Hapvida perde 114 mil beneficiários e vê lucro cair 41% em um ano

Por Mitchel Diniz 12 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Hapvida perde 114 mil beneficiários e vê lucro cair 41% em um ano

A Hapvida (HAPV3) divulgou nesta segunda-feira seus resultados do primeiro trimestre de 2026, com queda relevante nos principais indicadores em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro líquido ajustado recuou 41,4%, de R$ 416 milhões para R$ 244 milhões. A base de beneficiários de saúde encolheu 114,1 mil vidas em doze meses, chegando a 8,684 milhões.

A margem Ebitda ajustada passou de 13,4% no primeiro trimestre de 2025 para 10,2% no mesmo período deste ano. Em valores absolutos, o Ebitda ajustado caiu 20%, de R$ 1,004 bilhão para R$ 803 milhões.

A sinistralidade caixa, principal indicador operacional do setor e que mede a proporção da receita consumida com assistência médica, também piorou na comparação anual. O índice foi de 71,8% no primeiro trimestre de 2025 para 72,2% no mesmo período de 2026.

Frente ao quarto trimestre de 2025, alguns indicadores melhoraram. A sinistralidade recuou 3,3 pontos percentuais, de 75,5% para 72,2%. O Ebitda ajustado cresceu 12,5% sobre o trimestre anterior, e o lucro líquido ajustado avançou 35,1% no mesmo recorte.

O quarto trimestre, porém, é sazonalmente mais pesado para operadoras de saúde. A comparação com o período imediatamente anterior tende a ser mais favorável do que a base anual.

Perda de beneficiários é generalizada

A queda na base de vidas ocorreu em todas as regiões do país. O Sudeste concentrou a maior saída, com 45,3 mil beneficiários a menos só no primeiro trimestre de 2026. O segmento individual foi o mais afetado, com redução de 19,5 mil vidas no período. O Centro-Oeste foi a única região com crescimento, adicionando 11,3 mil beneficiários.

A receita líquida cresceu 5,2% sobre o primeiro trimestre de 2025, chegando a R$ 7,892 bilhões. O avanço foi sustentado principalmente pelo reajuste de preços. O ticket médio mensal de saúde subiu 7,3% no período, para R$ 305. Sem esse reajuste, a perda de vidas teria pressionado ainda mais a linha de receita.

Despesas, dívida e judicialização avançam

As despesas administrativas caixa chegaram a R$ 632 milhões no trimestre, equivalente a 8,0% da receita líquida. No primeiro trimestre de 2025, esse percentual era de 5,9%.

Os investimentos (capex) totalizaram R$ 191 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 54,5% frente ao quarto trimestre de 2025 e de 4% sobre o mesmo período do ano anterior.

A dívida líquida encerrou março em R$ 5,165 bilhões, crescimento de 24% sobre os R$ 4,165 bilhões registrados um ano antes. O índice de alavancagem subiu de 0,98 vez para 1,38 vez no período, medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos doze meses.

Os depósitos judiciais cíveis cresceram de R$ 934 milhões em dezembro de 2025 para R$ 1,041 bilhão em março de 2026.

Em sentido positivo, os planos odontológicos avançaram 249,6 mil beneficiários em doze meses. O fluxo de caixa livre foi de R$ 443 milhões, com taxa de conversão de 81,1% sobre o Ebitda. A empresa gerou caixa de forma eficiente no trimestre. O problema é que o caixa não foi suficiente para reduzir a dívida, que segue 24% acima do nível de um ano atrás.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: