Guerra no Irã avança pelo Golfo no 21º dia e petróleo recua
A guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã entrou no 21º dia nesta sexta-feira, 20, com novos ataques entre os países e impactos contínuos sobre a infraestrutura de energia no Oriente Médio.
Israel realizou bombardeios em Teerã contra “infraestruturas do regime iraniano”, enquanto o Irã lançou uma nova onda de mísseis contra Israel, acionando sirenes em Tel Aviv, segundo informações da agência Reuters.
O conflito, iniciado em 28 de fevereiro, já deixou milhares de mortos e se espalhou por diferentes países da região, com efeitos diretos sobre a economia global, especialmente nos mercados de energia.
Ataques no Golfo ampliam risco à energia
A escalada continua concentrada em alvos energéticos. Um ataque com drones provocou incêndio em uma refinaria no Kuwait, levando à paralisação de unidades do complexo.
Nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita, sistemas de defesa interceptaram mísseis e drones, enquanto no Bahrein destroços de um ataque causaram incêndio em um armazém.
Segundo a agência Reuters, a ofensiva iraniana recente contra instalações de energia no Golfo já havia elevado os preços globais e danificado estruturas estratégicas, como o complexo de Ras Laffan, no Catar.
O país estima que perdeu cerca de 17% de sua capacidade de exportação de gás natural liquefeito após os ataques, com impacto bilionário e reparos que podem levar anos.
Os confrontos também se estendem ao Líbano, onde bombardeios israelenses atingiram cidades no sul do país, segundo a agência oficial local.
Petróleo recua após promessa de proteção a rotas
Apesar da tensão, os preços do petróleo recuaram nesta sexta-feira, com o Brent caindo 0,4% e o WTI 0,9%, após países ocidentais e o Japão sinalizarem apoio para garantir a navegação no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo global.
Também houve indicação de aumento na oferta de petróleo pelos Estados Unidos e possibilidade de liberação de reservas estratégicas.
Ainda assim, os preços acumulam alta na semana, com o Brent a caminho de subir quase 5%.
Pressão internacional por desescalada
Líderes europeus e aliados dos Estados Unidos emitiram um comunicado conjunto expressando preocupação com a escalada e defendendo uma moratória imediata a ataques contra infraestruturas civis, especialmente de energia.
Os países também afirmaram estar “dispostos a contribuir” para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, embora condicionem qualquer ação ao fim das hostilidades.
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que não há disposição entre os países europeus para entrar diretamente no conflito.
Divergências entre aliados
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter pedido ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que não repita ataques contra infraestruturas energéticas iranianas.
Netanyahu, por sua vez, afirmou que Israel já enfraqueceu significativamente o Irã e declarou que o país “não tem mais a capacidade de enriquecer urânio” nem de produzir mísseis balísticos.
Conflito entra em nova fase
O Irã afirmou que os ataques contra suas instalações energéticas levaram o conflito a “uma nova fase”, com foco em atingir estruturas ligadas aos Estados Unidos e seus aliados.
"Se ocorrerem novos ataques (às instalações energéticas do Irã), os ataques à sua infraestrutura energética e à de seus aliados não cessarão até que ela seja completamente destruída", afirmou o porta-voz militar iraniano, segundo a Reuters.
Mesmo sob ataques, autoridades iranianas afirmam que a produção de mísseis continua em ritmo elevado.
A Guarda Revolucionária do Irã anunciou a morte de seu porta-voz, Ali Mohammad Naini, em bombardeios atribuídos a Israel e aos Estados Unidos.
*Com informações da AFP
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