FMI diz que tokenização está 'reformulando a indústria financeira'

Por Mariana Maria Silva 2 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
FMI diz que tokenização está 'reformulando a indústria financeira'

A tokenização, já explorada por startups, bancos e instituições financeiras, ganha relevância no cenário internacional como uma ferramenta com o potencial de "reformular a indústria financeira". De acordo com um relatório assinado por Tobias Adrian, economista do Fundo Monetário Internacional (FMI) a tecnologia pode trazer ganhos relevantes de eficiência, ao mesmo tempo em que apresenta novos riscos.

Segundo o FMI, a principal mudança está na forma como ativos são registrados e movimentados. “A tokenização não elimina todos os intermediários, mas está reformulando a indústria financeira e reduzindo a necessidade de certas funções. Em um registro de tokens, pagamentos como dividendos ou juros podem ser feitos diretamente aos detentores, automatizando processos antes realizados por intermediários.”

Redução de custos e maior eficiência

Um dos principais benefícios apontados é a possibilidade de reduzir custos ao longo do ciclo de vida dos ativos. A emissão, a gestão e o resgate podem se tornar mais simples, com menor necessidade de intermediários.

“Algumas ineficiências podem diminuir ao longo do ciclo de vida dos ativos. Outras, no entanto, permanecerão, e novas podem surgir. A emissão, o serviço e o resgate de ativos podem envolver menos intermediários e, portanto, se tornar mais baratos”, destacou o FMI.

A negociação também pode ser impactada. A tokenização tende a diminuir fricções típicas do mercado financeiro tradicional, como custos de busca e riscos de contraparte, além de permitir maior flexibilidade na liquidação das operações.

Nesse contexto, o FMI aponta que “os custos de negociação de ativos podem diminuir à medida que a tokenização reduz alguns riscos de contraparte e fricções de busca, além de oferecer maior flexibilidade na liquidação. Além disso, maior concorrência entre intermediários pode reduzir taxas de transação.”

Essas mudanças podem aumentar a eficiência dos mercados e ampliar o acesso a determinados ativos, especialmente em um ambiente mais digital e integrado.

Riscos e novos desafios

Apesar dos potenciais ganhos, o FMI alerta que a tokenização também pode trazer novos desafios para a estabilidade financeira. A automação e a execução quase instantânea de operações podem aumentar a velocidade de propagação de choques no sistema.

“A maior eficiência da tokenização não vem sem riscos. Ao facilitar a automação e a execução instantânea de operações, mercados tokenizados podem se tornar mais arriscados e voláteis, com maior probabilidade de movimentos abruptos”, afirmou o relatório.

Além disso, embora algumas ineficiências sejam reduzidas, outras podem surgir com a adoção da tecnologia, especialmente em um ambiente ainda em desenvolvimento. A maior interconexão entre participantes e sistemas pode ampliar riscos sistêmicos em momentos de estresse.

O FMI indica que o avanço da tokenização deve ser acompanhado por ajustes regulatórios e pela evolução das infraestruturas de mercado. A adoção em larga escala dependerá da capacidade de equilibrar ganhos de eficiência com a mitigação de riscos.

Nesse cenário, a tokenização se apresenta como uma mudança estrutural em curso, com potencial para redefinir funções no sistema financeiro, mas ainda sujeita a incertezas sobre seus efeitos no longo prazo.

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