Esse brechó de camisas do RS quer faturar R$ 15 milhões e abrir bar no RJ até a Copa

Por Guilherme Gonçalves 20 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Esse brechó de camisas do RS quer faturar R$ 15 milhões e abrir bar no RJ até a Copa

O que começou como um blog de venda de camisas de futebol em Porto Alegre, virou uma rede de bares para apaixonados pelo esporte mais popular do Brasil. O Brechó do Futebol, conhecido por misturar restaurantes temáticos e loja de itens retrô, deu início ao seu plano de expansão nacional — com o Rio de Janeiro como primeiro destino.

Em 2025, quando completou 15 anos de existência, a marca faturou R$ 9 milhões, sendo R$ 6,2 milhões com os bares e R$ 2,8 milhões com a venda de camisas. Com a nova operação no Rio e outras duas em Porto Alegre, a meta é quase dobrar a receita dos bares, chegando a R$ 12 milhões, enquanto a loja deve crescer cerca de 15%, para R$ 3,2 milhões.

A intenção dos sócios é inaugurar a loja no Rio de Janeiro até a Copa do Mundo, em junho. O projeto será realizado em parceria com a empresa carioca Kit Club e prevê investimento de cerca de R$ 1,8 milhão.

"Nossas casas em Porto Alegre estão sempre lotadas em dias de jogo. Já não conseguimos comportar todo mundo. O gaúcho gosta muito de futebol, assim como o carioca", diz Otávio Uminski, um dos sócios-fundadores do Brechó do Futebol.

Por que o Rio de Janeiro

A escolha do Rio de Janeiro não é por acaso. Para os empresários, o perfil da cidade — com fluxo constante de turistas e forte cultura ligada ao futebol — oferece um ambiente ideal para o modelo de negócio.

“Nossa ideia é abrir um ponto turístico para o Rio de Janeiro. O público é completamente diferente do de Porto Alegre. Temos turistas o ano inteiro, não faz frio e a cultura de assistir jogos tomando cerveja é muito forte”, afirma Pablo Castro, sócio do Kit Club.

Castro destaca ainda o calendário esportivo como diferencial. “No Rio, temos quatro grandes times. Toda semana tem jogos, além de muitas embaixadas de clubes de fora. Isso fortalece a ideia de trazer o Brechó para cá.”

Neste momento, estão sendo negociados pontos na Barra da Tijuca. O martelo pelo local será batido na próxima semana. As negociações ocorrem com shoppings e lojas de rua. Houve até convite para assumir um espaço no estádio Maracanã, mas a proposta ainda está sendo avaliada.

"Depois do primeiro bar no Rio, queremos abrir outro. É uma cidade enorme e tem público para isso", completa Uminski.

Para onde mais o Brechó quer expandir

Enquanto estrutura a chegada a novos mercados, o Brechó do Futebol ampliará sua presença em Porto Alegre.

Um dos projetos é a “Garagem do Brechó”, novo espaço no bairro Centro Histórico, próximo à loja original. O investimento para adaptar o espaço de um antigo estacionamento é de cerca de R$ 350 mil. A proposta envolve parcerias com marcas e já tem registrado boa adesão do público, mesmo operando ainda de forma improvisada.

A empresa também prepara uma operação temporária durante a Copa do Mundo no shopping Viva Open Mall, onde já administra um outro restaurante temático de futebol.

Em 2027, os sócios do Brechó querem levar sua marca para São Paulo.

Hobby que virou negócio

Fundado em 2010 por Uminski e os amigos Carlos Caloghero e André Damiani, o Brechó do Futebol começou como um blog para venda de camisas. Na época, a internet era um território ainda a ser explorado pelo e-commerce. Quem teve a ideia e lidera hoje este segmento do negócio é Caloghero, que já era colecionador de artigos retrô de futebol.

"Fui aprendendo a vender camisas de time ao longo dos anos. Ninguém me ensinou. O pessoal me procura de todo o país para comprar ou para vender camisas", conta Caloghero.

Meses depois da abertura da loja, o espaço ganhou um bar improvisado.

“No início, só queríamos um lugar para assistir jogos com os amigos. A coisa começou a crescer e o hobby virou negócio. Vimos que poderia ter lucro”, afirma Uminski.

Otávio Uminski e Carlos Caloghero, sócios do Brechó do Futebol: amigos montaram bar junto à loja de brechó. Dezesseis anos depois, negócio começa expansão nacional. (Guilherme Gonçalves/Exame)

Hoje, a marca tem tem três bares em Porto Alegre, uma loja de camisas retrô e um e-commerce próprio.

Moda impulsiona vendas

Parte do crescimento recente está ligado à mudança no perfil do consumidor, diz o sócio Carlos Caloghero. As camisas de futebol deixaram de ser apenas itens de torcida e passaram a ocupar espaço na moda urbana.

“Tivemos o incremento de uma 'gurizadinha' que gosta de moda. A galera acabou incorporando peças de futebol no outfit urbano, o que aumentou muito a procura por material vintage”, afirma Caloghero.

Segundo ele, o comportamento de compra também mudou. “O cara que paga R$ 700 em uma peça nova não se importa de pagar mais de R$ 1 mil em uma peça rara, com autenticidade e que não é feita em série. Temos muitas mulheres comprando também.”

Hoje, a empresa tem cerca de 6 mil peças anunciadas, outras 6 mil em estoque e uma coleção de aproximadamente 1,5 mil itens que não estão à venda — incluindo camisas históricas da seleção brasileira e do Santos Futebol Clube assinadas por Pelé.

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