Heróis da esquerda e direita perderam brilho e pragmatismo ganha força, diz CEO da Atlas
Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, roda pesquisas eleitorais no Brasil, nos Estados Unidos e em diversos países da América Latina. Por acompanhar tão de perto as eleições em diversos lugares do mundo, o especialista em opinião pública tem um diagnóstico sobre a polarização vista da Hungria aos Estados Unidos: o pragmatismo tem ganhado força.
"Se olharmos tanto para o lado do lulismo quanto para o lado do bolsonarismo hoje, os heróis que temos já não têm mais o brilho, a capacidade de mobilização e o entusiasmo que já despertaram no passado", disse Roman durante painel no Fórum Esfera 2026, no Guarujá, que contou também com Duda Lima, Lula Guimarães e Pedro Doria.
O especialista afirma que o efeito do surgimento da direita radical a partir do efeito catalisador das redes sociais já não é mais o mesmo. Uma vez eleita, para ele, o campo político não conseguiu cumprir com as promessas. Roman citou a derrota de Viktor Orbán na Hungria como exemplo.
"Se olharmos para os Estados Unidos, sobre o Trump; se olharmos para a Meloni, na Itália; se olharmos para a Hungria, onde talvez o líder mais resiliente desse mundo acabou de perder uma eleição de forma bem contundente, enxergo que estamos observando os limites do discurso radical de direita, que não consegue entregar o que prometeu", disse.
O CEO da AtlasIntel disse que Péter Magyar, que venceu Orbán na Hungria, não fez propostas ideológicas, mas conquistou o eleitorado com um discurso de solução de problemas.
"É uma proposta muito focada em entender quais são os reais problemas daquele país naquele momento e qual é a visão de futuro, o tipo de equipe e de soluções realmente construtivas que podem ser colocadas", disse.
Ao analisar quem poderia ser essa figura no Brasil, Andrei disse, durante conversa com jornalistas após a palestra, que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reunia as condições, na sua avaliação. Tarcísio, porém, não poderá disputar a Presidência por não ter deixado o governo de São Paulo.
"Ele poderia captar o eleitor moderado e o bolsonarista na mesma intensidade Essa opção, porém, foi preterida", afirmou.
Entre os nomes que ainda estão na disputa, Roman vê o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como alguém com boas entregas que poderia emular essa figura pragmática.
"Ele consegue ser um governador super bem avaliado e com entregas relevantes na área de segurança pública", disse.
Ao mesmo tempo, ele cita que o governo Lula tem indicadores econômicos que "não são tão ruins", mas não tem grande nível de popularidade. Isso, na sua avaliação, se dá pelo desgate da imagem do presidente.
"Pelo contrário: está, por exemplo, no Nordeste, continuamente perdendo apoio", afirmou.
Questionamento do PL
Ao comentar a pesquisa AtlasIntel e o questionamento do Partido Liberal no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Andrei comentou que está "no olho do furacão em vários lugares ao mesmo tempo".
"Enquanto no Brasil estou sendo criticado pela direita radical, na Colômbia estou sendo criticado pela esquerda radical, no mesmo momento. Me coloca em uma situação de que estou virando bipolar", afirmou.
O CEO da AtlasIntel voltou a defender que a inclusão do áudio no fim do questionário não contagiou o cenário sobre os resultados e disse que a coleta complementar foi importante para entender a reação do eleitorado.
"Consideramos que, vista a repercussão deste áudio, era interessante entender, ao longo dele, se existiam alguns elementos que faziam as pessoas melhorarem ou piorarem a percepção que tinham sobre o Flávio Bolsonaro. Em algum momento ele fala sobre Deus, em algum momento ele fala sobre uma ajuda que realmente precisa para um projeto do pai dele", disse.
Roman defendeu ainda que outras três pesquisas divulgadas também mostraram uma "queda bastante relevante".
"Temos três outras pesquisas que mostram uma queda bastante relevante do Flávio Bolsonaro, maior do que no nosso caso no primeiro turno, por exemplo. Hoje, no Datafolha, é um pouco menor no segundo turno, mas com resultados muito compatíveis", disse.
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