Estudo encontra idade em que melanoma se espalha com mais facilidade
Pesquisadores do Fox Chase Cancer Center identificaram um comportamento inesperado do melanoma ao longo do envelhecimento.
Em estudo apresentado na reunião anual da American Association for Cancer Research, a equipe observou que a disseminação do câncer foi menor em camundongos jovens, atingiu seu ponto mais alto em animais de meia-idade e voltou a diminuir nos muito idosos.
Os resultados sugerem que o envelhecimento não afeta o câncer de forma linear, como se imaginava. Segundo os pesquisadores, uma célula do sistema imunológico conhecida como célula T gama-delta pode desempenhar papel decisivo nesse processo.
Nos experimentos, camundongos jovens e muito velhos apresentaram níveis mais elevados dessas células de defesa. Nesses grupos, os tumores tendiam a permanecer dormentes ou a se espalhar de forma menos agressiva. Já os animais de meia-idade tinham menos células T gama-delta e maior probabilidade de desenvolver metástases em órgãos como pulmões e fígado.
Células de melanoma podem enfraquecer sistema imunológico
A pesquisa também mostrou que as próprias células do melanoma conseguem interferir nas defesas do organismo conforme o envelhecimento avança.
Nos camundongos de meia-idade, o câncer liberava moléculas capazes de suprimir ou esgotar as células T gama-delta. Com a proteção reduzida, células cancerosas antes dormentes voltavam a se tornar ativas e a se espalhar pelo organismo.
Para testar a hipótese, os cientistas removeram essas células imunológicas de camundongos jovens e muito idosos. O resultado foi um aumento significativo da disseminação do melanoma.
O efeito oposto também foi observado. Quando os pesquisadores bloquearam os sinais responsáveis por enfraquecer a atividade das células T gama-delta, a proteção foi restaurada e a disseminação do câncer diminuiu nos animais de meia-idade.
Achado pode ajudar a explicar queda de casos em idosos muito avançados
Segundo os autores, a descoberta pode ajudar a esclarecer um fenômeno observado há anos em estudos populacionais: embora o risco de câncer aumente com a idade, ele tende a cair de forma acentuada após os 80 ou 85 anos.
“Queremos explicar o mecanismo pelo qual pacientes muito idosos têm menos câncer, enquanto os de meia-idade têm mais”, afirmou o pesquisador Mitchell Fane, especialista em envelhecimento e câncer e principal autor do estudo.
Os cientistas acreditam que compreender o papel das células T gama-delta pode abrir caminho para novas estratégias de prevenção e tratamento não apenas do melanoma, mas também de outros tipos de câncer.
Pesquisadores apontam limitação comum em estudos com câncer
O trabalho também chamou atenção para um problema frequente na pesquisa oncológica. De acordo com os autores, menos de 10% dos experimentos com camundongos utilizam animais idosos.
A maioria dos estudos é realizada com animais que, em termos de desenvolvimento biológico, equivalem a humanos no início dos 20 anos.
Para os pesquisadores, essa diferença pode ajudar a explicar por que tratamentos promissores em laboratório muitas vezes não apresentam os mesmos resultados em testes clínicos com pessoas.
Para enfrentar esse desafio, Mitchell Fane e o pesquisador Yash Chabra criaram uma instalação dedicada ao estudo de camundongos envelhecidos no Fox Chase Cancer Center.
O objetivo é reduzir custos e acelerar pesquisas que investigam como o envelhecimento influencia o desenvolvimento e a progressão do câncer.
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