Estilo The Sims: Empresa promete casa pronta em 12 meses a preço fechado
A promessa é simples, mas ambiciosa. Entregar uma casa de alto padrão em 12 meses, com preço fechado e economia de 10% frente a imóveis prontos do mesmo tipo. É com esse discurso que a GetHome estreia oficialmente sua plataforma digital de construção no Brasil.
A startup quer resolver duas dores históricas do mercado imobiliário: encontrar o terreno ideal e construir sem surpresas de prazo e orçamento. No modelo tradicional, o cliente negocia lote, arquiteto, construtora e financiamento separadamente e assume o risco de estouro de custo no meio da obra.
Fundada por Vinicius Bozzi Nonato, empreendedor que vendeu uma edtech de ensino superior para a XP, a empresa nasce com foco exclusivo no alto padrão. A tese é que esse segmento concentra liquidez, margem e menor dependência de crédito bancário. A combinação resulta em escala quase certa.
“À medida que o risco sobre o custo é reduzido, o cliente ganha previsibilidade. Isso permite oferecer um preço fechado competitivo, cerca de 10% mais barato do que uma casa semelhante — e ainda com a vantagem de ser totalmente personalizada", afirma à EXAME. O valor das casas oferecidas pela plataforma gira em torno de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões.
É no alto padrão que a empresa enxerga um mercado endereçável de R$ 150 bilhões. Belo Horizonte foi o ponto de partida, mas a sede está hoje em São Paulo, onde a companhia vê maior volume de negócios e terrenos disponíveis. O objetivo é padronizar processos em um setor ainda fragmentado, com forte presença de construtoras regionais e pouca digitalização.
Diferentemente de incorporadoras tradicionais, a GetHome não compra terrenos nem carrega estoque. O modelo é de plataforma, conectando cliente, lote e construtora, enquanto centraliza tecnologia, orçamento, gestão de obra e financiamento.
The Sims da vida real
A proposta da startup é concentrar em uma única plataforma digital etapas que normalmente estão espalhadas entre imobiliárias, arquitetos, engenheiros e construtoras. A ideia é simplificar toda a jornada da construção, desde a escolha do terreno até a entrega das chaves.
O primeiro passo é a busca pelo terreno. Pela plataforma, o usuário consegue encontrar lotes disponíveis de forma totalmente digital. A inteligência artificial identifica a localização exata e permite visualizar o terreno em 3D, com informações de elevação, dimensões e características do relevo. Também é possível acessar análises de preços, verificar terrenos vizinhos disponíveis e agendar visitas diretamente com a imobiliária.
Depois de escolhido o lote, a plataforma apresenta quais projetos de casa são compatíveis com aquele terreno específico. A experiência lembra jogos de simulação como SimCity ou The Sims. O usuário pode caminhar virtualmente pelos ambientes com renderização em tempo real e personalizar diferentes elementos da casa, escolhendo acabamentos, materiais, revestimentos e até o layout dos móveis.
Projeto da Todos Arquitetura: todos os projetos oferecidos pela plataforma são assinados por arquitetos
“A ideia inicial foi imaginar algo como no SimCity: um ambiente em que as pessoas pudessem andar pela casa e escolher as coisas. No fim, ficou mais parecido com o The Sims — inclusive, na época da criação, a inspiração veio muito desse tipo de experiência. É uma jornada em que o cliente desenha a própria casa, percorre os ambientes e personaliza todos os detalhes, escolhendo materiais de acabamento", explica Nonato.
Cada alteração atualiza o orçamento automaticamente. Ao trocar um revestimento ou selecionar um material mais caro, por exemplo, o preço final muda instantaneamente, permitindo que o comprador ajuste as escolhas de acordo com o orçamento disponível. Um único projeto pode gerar mais de um milhão de combinações diferentes, o que permite alto grau de personalização.
Os projetos oferecidos pela plataforma são assinados por arquitetos. A tecnologia entra para resolver a parte mais complexa da engenharia, como adaptar o projeto ao relevo do terreno — seja em aclive ou declive — e calcular automaticamente mais de dois mil parâmetros de precificação e execução.
"O número de combinações é enorme. Em uma única casa, é possível chegar a mais de 1 milhão de combinações. Quando você troca o piso, a parede, a marcenaria ou o layout do móvel, a casa muda completamente, para que cada um dê sua personalidade ao projeto", afirma.
O modelo também busca reduzir a burocracia do processo. O cliente recebe um preço fechado para a obra, que pode ser até 10% menor do que o praticado no modelo tradicional devido à padronização e à eficiência do sistema, segundo o fundador da empresa. O que normalmente levaria entre seis e doze meses em projetos arquitetônicos convencionais pode ser resolvido em poucos cliques, já com a documentação necessária para viabilizar o financiamento bancário.
Depois da contratação, a construção é executada por construtoras locais credenciadas, enquanto a gestão permanece centralizada na plataforma da Get Home. O cliente acompanha o andamento da obra online, com fotos e vídeos atualizados diariamente em um diário de obra digital.
A empresa promete entrega em até 12 meses após a aprovação do projeto. Os pagamentos são feitos de forma mensal e vinculados ao cumprimento das etapas da construção, seguindo o modelo de medição de obra, o que busca trazer mais previsibilidade e segurança financeira ao comprador.
A estratégia de crescimento passa por ampliar o portfólio para 30 modelos de casas até o fim de 2026. Como não imobiliza capital em terrenos, a empresa sustenta que pode crescer com menor necessidade de caixa do que incorporadoras tradicionais.
Entre as tecnologias utilizadas estão reconhecimento de imagens de satélite para mapeamento de lotes, modelos de clusterização regional para precificação e automação do planejamento de obra com análise preditiva de riscos — um avanço impulsionado pelo salto recente de produtividade em softwares de engenharia.
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