Essa empresa no interior de SP cresceu 241% em cinco anos com "química verde"
Empresa que atua com soluções voltadas ao controle de gases tóxicos e odores industriais, a Dux Grupo registrou crescimento de 241% no faturamento de 2020 para 2025. A companhia atua em um problema crítico — e muitas vezes invisível — da indústria: a emissão de gases tóxicos e compostos que geram odores. Presentes em setores como proteína animal, saneamento, petroquímica, mineração e papel e celulose, esses gases não apenas afetam a qualidade do ar, mas também podem provocar paralisações operacionais, multas ambientais e riscos à saúde de trabalhadores e comunidades do entorno.
Criada em Itupeva, no interior de São Paulo, a Dux foi um dos destaques do ranking Exame Negócios em Expansão 2025 na categoria de empresas que faturam entre R$ 5 milhões e R$ 30 milhões. Em 2024, a companhia registrou receita de R$ 10,1 milhões. Em 2025, o faturamento chegou a R$ 11,5 milhões, um avanço de 14%, com desempenho equilibrado entre as áreas de controle de odores e neutralização de amônia. Para este ano, a expectativa é acelerar ainda mais, com avanço projetado de 78%. O impulso deve vir, principalmente, da vertical de amônia, cuja receita deve crescer cerca de 200% no ano.
A empresa foi fundada há quase 15 anos com o objetivo de desenvolver soluções atóxicas e biodegradáveis para esse tipo de desafio. Desde o início, a proposta era diferente da lógica tradicional da indústria química: em vez de apenas mascarar odores, atuar na neutralização das moléculas e eliminar o problema na origem.
O comando da empresa está nas mãos de Marcelo Spaziani, que assumiu o cargo de CEO em 2021. A relação dele com a companhia, porém, começou antes. “Entrei como sócio investidor e permaneci por cerca de uma década nessa posição, sem atuação direta na gestão”, diz.
Spaziani deixou a IBM há cinco anos, após uma trajetória de 33 anos na multinacional. Na empresa, ele entrou como trainee e chegou ao cargo de vice-presidente responsável pela área de vendas e operações na América Latina. Na Dux, chegou como CEO e sócio majoritário. O fundador Márcio Del Col segue na empresa como COO, ao lado de Bruno Arias (CPO) e André Domingos (CFO).
Como funcionam as soluções da Dux
Quando passou a liderar a operação, Spaziani encontrou uma companhia com base tecnológica consistente, mas ainda concentrada em um nicho específico: a indústria alimentícia, especialmente o setor de frigoríficos.
Nesse segmento, o processamento de proteína animal gera resíduos que liberam gases e odores, criando desafios operacionais e ambientais. A atuação da Dux estava voltada principalmente à neutralização desses odores, com soluções aplicadas em estações de tratamento de efluentes, graxarias e áreas de processamento.
No mesmo período, a empresa desenvolveu e patenteou uma solução voltada à neutralização de amônia. A amônia é um gás tóxico que, quando inalado em altas concentrações, pode provocar problemas respiratórios e outros danos à saúde. A tecnologia atua diretamente na molécula do gás, promovendo sua decomposição e transformando-a em compostos considerados mais seguros, como vapor de água e resíduos biodegradáveis. O processo ocorre em frações de segundo e pode ser aplicado tanto em situações emergenciais quanto de forma preventiva, em dutos e sistemas industriais.
“Quando cheguei à liderança, pensei: por que ficar restrito a um único setor?”, diz o executivo. A partir desse questionamento, a empresa passou a ampliar o alcance das soluções.
Além da indústria alimentícia, a companhia hoje atende setores como saneamento, petroquímica, mineração, fertilizantes, papel e celulose e aterros sanitários. A diversificação também levou à expansão internacional: a Dux está presente em sete países da América Latina e em Portugal. Agora, se prepara para entrar em novos mercados da Europa e da Austrália até o fim deste ano, e nos Estados Unidos em 2027.
A operação, no entanto, segue enxuta. São 31 funcionários diretos na sede em Itupeva, que fica a 74 quilômetros da capital paulista. A base de clientes ultrapassa 100 empresas no Brasil, incluindo grandes grupos industriais.
Reorganização
Na IBM, Spaziani desenvolveu um modelo de gestão baseado na integração de equipes. A ideia deu origem ao conceito de “Time Único”, tema de um livro homônimo publicado em 2025.
Quando assumiu a liderança da Dux, o executivo levou esse modelo para a empresa. A companhia também revisou missão, visão e valores e investiu na profissionalização da área comercial, incluindo o uso de inteligência artificial para prospecção de clientes.
Outra mudança foi a criação de iniciativas voltadas ao bem-estar dos funcionários. A empresa implementou um programa de saúde mental, com acompanhamento profissional e ações de conscientização. Entre as iniciativas estão sessões semanais de meditação guiada, incentivo à prática de atividades físicas e espaços de diálogo entre liderança e equipe.
Ao mesmo tempo, a Dux investe em novas aplicações para sua tecnologia. Um dos projetos em desenvolvimento envolve a redução da emissão de amônia na criação de frangos, com impacto direto na produtividade e na qualidade do produto final.
Segundo Spaziani, testes iniciais indicam aumento no peso das aves e redução de problemas sanitários, com potencial de gerar ganhos para toda a cadeia produtiva.
Outro avanço está na indústria de rendering, com uma solução que melhora a extração de óleo e eleva o teor proteico de farinhas utilizadas em ração animal. “Com a aprovação do Ministério da Agricultura e Pecuária, vamos lançar a solução em breve no mercado brasileiro”, diz o CEO.
O que é o ranking Negócios em Expansão
O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.
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Em 2025, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2024.
São 470 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.
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