Fed mantém juros nos EUA pela 3ª vez seguida
O Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, manteve a taxa básica de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 3,5% e 3,75% pela terceira reunião consecutiva neste ano. A decisão, anunciada nesta quarta-feira, 29, pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), veio em linha com as expectativas do mercado.
A ferramenta Fed Watch, do CME Group, vinha mostrando que 100% do mercado apostava na manutenção desse patamar de juros.
A decisão, porém, não foi unânime. Pela quinta vez, o diretor Stephen Miran, indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, votou por um novo corte de 0,25 ponto percentual. Na decisão de março, Miran já havia votado por um corte de mesmo tamanho.
Outro três membro do comitê, Beth M. Hammack, Neel Kashkari e Lorie K. Logan, concordaram em manter os juros, mas foram contra indicar, no comunicado, que o Fed pode começar a cortá-los em breve.
O cenário que chegou ao comitê segue de dupla pressão. De um lado, o núcleo do PCE, índice de inflação preferido do Fed, segue em 3,1%, bem acima da meta de 2%. De outro, a guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel, que completou nesta terça, 28, dois meses, e derrubou a visibilidade sobre os preços de energia, com o barril de Brent acima de US$ 100.
Na última ata do FOMC, o conflito no Oriente Médio fez elevar a tensão entre as autoridades monetárias, com parte delas apontando a necessidade de elevação dos juros americanos caso a inflação permaneça persistentemente acima da meta de 2%.
A maioria dos participantes reconheceu que é cedo demais para avaliar o efeito pleno do conflito sobre a economia americana, mas que os riscos já são concretos, o que exige cautela na condução da política monetária.
Guerra contribui para "alto nível de incerteza"
Ao decidir nesta quarta pela manutenção dos juros, as autoridades monetárias citaram que os últimos indicadores sugerem que a atividade econômica tem se expandido a um ritmo sólido.
A criação de empregos tem permanecido baixa, em média, e a taxa de desemprego apresentou pouca variação nos últimos meses, destacam. Mas a inflação segue elevada, em parte refletindo o recente aumento dos preços globais da energia.
"O Comitê busca alcançar o máximo emprego e uma inflação de 2% no longo prazo. Os acontecimentos no Oriente Médio contribuem para um alto nível de incerteza quanto às perspectivas econômicas. O Comitê está atento aos riscos para ambos os lados de seu duplo mandato", afirmou o BC dos EUA.
As autoridades monetárias ressaltaram, porém, que podem ajustar a postura da política monetária conforme apropriado caso surjam riscos que possam impedir o alcance de seus objetivos.
Para isso, o FOMC afirmou que avaliará uma "ampla gama de informações, incluindo dados sobre as condições do mercado de trabalho, pressões inflacionárias e expectativas de inflação, bem como desenvolvimentos financeiros e internacionais".
Última reunião do Fed com Powell na presidência
A decisão também ganha relevância por marcar o fim do mandato de Jerome Powell como presidente do Fed, previsto para 15 de maio. O atual chair já indicou que permanecerá no cargo até que seu sucessor seja confirmado pelo Senado. O nome indicado pelo presidente Donald Trump para sucedê-lo é o de Kevin Warsh.
Mais cedo, a Comissão Bancária do Senado aprovou a nomeação de Warsh para a presidência do Fed. A votação seguiu as linhas partidárias, mas prepara o terreno para a votação final de confirmação do indicado do presidente Donald Trump no Senado, controlado pelos republicanos.
Diante disso, o foco dos investidores deve se concentrar na coletiva de imprensa do presidente de Powell. O mercado buscará sinais sobre o rumo da política monetária ao longo de 2026.
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