Estudo testa nova droga com caneta emagrecedora que preserva músculos
Uma nova combinação de medicamentos para obesidade pode aumentar a perda de gordura enquanto preserva a massa muscular, segundo um estudo publicado na revista científica Nature Medicine. A pesquisa avaliou o uso do bimagrumabe, um medicamento experimental, junto com a semaglutida, princípio ativo de remédios como Ozempic e Wegovy.
Os resultados indicam que a combinação das duas substâncias levou a uma redução média de 22,1% do peso corporal, com 92,8% dessa perda relacionada exclusivamente à gordura, enquanto a massa muscular foi amplamente preservada.
Como funciona o bimagrumabe no organismo
O bimagrumabe é um anticorpo que atua bloqueando a sinalização de um receptor chamado activina, presente no tecido muscular esquelético. Esse receptor está associado à perda de massa muscular, sobretudo durante processos de emagrecimento.
Por atuar nesse mecanismo biológico, o medicamento vem sendo estudado como uma forma de preservar músculos durante tratamentos para perda de peso, especialmente aqueles que utilizam análogos de GLP-1, como a semaglutida.
Esses medicamentos revolucionaram o tratamento da obesidade nos últimos anos, mas especialistas apontam que até 40% do peso perdido pode vir da massa magra, o que inclui músculos.
Resultado da combinação de remédios
O estudo de fase 2 envolveu 507 adultos com obesidade e sem diabetes, que foram divididos em diferentes grupos. Os participantes receberam placebo, diferentes doses de bimagrumabe, semaglutida ou a combinação dos dois medicamentos.
O tratamento teve duração de 72 semanas, aproximadamente um ano e meio. Ao final do período, os resultados mostraram diferenças relevantes entre os grupos:
Já os participantes que utilizaram a combinação dos dois medicamentos registraram perda média de 22,1% do peso.
Além da maior redução de peso, a composição corporal também apresentou diferenças importantes. Entre os participantes que utilizaram apenas semaglutida, 71,8% do peso perdido correspondeu à gordura, enquanto o restante veio de massa magra.
Já no grupo que recebeu apenas bimagrumabe, a perda de peso foi composta 100% por gordura, com aumento de 2,5% na massa muscular.
Nos pacientes que utilizaram a combinação das duas substâncias, 92,8% da redução de peso ocorreu por perda de gordura, enquanto a massa muscular foi preservada.
Segundo os pesquisadores, esse resultado pode representar um avanço no tratamento da obesidade ao reduzir o risco de perda muscular durante o emagrecimento.
Impacto metabólico e inflamação
Os participantes que receberam os dois medicamentos também apresentaram redução de até 83% nos níveis de proteína C reativa de alta sensibilidade (hsCRP), um marcador associado à inflamação e ao risco cardiovascular.
Além disso, foi observado aumento da adiponectina, um hormônio que contribui para melhorar a sensibilidade à insulina e o metabolismo da gordura.
Em um subgrupo de pacientes com pré-diabetes, praticamente todos os participantes que receberam a combinação das drogas apresentaram normalização dos níveis de açúcar no sangue.
Efeitos colaterais observados
Os eventos adversos relatados foram semelhantes aos já conhecidos desses medicamentos. Entre os efeitos associados ao bimagrumabe, os mais comuns foram:
Já a semaglutida foi associada a sintomas como:
Segundo os pesquisadores, os efeitos foram considerados compatíveis com o perfil de segurança já observado em estudos anteriores.
Próximos passos das pesquisas
O bimagrumabe ainda está em fase de desenvolvimento e segue em avaliação nos estudos clínicos necessários antes de uma possível aprovação regulatória.
A substância foi inicialmente desenvolvida pela farmacêutica Novartis, posteriormente adquirida pela Versanis Bio, que foi comprada pela Eli Lilly.
Atualmente, a empresa conduz novos testes que avaliam a combinação do bimagrumabe com tirzepatida, princípio ativo do medicamento Mounjaro, outro tratamento utilizado contra obesidade e diabetes. Os resultados dessas pesquisas devem ser divulgados ainda este ano.
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