Essa seguradora chegou à casa do bilhão. Como? Apostando nos funcionários como donos do negócio
Se você já precisou proteger um negócio, garantir uma operação logística ou até assegurar a continuidade de uma renda, há uma boa chance de ter esbarrado em uma solução da Axa. Presente em mais de 50 países e com origem na França, a seguradora tem no Brasil uma de suas principais apostas de crescimento, e um modelo pouco convencional para sustentar essa expansão.
Em pouco mais de uma década, a operação brasileira saiu de um projeto do zero para um negócio bilionário.
“A AXA está no Brasil desde 2015. Foi um projeto que se iniciou como um greenfield e cresceu porque acreditamos 10 anos atrás que o Brasil é uma potência”, afirma Erika Medici, CEO da companhia no país.
A seguradora Axa atua hoje de ponta a ponta, de seguros para grandes obras e multinacionais até proteção de celulares e renda de trabalhadores informais, passando por pequenas e médias empresas, um dos principais motores de crescimento da companhia no Brasil.
Em 2025 a empresa alcançou R$ 2,3 bilhões em faturamento, com crescimento de dois dígitos ano após ano, e parte relevante desse avanço vem de dentro de casa.
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O programa que virou motor de crescimento
O principal diferencial da AXA no Brasil atende pelo nome de “AXA no Topo”. Na prática, é um modelo que permite que qualquer funcionário (do estagiário ao executivo) proponha novos projetos diretamente ao alto escalão.
“Qualquer pessoa na companhia desenha uma iniciativa, monta um business case e vende sua proposta para o comitê executivo”, diz Medici.
Se aprovado, o projeto recebe investimento e passa a ser liderado pelo próprio autor da ideia.
O resultado é expressivo:
“Dos 2,3 bilhões que a gente fez, em torno de 900 milhões vieram de iniciativas dos nossos funcionários”, afirma a CEO.
Desde a criação do programa, em 2023, já foram mais de 130 iniciativas, com a maior parte implementada.
Mais do que inovação, o modelo cria um senso de pertencimento difícil de replicar.
“É uma forma de todo mundo se sentir responsável por aquilo”, diz Medici.
Cultura: transparência e protagonismo
Por trás do programa, está uma filosofia de gestão baseada em autonomia e comunicação direta.
“Se a notícia é boa, eu vou te dar notícia boa. Se a notícia é ruim, eu vou te dar notícia ruim e a gente vai achar a solução”, afirma a executiva.
Esse modelo ajudou a elevar o engajamento interno a níveis pouco comuns no mercado.
“Saímos de um índice de engajamento de 10 para 92”, diz.
O impacto vai além do clima organizacional. A iniciativa também virou uma ferramenta de identificação de talentos.
“O comitê executivo teve a chance de conhecer talentos e isso acelerou absurdamente o negócio”, afirma.
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Crescer mais rápido - e melhor que o mercado
A cultura interna se conecta diretamente com a estratégia de negócios. Segundo a CEO, a AXA cresce acima da média do setor.
“Todas as minhas linhas crescem a dois dígitos e quase o dobro do mercado”, afirma.
A expectativa é manter o ritmo.
“Vamos continuar crescendo dois dígitos, temos falado muito em 20%”, diz.
Para a executiva, crescer não é suficiente, é preciso crescer com rentabilidade.
“Crescer em faturamento dá pra fazer, mas a gente tem um compromisso de aumentar faturamento e lucro ano após ano”, afirma.
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Do corporativo ao pequeno empreendedor
A estratégia da AXA no Brasil também evoluiu. Se no início o foco estava em grandes empresas, hoje a companhia mira um mercado mais amplo.
“O pequeno e médio empreendedor é uma das minhas alavancas de crescimento”, afirma Medici.
A empresa atua hoje em três frentes:
Nesse último caso, a ideia é ampliar o acesso à proteção financeira.
“Sempre nos questionamos como é que a gente constrói um seguro inclusivo com um ticket médio que seja permissivo para aquela realidade?”, diz.
Tecnologia e prevenção no centro do negócio
Outro pilar da estratégia é o uso de tecnologia para antecipar riscos, e não apenas indenizar perdas.
Um exemplo é a “Torre 360”, que usa inteligência artificial para monitorar motoristas.
“A gente coloca uma câmera dentro do caminhão, que te fala se ele está apresentando sinais de fadiga”, diz.
A lógica é evitar acidentes antes que eles aconteçam.
“O que a gente não quer é que aquele indivíduo sofra e muitas vezes a gente previne o pior”, afirma.
Brasil no centro da estratégia global
Mesmo ainda pequena no tamanho global da companhia, a operação brasileira tem papel estratégico.
“O Brasil lidera como uma das principais locais de expectativa de crescimento para o grupo”, afirma Medici.
Os motivos vão desde o tamanho da população até a baixa penetração de seguros no país.
“É onde tem mais sentido você colocar a tua energia para crescer”, diz.
Um modelo que mistura propósito e resultado
No fim, a combinação de cultura, tecnologia e estratégia de mercado tem sustentado o avanço da AXA no Brasil, com um diferencial: transformar funcionários em protagonistas do negócio.
“Você não consegue evoluir sem uma proteção, o seguro está ali para te dar a capacidade de continuar”, afirma a CEO.
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