Fafá de Belém lança Fórum Varanda da Amazônia 2026 com foco nas mulheres: 'Somos todas Beléns'
Aos 69 anos, Fafá de Belém continua fazendo o que mais gosta: reunir pessoas. Em meio a retratos da Nossa Senhora de Nazaré, artefatos que remetem ao Pará e uma decoração com cores vibrantes, a artista abriu as portas da sua casa em São Paulo para anunciar a edição 2026 da Varanda de Nazaré e do Fórum Varanda da Amazônia.
Na cobertura onde mora há quatro décadas, o encontro na noite de terça-feira, 2, teve o clima intimista de uma conversa entre amigos, mas serviu para revelar os rumos de dois projetos que, há anos, conectam fé, cultura e identidade amazônica.
Desta vez, o centro da conversa foram as mulheres. A escolha estava refletida até mesmo na composição da mesa. Ao lado de Fafá estavam sua filha, Mariana, e as netas Laura e Maria Antônia, representantes de diferentes gerações de mulheres que hoje ajudam a dar continuidade ao grande projeto de sua vida.
Ao longo da noite, uma frase que ela repetiu inúmeras vezes resumiu bem o espírito deste ano: "Somos todas Beléns".
A expressão faz referência tanto à capital paraense que abriga o Círio de Nazaré quanto a todas aquelas que, segundo Fafá, mantêm vivas tradições, saberes ancestrais e formas de organização comunitária. Em 2025, a celebração reuniu cerca de 2,5 milhões de fiéis em Belém e é considerada a maior procissão católica do mundo.
Com o tema "Coragem que floresce na fé", a Varanda de Nazaré homenageará mulheres que sustentam famílias, tradições e comunidades na Amazônia.
Já o Fórum Varanda da Amazônia, que chega à quarta edição, terá como eixo "Amazônia: substantivo feminino", reunindo lideranças, empreendedoras, cientistas, representantes de povos tradicionais e personalidades da cultura para discutir o protagonismo delas na construção da região.
Ao explicar a escolha, Fafá fez uma reflexão sobre a força das mulheres amazônicas e sobre como, ao longo do tempo, elas foram sendo empurradas para papéis secundários.
"Qual foi o momento em que nós duvidamos da nossa força? Desde quando passamos a ser subjugadas?", refletiu em entrevista à EXAME. Para a cantora, a resposta pode ser encontrada justamente na história da Amazônia.
"É um bioma muito feminino. Você vê as mulheres do mel, do cacau, da juta. É uma resistência enorme", afirmou.
Para a paraense, a força é o que temos de mais feminino. "Não é a briga, não é a guerra. É o poder da mãe, aquela que abraça, orienta e dá rumo", disse.
A Amazônia depois dos holofotes da COP30
A artista também aproveitou para defender que o interesse despertado pela Amazônia nos últimos anos não desapareça especialmente após a COP30, grande conferência climática da ONU que aconteceu no Brasil pela primeira vez em novembro de 2025.
"Espero que isso não tenha sido apenas fogo de palha porque a região estava na moda", afirmou.
Segundo ela, o desenvolvimento depende da combinação entre inovação e tradição.
"Podemos crescer dentro do nosso habitat, com uma tecnologia mais avançada, mas bebendo também do nosso conhecimento ancestral", lembrou.
Uma ponte entre Belém e Portugal
Além do protagonismo feminino, a edição de 2026 traz uma novidade inédita: pela primeira vez, a Varanda de Nazaré atravessará o Atlântico e ganhará uma etapa internacional em Portugal.
O encontro será realizado durante as tradicionais Festas de Nossa Senhora da Nazaré, celebradas anualmente entre os dias 4 e 13 de setembro no município português de Nazaré.
A proposta é aproximar duas manifestações religiosas ligadas pela mesma origem histórica e fortalecer o intercâmbio cultural entre Portugal e o Pará.
"É fundamental que os brasileiros, especialmente os devotos, conheçam a origem dessa história, que nasce em Portugal e atravessa séculos movida pela fé", afirmou Fafá.
"Queremos promover um verdadeiro encontro das Nazarés, a de Belém e a de Portugal", vibrou.
Agora, ao colocar as mulheres no centro do evento e ampliar suas fronteiras para além do Atlântico, os projetos reforçam uma mensagem que ecoou diversas vezes ao longo da noite na casa da cantora: a Amazônia tem voz feminina.
1/10 Museu das Amazônias: espaço de cultura pensado para ser um dos principais legados da COP30. Foca temas como meio ambiente, preservação e mudanças climáticas (Museu das Amazônias: espaço de cultura pensado para ser um dos principais legados da COP30. Foca temas como meio ambiente, preservação e mudanças climáticas)
2/10 Estação das Docas: inaugurada em 2000, é um dos principais pontos turísticos da cidade e esteve lotada durante todos os dias da COP30. Reúne restaurantes e terminal de passageiros (Estação das Docas: inaugurada em 2000, é um dos principais pontos turísticos da cidade e esteve lotada durante todos os dias da COP30. Reúne restaurantes e terminal de passageiros)
3/10 Porto Futuro: área portuária transformada em polo cultural como um dos legados da COP30 (Porto Futuro: área portuária transformada em polo cultural como um dos legados da COP30)
4/10 (Nova Doca: parque linear inaugurado após a revitalização de um trecho de 1,2 quilômetro da Avenida Visconde de Souza Franco. O projeto inclui o tratamento de um dos tantos canais que cortam a cidade)
5/10 Mercado de São Brás: o prédio foi inaugurado em 1911, no auge do ciclo da borracha, e reformado para a COP30 (Mercado de São Brás: o prédio foi inaugurado em 1911, no auge do ciclo da borracha, e reformado para a COP30.)
6/10 Ver-o-Peso: seu açaí com peixe frito continua sendo um ícone amazônico (Ver-o-Peso: seu açaí com peixe frito continua sendo um ícone amazônico)
7/10 Ver-o-Peso: mercado símbolo de Belém, foi parcialmente reformado para a COP30 e foi um dos destinos preferidos dos visitantes durante a conferência (Ver-o-Peso: mercado símbolo de Belém, foi parcialmente reformado para a COP30 e foi um dos destinos preferidos dos visitantes durante a conferência)
8/10 Mercado de São Brás: reúne 80 espaços gastronômicos e é um novo point de paraenses e turistas (Mercado de São Brás: reúne 80 espaços gastronômicos e é um novo point de paraenses e turistas)
9/10 Avenida Duque de Caxias: uma das vias reformadas para dar acesso ao Parque da Cidade e que fica de legado para Belém (Avenida Duque de Caxias: uma das vias reformadas para dar acesso ao Parque da Cidade e que fica de legado para Belém)
10/10 Porto de Outeiro: localizado a 20 quilômetros do centro de Belém, foi reformado para receber grandes navios durante a COP30 e será um hub de turismo para a Amazônia (Porto de Outeiro: localizado a 20 quilômetros do centro de Belém, foi reformado para receber grandes navios durante a COP30 e será um hub de turismo para a Amazônia)
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