Grapette, Gini, Crush, Mirinda: o que aconteceu com esses refrigerantes que bombavam nos anos 1980
Se você comparar a prateleira de refrigerantes de agora com a de quarenta anos atrás, provavelmente vai ter dificuldade de encontrar alguma coisa parecida, com excecção de uma Coca-Cola ou de um Guaraná Antarctica.
Vejamos o caso da Gini, por exemplo. O refrigerante, feito pela terceira maior fabricante de bebidas do Rio de Janeiro, de sabor de limão dominou o mercado até começar a rivalizar com gigantes globais.
Falando em gigantes clobais, a Crush, de laranja, enfrentou um concorrente de peso: a Fanta.
Relembre a história, o sucesso e as mudanças dessas e de outras marcas na reportagem abaixo. E por que elas acabaram.
Durante muito tempo a Crush foi considerada a maior rival da Fanta, uma das principais marcas da Coca-Cola. Criada em 1911 pelo químico americano Neil C. Ward, a bebida usava óleo de cascas de laranja e, depois, o próprio suco da bebida, para criar o sabor.
No Brasil, a marca funcionava num modelo comum dos anos 1970: havia uma licença, como franquia, e várias empresas produziam a bebida pelo país. Entre as empresas que engarrafavam a bebida estão a Golé, de Uberaba e a Pakera, de Magé, no Rio de Janeiro.
Em 1989, a marca Crush foi adquirida mundialmente pela Cadbury Schweppes. No Brasil, a Schweppes tinha uma operação menor e mais focada em nichos, o que tirou a Crush do mercado de massa onde ela competia diretamente com a Fanta. No início dos anos 2010, a Coca-Cola adquiriu a licença e voltou a produzi-la, numa edição limitada no país. A empresa circulou com guaraná e suco de caju na composição em 2011 na região do Cariri, no Ceará.
Atualmente, a marca pertence ao grupo Keurig Dr Pepper nos Estados Unidos. Embora tenha sumido do Brasil, a Crush ainda é extremamente popular em países como o México e os Estados Unidos, onde possui uma enorme variedade de sabores além da laranja, como uva, morango e abacaxi.
"Quem bebe Grapette repete". O famoso slogan reflete um sucesso das bebidas gaseificadas do século passado.
Em 1930, o químico americano, Benjamin Tyndle Fooks, elaborou uma fórmula de bebida gaseificada com sabor de uva à qual deu o nome de Grapette.
Após a Segunda Guerra Mundial, Fooks finalmente chegou ao sabor especial que tanto buscava e Grapette foi sucesso imediato nos Estados Unidos, tendo conquistado um grande número de consumidores naquele país.
No Brasil, chegou em 1948, por meio da Companhia de Refrigerantes Guanabara, do Rio de Janeiro. Por aqui, a bebida repeitu o sucesso dos Estados Unidos e várias franquias e distribuidoras foram abertas nacionalmente.
Em 1973, a Saborama Sabores e Concentrados para Bebidas passou a ser a detentora da marca e formulação do tradicional refrigerante sabor uva em todo o território nacional foi responsável pelo lançamento do sabor framboesa, uva verde e da versão dietética do refrigerante. A marca segue funcionando até hoje.
Terceira maior empresa de bebidas do Rio de Janeiro, a Pakera produziu um dos refrigerantes mais conhecidos no Brasil nos anos 1970 e 1980: o Gini, feito com limão.
A marca, porém, enfrentou grande concorrência de outras marcas multinacionais, como Coca-Cola, Fanta e Soda, o que acabou tornando insustentável sua permanência no mercado nacional. Isso levou ao desaparecimento da bebida dos pontos de venda na década de 1990.
Neste ano, a empresa de Sorocaba, no interior paulista, Bellpar Refrescos, voltou com a marca. Diferente das famosas garrafas de vidro, a nova versão vem em garrafas PET, e há também opção sem açúcar.
Fora daqui, a Gini nunca parou de produzir. A marca foi criada em 1971 pela Perrier e adquirida pela Cadbury Schweppes em 1989. Hoje, no Brasil, a Schweppes segue funcionando.
Atualmente, a Gini é fabricada pela Suntory. Segue bem conhecida na França, onde seu slogan é “La plus chaude des boissons froides”, “a mais quente das bebidas geladas”.
Outro refrigerante de laranja que foi um sucesso no Brasil foi a Mirinda, uma das estrelas dos anos 1980 e 1990.
A marca surgiu em 1959, na Espanha, e foi comprada pela PepsiCo em 1970. Começou a ser vendida nos países árabes ao final da década de 1970.
No Brasil, o Mirinda sabor laranja foi comercializado até cerca de 1998, sendo gradativamente retirado do mercado e substituído pela Sukita, que se tornou a aposta da Ambev para o mercado brasileiro.
A 7Up é uma marca de refrigerante criada em 1929.
A história da 7Up remonta a St. Louis, Missouri, nos Estados Unidos.
A bebida foi desenvolvida por Charles Leiper Grigg, um empresário que já havia trabalhado na indústria de refrigerantes.
Inicialmente, era chamado de "Bib-Label Lithiated Lemon-Lime Soda". O nome era um tanto complicado, mas a bebida ganhou popularidade devido ao seu sabor único de limão-lima. Em 1936, a marca passou por uma mudança de nome e marketing. A Bib-Label Lithiated Lemon-Lime Soda tornou-se oficialmente 7Up, e a campanha publicitária associou o número 7 ao frescor e à vitalidade. A ideia era que a bebida "7Up" estava sempre "7-Up", significando uma bebida sempre revigorante.
No Brasil, a 7up deixou de ser distribuída em 1997, devido à baixa receptividade do consumidor. A bebida foi relançada apenas do Rio Grande do Sul, sob o nome de Teem. Modificada e com doses menores de sabor de limão, sua fórmula resultou na bebida H2OH!, lançada no Brasil em 2006.
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