Esse foi o aprendizado número 1 dessa executiva sobre IA: 'Sozinha, ela não faz nada'

Por Gabriella Uota 8 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Esse foi o aprendizado número 1 dessa executiva sobre IA: 'Sozinha, ela não faz nada'

Uma arquiteta de formação, com passagem por um dos maiores bancos do país, e uma inclinação para gestão de pessoas. A combinação, pouco usual, é o que guia a trajetória de Andrea Tiemi.

O ponto de partida foi o canteiro de obras. Fiscalizando projetos, distante das decisões estratégicas, ela identificou um interesse que acabaria orientando sua carreira. “Foi ali que descobri minha paixão por gestão, por coordenar processos e pessoas para fazer algo sair do papel”, diz. Hoje, ocupa a gerência de Produtos e Transformação PJ no Santander Brasil.

A mudança de eixo — da execução técnica para a estratégia — não se deu por ruptura, mas por acúmulo. Ao longo de mais de uma década, Andréa passou por funções que combinavam planejamento, estruturação de negócios e liderança de projetos, sempre com atenção a processos e à forma como as organizações operam.

Arquiteta vira líder no Santander e usa dados e IA com visão crítica para decisões estratégicas

Desde 2014 no Santander, consolidou esse percurso. Antes, atuou em engenharia, real estate e planejamento estratégico, liderando iniciativas de reestruturação, análise de dados e transformação digital.

“Hoje trabalho com a plataforma de crédito imobiliário PJ, reestruturando processos e integrando dados para apoiar decisões que impactam diretamente a experiência do cliente”, afirma.

Tornar decisões menos opacas

No banco, seu trabalho se concentra em dar forma a estruturas de governança mais previsíveis, ancoradas em dados. “Durante muito tempo, as decisões eram tomadas de forma empírica. Hoje, conseguimos reunir informações que dão mais consistência às escolhas.”

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A inteligência artificial entra nesse contexto como instrumento. Andréa insiste na necessidade de mediação humana, sobretudo quando se trata de decisões estratégicas. “É preciso conhecer o processo, questionar as respostas e entender de onde vêm os dados.”

Para ela, a diferença não está no acesso à tecnologia, mas na forma como ela é interrogada. “Não se trata de confiar cegamente, mas de usar com critério.”

A tecnologia como extensão

A inteligência artificial, na leitura de Andrea, cumpre um papel claro: organizar informações e ampliar conexões. Não substitui o raciocínio.

“A inteligência artificial vai ser, na verdade, uma fonte de informações para conectar outros temas. Ela sozinha não faz nada. Precisa do humano atrás dela, alguém com repertório e criatividade para criatividade para contestar e recriar conexões.”

Essa percepção ganhou densidade durante sua passagem pelo Programa de Inteligência Artificial para C-Levels, CEOs e Conselheiros (PIACC), da Saint Paul, em parceria com a ESMT Berlin.

No módulo internacional, uma pergunta funcionou como ponto de inflexão: “Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?”. A resposta veio imediata. “Era a primeira vez que eu estudava fora do país, longe dos meus filhos, que tinham seis e dois anos”, lembra. “Isso me marcou porque inovação exige exposição ao desconforto.”

A experiência sintetiza a forma como conduz a própria trajetória: menos linear do que parece, mais construída a partir de decisões que ampliam o repertório.

“O curso não se limita à tecnologia. Ele discute riscos, mitigantes e os elementos necessários para decisões mais consistentes.”

Para Andréa, o ganho não está no domínio técnico, mas na capacidade de leitura. “O curso te ensina a ter repertório para decidir, a entender onde investir e como usar dados de forma estratégica. Não é sobre operar uma ferramenta, mas sobre pensar com ela.”

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