Ex-Peixe Urbano cria fintech que processa R$ 9 bilhões ao resolver falha do e-commerce
Cartões recusados sem motivo claro, compras legítimas barradas por sistemas antifraude e uma cadeia de intermediários que nem sempre conversa entre si fazem parte da rotina de quem opera no digital. Em alguns casos, o prejuízo não aparece como fraude, mas como uma venda que simplesmente não acontece.
Foi nesse tipo de falha que Alex Tabor decidiu apostar de novo.
Depois de cofundar a plataforma de compras coletivas Peixe Urbano e viver de perto a explosão (e a ressaca) deste mercado no Brasil, o empreendedor se dedicou a uma proposta menos visível para o consumidor final, mas central para o funcionamento do comércio online.
A Tuna Pagamentos, fintech criada em 2019, nasceu para resolver um problema técnico que impacta diretamente o caixa das empresas.
Na prática, a companhia desenvolve uma camada de tecnologia que organiza e otimiza o processamento de pagamentos online.
Em vez de depender de um único provedor, a plataforma conecta diferentes adquirentes, sistemas antifraude e mecanismos de autenticação, definindo automaticamente qual rota seguir para aumentar a aprovação de transações e reduzir perdas.
“A gente criou não por vontade, mas porque não tinha um produto pronto no mercado”, diz Alex Tabor, CEO da Tuna Pagamentos.
Hoje, a companhia processa cerca de R$ 9 bilhões por ano em pagamentos online, com crescimento de mais de 120% no volume transacionado no último ano. A receita chegou a R$ 34 milhões em 2024, avanço de cerca de 80%.
O problema que virou produto
No Peixe Urbano, um dos maiores desafios não estava na aquisição de clientes nem na oferta de descontos agressivos. Estava no meio do caminho, na hora de fechar a venda.
A empresa operava com diferentes fornecedores de pagamento e ferramentas antifraude, como boa parte do mercado. No início, o modelo funcionou. Com o tempo, começou a falhar.
Havia fraude passando quando não deveria. E, ao mesmo tempo, clientes legítimos sendo barrados.
“Mesmo com antifraude bem calibrado, às vezes você recusa um comprador bom”, afirma Tabor.
Esse segundo ponto, menos visível, costuma ser subestimado, mas é ali que parte relevante da receita se perde.
A saída foi construir uma solução própria. Em vez de depender de um único provedor, a empresa desenvolveu um sistema capaz de testar diferentes caminhos até encontrar o que aprovasse a transação com segurança.
O efeito foi direto no faturamento. Segundo Tabor, a mudança aumentou em cerca de 15% a receita do Peixe Urbano ao reduzir recusas indevidas.
Como funciona a Tuna
A Tuna não disputa espaço com carteiras digitais nem tenta conquistar o consumidor final.
A empresa atua como uma camada de tecnologia que fica entre o e-commerce e os provedores de pagamento. Na prática, funciona como um orquestrador.
A plataforma conecta adquirentes, sistemas antifraude e mecanismos de autenticação em um único ambiente. A partir dali, define automaticamente qual rota seguir para cada transação.
Pode parecer um detalhe técnico, mas é justamente nessa etapa que boa parte da eficiência do comércio online é decidida.
No modelo tradicional, o lojista escolhe um ou dois fornecedores e aceita as limitações de cada um. Na prática, isso significa perder vendas quando um sistema falha ou quando um antifraude é mais conservador do que deveria.
A proposta da Tuna é reduzir essa dependência.
“Você consegue configurar toda essa lógica em um ambiente que não exige programação”, afirma Tabor.
Os planos da fintech
A empresa chegou a 93 clientes corporativos, que juntos operam cerca de 30 mil lojistas dentro de plataformas e marketplaces.
A base inclui desde varejistas até empresas de transporte, ingressos e supermercados. O ponto em comum é o volume relevante de transações online e a necessidade de melhorar taxas de aprovação.
O crescimento, segundo o fundador, não vem de um único movimento.
“Os próprios clientes crescem muito, então a gente cresce nosso volume junto com eles”, diz.
A estratégia agora é ampliar o escopo dentro da mesma dor.
A empresa já lançou, além do orquestrador, um sistema antifraude próprio e uma solução de subadquirência voltada a marketplaces.
Nos próximos meses, prepara novas funcionalidades, como pagamentos por assinatura e ferramentas para recuperação de carrinho abandonado.
A lógica se mantém. Em vez de abrir novas frentes desconectadas, a Tuna avança em etapas diferentes da jornada de pagamento.
Apesar da trajetória internacional de Tabor, a empresa não tem pressa para sair do país.
O Brasil reúne duas características que, segundo Tabor, criam um ambiente difícil de operar e interessante para quem resolve o problema.
“O Brasil é um mercado especialmente desafiador na parte de fraude, mas também muito dinâmico em inovação”, diz.
Por enquanto, a aposta é aprofundar presença em setores específicos, como varejo, transporte e plataformas digitais, antes de olhar para fora.
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