uma cátedra na Universidade Complutense de Madri, que Begoña Gómez codirigiu, e o suposto uso de recursos públicos e contatos pessoais para promover interesses privados.
Em abril, o juiz aceitou formalmente a acusação contra a esposa de Sánchez por peculato, tráfico de influência, corrupção e apropriação indébita de fundos.
Na decisão, Peinado escreveu que “a cátedra serviu como um meio de desenvolvimento profissional privado para a pessoa investigada”.
A investigação contra Begoña Gómez começou em abril de 2024, após uma denúncia de um grupo anticorrupção com vínculos com a extrema direita.
Depois que o caso veio a público, Sánchez suspendeu suas obrigações oficiais por alguns dias para refletir se permaneceria ou não no cargo.
Tanto ele quanto Gómez, de 55 anos, rejeitam as acusações e negam qualquer irregularidade. O chefe do governo socialista afirma que o caso faz parte de uma campanha da direita para enfraquecer seu governo minoritário, sustentado por acordos em um Parlamento fragmentado.
PSOE defende inocência de Gómez
O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) reagiu rapidamente à decisão judicial nas redes sociais. Em publicação no X, a legenda defendeu a inocência de Gómez usando a hashtag #YoConBegoña.
“Begoña Gómez é inocente. Há dois anos vem sendo perseguida judicial e politicamente. O que aconteceu hoje é mais um passo, um escândalo democrático insustentável. Eles não vão parar”, publicou o partido.
A decisão aumenta a pressão sobre Pedro Sánchez, que já enfrenta uma série de investigações envolvendo pessoas próximas. O primeiro-ministro lidera um governo minoritário, sustentado por acordos frágeis em um Parlamento fragmentado.
No último mês, uma nova investigação atingiu o entorno do líder socialista: o ex-primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, antecessor de Sánchez e figura próxima a ele, passou a ser investigado por suposto tráfico de influência.
*Com informações da AFP
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