Flávio muda discurso sobre tarifaço dos EUA e concentra ataques em Lula
O senador Flávio Bolsonaro adotou uma estratégia diferente da utilizada durante a crise comercial de 2025 ao reagir à nova proposta dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
Se no ano passado suas críticas miravam principalmente o Supremo Tribunal Federal e o ministro Alexandre de Moraes, agora o foco passou a ser o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a condução da política externa do governo, segundo O Globo.
A mudança ocorre após avaliações de aliados de que o embate diplomático do ano passado acabou fortalecendo Lula politicamente ao permitir que o presidente assumisse o protagonismo na defesa da soberania nacional diante das pressões de Washington.
De Moraes ao Planalto
Durante o primeiro tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em julho de 2025, Flávio relacionou as sanções à atuação do STF e ao julgamento de Jair Bolsonaro.
Na época, o senador chegou a classificar a medida como "taxa Alexandre de Moraes" e defendeu sanções contra autoridades brasileiras. Também argumentava que a crise não era comercial, mas consequência da situação enfrentada pelo ex-presidente.
Em diversas manifestações públicas, Flávio sustentou que a relação entre Brasil e Estados Unidos seria diferente caso Jair Bolsonaro estivesse à frente do governo.
Agora, a orientação dentro da pré-campanha do senador é outra. Em vez de associar o tema ao STF, Flávio tem concentrado seus ataques em Lula e na política externa brasileira.
Na terça-feira, após surgirem informações sobre uma possível nova tarifa americana, o senador afirmou que pediu diretamente a Trump para não taxar empresas brasileiras. Também enviou uma carta ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defendendo a não adoção das medidas.
O discurso atual enfatiza que empresários brasileiros já enfrentam elevada carga tributária e que um eventual governo comandado por ele teria condições de negociar com Washington "de igual para igual".
Oposição tenta disputar bandeira da soberania
Nos bastidores, de acordo com O Globo, aliados avaliam que a principal preocupação é evitar que Lula volte a monopolizar o discurso da defesa da soberania nacional, como ocorreu durante a crise de 2025.
Segundo interlocutores da oposição, a leitura é que a reação do governo ao tarifaço anterior gerou ganhos políticos para o presidente em um momento de desgaste de sua gestão.
Por isso, Flávio passou a incorporar com mais frequência temas como soberania, defesa das empresas brasileiras e preservação das relações comerciais com os Estados Unidos, reduzindo o espaço dedicado às críticas ao STF e ao ministro Alexandre de Moraes.
A mudança também ocorre em um contexto diferente do vivido no ano passado. Desde setembro de 2025, quando Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo, perdeu força entre aliados a expectativa de que pressões internacionais pudessem influenciar o cenário jurídico envolvendo o ex-presidente.
*Com O Globo
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