Essa startup cresceu 700% ao resolver o maior problema dos chatbots de IA
A Birdie, startup brasileira de inteligência artificial focada em experiência do cliente, quer triplicar de tamanho em 2026 com foco nos Estados Unidos.
A empresa cresceu sete vezes no ano passado e agora acelera a expansão em um mercado mais competitivo e dominado por gigantes de tecnologia e startups de IA.
Esse movimento acontece junto da chegada de Ronaldo Amá como CPTO. O executivo passou por Google Cloud, Looker, SAP, VMware e Snorkel AI, além de ter participado da venda da Looker para o Google por US$ 2,6 bilhões.
Fundada em 2019 entre São Paulo e Palo Alto, a Birdie usa inteligência artificial para organizar dados não estruturados — como ligações, chats, avaliações e mensagens de clientes — e transformá-los em informações acionáveis para áreas de produto, atendimento e operações.
Em bom português, elas resolvem o maior problema de uma chatbot: dá contexto (confiável) de forma acessível e organizada.
Hoje, atende empresas como Nubank, iFood, Stone e XP.
“Depois de décadas ajudando a construir infraestrutura e plataformas de IA, fica claro que ainda existe uma lacuna crítica: contexto”, afirma Amá. “Transformar sinais fragmentados em decisões confiáveis continua sendo o problema mais difícil.”
O próximo passo da startup passa por ampliar a presença nos Estados Unidos, contratar mais engenheiros e integrar sua plataforma aos modelos generativos que dominam o mercado de IA.
Como nasceu a Birdie
O CEO e cofundador Ale Hadade se mudou para Palo Alto em 2018 com a ideia de construir uma empresa global e enxergou uma oportunidade no processamento de linguagem natural, para estruturar dados qualitativos.
A startup lançou o produto em 2020 e começou atendendo grandes empresas americanas, como Microsoft, HP, Samsung e Midea. Segundo Hadade, a Microsoft chegou a levar a solução para operações em 12 países.
No fim de 2022, a empresa decidiu mudar a estratégia. Em vez de atuar de forma ampla, passou a focar nas fintechs brasileiras.
“Fintech normalmente tem muitos clientes, com uma dor muito grande e empresas mais modernas”, afirma Hadade.
O movimento trouxe clientes como Nubank, Neon, XP, PicPay, Creditas e C6. Depois, expadiram por outros setores no Brasil, chegando a empresas como iFood, QuintoAndar e Natura.
O problema que a Birdie quer resolver
Na prática, a Birdie conecta dados de atendimento, CRM, comportamento de clientes e operações para alimentar modelos de IA com informações mais completas sobre cada consumidor.
“Hoje, a maioria dos chatbots é ruim porque falta contexto”, afirma Hadade. “O sistema não sabe quem é o cliente, o histórico dele, o comportamento dele ou o momento da jornada.”
A empresa também faz análises para times de produto. A ideia é transformar reclamações e contatos de clientes em prioridades de desenvolvimento.
Mais recentemente, a integração recente da plataforma com modelos como ChatGPT e Claude tem aumentado o uso da ferramenta pelos clientes.
Brasileiros do Vale do Silício
A chegada de Ronaldo deve contribuir para o crescimento. Formado em ciência da computação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e mestre por Stanford, o executivo vive nos Estados Unidos há 26 anos e participou de oito startups ao longo da carreira. “Construir uma presença global feita por brasileiros tocou muito no meu coração”, afirma.
A contratação também faz parte de uma estratégia da Birdie para atrair engenheiros e executivos mais experientes para a operação nos Estados Unidos. “Quanto mais gente boa você tem numa empresa, mais você consegue atrair grandes talentos”, afirma Hadade. A ideia é ampliar o time técnico e acelerar o desenvolvimento da plataforma de IA nos próximos meses.
Segundo Amá, o mercado de IA vive um momento de mudanças rápidas, em que produtos podem ficar obsoletos em poucos meses. Isso exige velocidade de execução e clareza sobre quais problemas continuam relevantes no longo prazo.
A Birdie afirma ter crescido sete vezes em 2025 e quer triplicar de tamanho neste ano, com foco principal nos Estados Unidos. Segundo a empresa, o Brasil já representa uma operação mais consolidada, enquanto o mercado americano ainda demanda investimentos maiores em crescimento, marketing e tecnologia.
“A gente faz uma coisa hoje e daqui a um mês ela pode ficar obsoleta”, afirma Amá. “Para definir futuro de produto e tecnologia, você precisa de margem larga e execução muito rápida.”
A velocidade se reflete em um cenário mais competitivo nos Estados Unidos, onde há mais empresas de IA disputando mercado e ciclos tecnológicos mais acelerados. “Nos Estados Unidos, existe muito mais competição e muito mais tecnologia sendo desenvolvida ao mesmo tempo”, afirma Hadade.
Mesmo assim, a startup vê vantagem na capacidade de adaptação dos brasileiros em ambientes de instabilidade. “Como brasileiros, aprendemos a trabalhar na instabilidade, e isso pode ser bom em um setor de mudanças rápidas”, afirma Hadade.
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