Genial/Quaest: 65% dizem que Flávio Bolsonaro errou ao pedir dinheiro a Vorcaro
Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 10, revela que 65% dos brasileiros consideram que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) errou ao pedir dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apenas 17% avaliaram que o pré-candidato à presidência agiu corretamente, enquanto 18% não souberam ou preferiram não opinar.
O levantamento foi realizado entre os dias 5 e 8 de junho com 2.004 entrevistados, margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07661/2026.
Daniel Vorcaro, 42 anos, era controlador do extinto Banco Master e está preso preventivamente desde novembro de 2025, quando foi detido pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos ao tentar deixar o país.
Vorcaro é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suposto esquema de fraudes bilionárias no mercado financeiro, incluindo fabricação de carteiras de crédito sem lastro e lavagem de dinheiro. O custo total do colapso do conglomerado para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) chegou a R$ 56 bilhões.
No Supremo Tribunal Federal (STF), o relator da ação o ministro André Mendonça, autorizou bloqueio e sequestro de bens que superam R$ 27,71 bilhões.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, é senador pelo Rio de Janeiro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro — atualmente preso cumprindo pena de 27 anos após condenação por tentativa de golpe de Estado — e o nome escolhido pelo PL para disputar a presidência em outubro de 2026.
No centro da polêmica está o Dark Horse, superprodução cinematográfica em língua inglesa sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro, com previsão de lançamento para 11 de setembro de 2026 — poucas semanas antes do pleito.
Revelações do portal The Intercept Brasil apontam que Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro um patrocínio de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época), com ao menos US$ 10,6 milhões já transferidos a um fundo nos Estados Unidos. O senador inicialmente negou o financiamento, mas admitiu a negociação após a publicação da reportagem.
Bolsonaristas também condenam a atitude
A reprovação ao pedido de financiamento não se limita ao campo adversário. Entre os próprios eleitores de Flávio Bolsonaro, 42% avaliaram que o pré-candidato deveria ter evitado pedir dinheiro ao banqueiro.
Do lado oposto, entre os eleitores de Lula, o índice de condenação chega a 76%. Os dados indicam que o caso gerou desgaste transversal, extrapolando a fronteira das divisões eleitorais habituais.
A percepção de irregularidade vai além da crítica ao gesto. Quando perguntados se as trocas de mensagens entre Flávio e Vorcaro levantaram suspeitas, 60% dos entrevistados responderam que sim. Apenas 19% consideraram as conversas normais, enquanto 21% não souberam responder.
O quadro se agrava quando o assunto é um possível envolvimento mais profundo: 58% dos respondentes acreditam que Flávio Bolsonaro pode estar ocultando participação ilegal no caso do Banco Master.
Caso Vorcaro não altera intenção de votos dos eleitores
Apesar da extensão da crise, os dados da Genial/Quaest indicam que ele ainda não se traduziu em mudança concreta de comportamento eleitoral.
Metade dos respondentes afirma que já não votaria em Flávio Bolsonaro independentemente do episódio. Entre os que se declaram eleitores do pré-candidato, 26% afirmaram que continuarão votando nele nas eleições presidenciais de outubro de 2026.
O resultado sugere que o núcleo duro do eleitorado bolsonarista permanece fiel mesmo diante da crise.
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