GR Yaris chega para coroar boa fase de esportivos no Brasil

Por Rodrigo Mora 5 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
GR Yaris chega para coroar boa fase de esportivos no Brasil

É uma reclamação constante do entusiasta de automóveis no Brasil: faltam esportivos, principalmente acessíveis e ainda mais com câmbio manual.

O GR Yaris, de R$ 354.990, acaba de chegar para responder a (quase) todos os pleitos. Nem tanto no quesito “acessibilidade”, embora sua faixa de preço seja uma escalada natural de um consumidor que passou recentemente por Renault Sandero R.S., Peugeot 208 GT, Citroën DS3 e Fiat Puse/Fastback Abarth e Volkswagen Polo GTS, entre outros.

Mas, diante de modelos mais potentes de marcas consagradas, o hatch compacto diverte bem por uma ou duas frações do preço. É o meio do caminho entre os R$ 275.390 do VW Jetta GLI – um luxuoso sedã capaz de chegar aos 100 km/h em 6,6 segundos – e os R$ 430,5 mil do Honda Civic Type-R, também com câmbio manual, mas com menos potência (297 cv).

“A GR veio para ficar. Temos um projeto de longo prazo para o Brasil”, promete Daniel Grespan, líder da Gazoo Racing no país.

Equipado com motor 1.6 turbo de 304 cv e 40,8 kgfm, o modelo é cheio de truques emprestados do conhecimento da Toyota em ralis, como as entradas de ar nos para-choques e nos para-lamas que melhoram a refrigeração e a aerodinâmica em uso extremo; os para-lamas alargados acomodam as rodas forjadas e um sistema de freios de alta performance com discos ventilados.

Na traseira, as saídas de ar funcionais reduzem resistência aerodinâmica e aumentam estabilidade e dissipação térmica. Por sua vez, as luzes de neblina e ré foram posicionadas junto à lanterna para reduzir os riscos durante o uso esportivo, enquanto o aerofólio foi redesenhado para facilitar a substituição ou customizações.

Por sua vez, o sistema de tração integral GR-Four, a mesma do GR Corolla, utiliza três diferenciais (central e dois Torsen de deslizamento limitada) e oferece modos Normal (60:40), Gravel (53:47) e Track (que varia entre 60:40 e 30:70).

De acordo com a marca, serão importados inicialmente 99 exemplares do GR Yaris com transmissão manual e outras 99 com câmbio automático – metade já tem dono.

Apelar para a exclusividade é uma estratégia comum no segmento. Há cerca de um ano, a Ford importou 200 unidades do Mustang equipado com câmbio manual. O que era apenas um conjunto de engrenagens engatado numa alavanca para coordená-las se transformou em uma espécie de caviar automotivo cada vez mais apreciado, e por isso todos os exemplares do Mustang GT Performance Manual, de R$ 600 mil, desapareceram em menos de uma hora.

“Sabíamos que a expectativa em torno do Mustang manual era grande, por causa da exclusividade e de todo o legado que esse modelo representa. Mesmo assim a rapidez da venda surpreendeu, praticamente num ritmo de três carros por minuto”, comentou à época um executivo da empresa. Na falta do manual, há o Dark Horse, de R$ 649 mil e 507 cv.

Quatro meses depois, a Volkswagen seguiu estratégia similar ao escalar seu principal ícone de esportividade, disponibilizar dele apenas 350 unidades e pedir R$ 430 mil por um Golf GTI – esgotado em um fim de semana de venda, o que levou a empresa a encomendar mais um lote de 150 unidades.

Para garantir que o modelo realmente vá para a garagem de entusiastas e colecionadores e evitar sobrepreços, a marca estabeleceu em contrato deter a preferência de recompra.

Sócio da consultoria de branding e pesquisa Brandwagon, Marcos Bedendo sublinha algumas razões para o sucesso de Ford e Volkswagen — que faturaram R$ 120 milhões e R$ 150 milhões, respectivamente.

“Esse tipo de ação é muito voltado para os aficionados, indivíduos que realmente têm um envolvimento muito grande com a marca ou com o modelo do veículo, além de terem capacidade de pagar os valores altos pedidos. Esse tipo de envolvimento é comum em quem conhece a história e de certa forma vive a cultura do carro”, reflete o consultor.

Filippo Vidal, sócio diretor da FutureBrand São Paulo, acrescenta que “o modelo a combustão de performance foi o perfeito aliado para reconectar com os consumidores que sentiram falta disso, porque a eletrificação não traz esse mesmo apelo”.

Há lançamentos também em outros segmentos. A Porsche acaba de apresentar no País o 911 Turbo S da geração 992.2, que chegou nas configurações Coupé (R$ 2,1 milhões) e Cabriolet (R$ 2,15 milhões). Destaque do lendário esportivo – em linha desde 1974 – é o novo sistema T-Hybrid acoplado ao motor de 3,6 litros. Juntos somam 711 cv e 81,6 kgfm de torque. O sistema de transmissão inclui tração integral e câmbio automatizado de dupla embreagem (PDK) de oito marchas.

"O 911 Turbo é o carro esporte por excelência, um dos mais desejados pelos clientes e um dos mais importantes da marca. O lançamento de uma nova geração do Turbo sempre gera expectativas”, define Marcel Visconde, presidente da Stuttgart Porsche.

Legado da marca no país

No Brasil desde 1958, é a primeira vez que a Toyota aposta no segmento de esportivos de entrada, primeiro com o GR Corolla e agora com o GR Yaris.

A Volkswagen domina esse nicho porque enfileirou sucessos, como SP2, Super-Fuscão, Passat TS, Passat Pointer, Gol GTS e o lendário Gol GTi, entre outros. A Chevrolet teve algum brilho com a linha SS do Opala e a GSi de Vectra, Kadett e Corsa, e o Monza S/R foi uma empáfia da marca que fez sucesso. Mais requintado, o Ford Escort foi coadjuvante, mas com o charme das versões conversíveis. A Fiat surpreendeu com a dupla Uno e Tempra Turbo nos anos 1990. Atualmente, dá as cartas do segmento com a instigante dupla Pulse e Fastback Abarth, de certa maneira sucessores da interessante estirpe T-Jet.

Equipados com um motor 1.3 turbo flex de 185 cv acoplado a um modesto mas competente câmbio automático de seis marchas, divertem mais ao volante do que o rival da Volkswagen, o Nivus GTS, de 150 cv e mais sisudo na dirigibilidade. E custam, Pulse e Fastback Abarth, respectivamente R$ 162.490 e R$ 184.980 – ante os R$ 189.690 do rival alemão.

Honda Civic Si e Renault Sandero R.S. foram dois dos últimos sopros de esportivos (relativamente) acessíveis e muito divertidos.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: