Gigante da Coreia do Sul chega ao Brasil e mira US$ 1 bilhão em receita com estética

Por Layane Serrano 5 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Gigante da Coreia do Sul chega ao Brasil e mira US$ 1 bilhão em receita com estética

Procedimentos que prometem estímulo de colágeno e rejuvenescimento da pele sem bisturi fazem parte de um mercado global em expansão, e agora uma das empresas por trás dessas tecnologias de estética quer crescer ainda mais no Brasil.

A sul-coreana Classys, empresa global de tecnologia médico-estética fundada em 2007 e com sede em Seul, anunciou a aquisição de 77,5% da JL Health, holding que controla a MedSystems e a BeautySystems, duas das principais distribuidoras de equipamentos médico-estéticos do Brasil. A operação marca a entrada direta da companhia no mercado brasileiro e reforça sua estratégia de expansão na América Latina.

“A Classys está comprometida em liderar ativamente a evolução da estética médica no Brasil e na América Latina”, afirma Andrea Gaeta, CEO da Classys para Brasil, Argentina e Colômbia.

Segundo Gaeta, a aquisição faz parte de um plano maior de crescimento internacional.

“A Classys é líder mundial em tecnologia médico-estética e está acelerando sua expansão estratégica na América Latina por meio da aquisição da MedSystems”, afirma.

A tecnologia por trás do crescimento

A Classys atua no desenvolvimento de tecnologias utilizadas em clínicas dermatológicas e estéticas, voltadas principalmente para procedimentos não invasivos.

Entre os equipamentos mais conhecidos da empresa está o Ultraformer, tecnologia baseada em ultrassom microfocado que promove lifting facial sem cirurgia.

Outro destaque é o Volnewmer, aparelho de radiofrequência monopolar desenvolvido para estimular a produção de colágeno e melhorar a firmeza da pele.

“A Classys nasceu com tecnologias médico-estéticas e ao longo dos anos trouxe muita inovação para atender médicos e pacientes nas clínicas dermatológicas”, diz Gaeta.

Além da venda dos equipamentos, a empresa também atua em toda a cadeia de serviços.

“A gente vende as máquinas, oferece o pós-venda, faz manutenção preventiva e fornece os consumíveis utilizados nos procedimentos. Tudo isso para garantir a melhor experiência para médicos e pacientes”, afirma.

Os equipamentos são fabricados principalmente na Coreia do Sul, enquanto a operação brasileira terá foco comercial e de atendimento ao cliente.

“A operação no Brasil será voltada para relacionamento com médicos, suporte técnico e expansão comercial. As tecnologias continuam sendo produzidas fora do país, principalmente na Coreia”, diz Gaeta.

Hub de estética na América Latina

A MedSystems, adquirida pela companhia, possui uma rede de mais de 15 mil clínicas parceiras na América do Sul.

Com a aquisição, a estrutura da distribuidora passa a integrar diretamente a estratégia global da Classys.

A empresa também herdará o Mosaic, um centro de treinamento localizado em São Paulo onde médicos recebem capacitação para operar as tecnologias da marca.

“Temos um centro de treinamento onde médicos aprendem a aplicar nossas tecnologias e participam de reciclagens periódicas. Isso é fundamental para garantir segurança e eficácia nos tratamentos”, afirma Gaeta.

Para a presidente, a empresa também pretende ampliar a visibilidade internacional dos especialistas brasileiros.

“Os médicos brasileiros são muito renomados. Queremos levar esse conhecimento para congressos internacionais e promover intercâmbio científico com a Coreia.”

Veja também: Intercâmbio na Coreia do Sul cresce 34% e vira tendência entre brasileiros

Mercado brasileiro em expansão

A aposta no Brasil está diretamente ligada ao crescimento do setor de estética no país, considerado um dos maiores do mundo.

“O segmento de estética e beleza é muito resiliente à macroeconomia. Continuamos vendo crescimento de dois dígitos no mercado brasileiro”, afirma.

Entre os fatores que impulsionam a demanda estão:

Outro fenômeno que ajuda a explicar o avanço do setor é o impacto da pandemia.

“O efeito Zoom fez com que as pessoas passassem a se olhar mais nas telas. Isso aumentou a conscientização sobre cuidados estéticos e impulsionou a procura por tratamentos”, diz Gaeta.

A executiva também aponta o crescimento da chamada K-beauty, tendência global associada a tratamentos e tecnologias coreanas.

“Esse fenômeno tem despertado interesse crescente por tratamentos estéticos desenvolvidos na Coreia.”

As metas da empresa sul-coreana

Fundada em 2007 e sediada em Seul, Coreia do Sul, Gaeta afirma que a Classys projeta atingir US$ 1 bilhão em receita global até 2030. Nos últimos anos, o crescimento tem sido acelerado: entre 2021 e 2024, a companhia registrou expansão média anual de 34%.

“Em 2024, a Classys faturou cerca de 243 bilhões de wons coreanos, o equivalente a aproximadamente US$ 170 milhões”, diz a CEO.

Hoje, o Brasil já é o segundo maior mercado da companhia em receita, atrás apenas da Coreia do Sul.

“A Coreia representa cerca de 32% das vendas globais e as Américas 23%. O Brasil está dentro desse número e queremos aumentar essa participação”, afirma Gaeta.

A nova operação direta da Classys abrangerá inicialmente Brasil, Argentina e Colômbia, com foco em ampliar a penetração de mercado e fortalecer o relacionamento com médicos.

Para Gaeta, o objetivo nos próximos anos é consolidar a marca como parceira estratégica das clínicas.

“O que eu espero é que sejamos reconhecidos como parceiros dos nossos clientes e como líderes em tecnologia estética”, afirma.

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