IA já ajuda na contratação, mas 57% dos gestores têm dificuldades para encontrar talentos no Brasil

Por Layane Serrano 20 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
IA já ajuda na contratação, mas 57% dos gestores têm dificuldades para encontrar talentos no Brasil

A contratação entrou em uma nova fase. Mais rápida, digital e cercada por inteligência artificial, mas também mais complexa. Em meio ao excesso de tendências sobre o futuro do trabalho, empresas passaram a enfrentar um novo desafio: separar o que é modismo do que realmente impacta a atração e retenção de talentos.

É o que mostra o estudo global Talent Trends 2026, da Michael Page, que ouviu mais de 60 mil profissionais em 36 países, incluindo o Brasil. A pesquisa aponta que inteligência artificial, escassez de habilidades e mudanças nas prioridades dos trabalhadores estão redefinindo as regras da contratação.

“Nos últimos anos, houve uma avalanche de tendências sobre o futuro do trabalho, o que aumentou o ruído nas decisões. Em 2026, entender o que está acontecendo já não diferencia. O que diferencia é ter critério em meio ao excesso”, afirma Ricardo Basaglia.

Segundo o levantamento, 57% dos gestores brasileiros apontam a falta de habilidades como o principal desafio de contratação, percentual bem acima da média global, de 39%.

Ao mesmo tempo, as empresas têm mudado a forma de avaliar candidatos. Em vez de focar apenas em diploma e experiência linear, passam a priorizar competências como comunicação, adaptabilidade e habilidades interpessoais. No Brasil, 21% dos líderes já colocam competências acima da formação acadêmica e do histórico profissional.

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IA acelera processos, mas dificulta diferenciação

A inteligência artificial já faz parte da rotina corporativa e dos processos seletivos. Segundo o estudo, 71% dos profissionais brasileiros usam IA no trabalho, enquanto 73% recorrem à tecnologia para adaptar currículos e aumentar as chances em vagas. Entre os gestores, 55% utilizam IA para apoiar etapas de recrutamento.

O efeito, porém, é ambivalente. Se por um lado a tecnologia aumenta eficiência e velocidade, por outro também gera padronização.

“A IA trouxe velocidade e eficiência para o processo, mas também padronizou a forma como os profissionais se apresentam. Hoje, quase todos conseguem construir um bom currículo. Isso desloca o problema: deixou de ser apresentar bem e passou a ser diferenciar de verdade”, diz Basaglia.

A pesquisa mostra ainda que 36% dos gestores brasileiros não conseguem identificar com clareza se currículos foram gerados ou editados por IA. O cenário tem levado empresas a apostar mais em testes práticos, simulações e entrevistas estruturadas para avaliar candidatos.

Profissionais mais seletivos e menos dispostos a abrir mão do equilíbrio

O estudo também revela uma mudança importante no comportamento dos profissionais. Embora 44% dos brasileiros estejam buscando novas oportunidades, há hoje mais cautela na troca de emprego.

O principal motivo é o receio de perder equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Segundo a pesquisa, 47% dos profissionais brasileiros acreditam que poderiam perder qualidade de vida ao mudar de emprego.

Além disso, 39% afirmam que considerariam deixar a empresa diante do aumento das exigências presenciais no trabalho.

“Mais do que salário ou cargo, os profissionais buscam previsibilidade, autonomia e coerência entre discurso e prática”, afirma Basaglia.

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Confiança vira fator decisivo para retenção

Outro dado que chama atenção é o peso da confiança na liderança das empresas. Entre os profissionais brasileiros que não pretendem mudar de emprego, 93% afirmam confiar na liderança da companhia. Entre aqueles que buscam novas oportunidades, o índice cai para 43%.

A transparência salarial também aparece como diferencial competitivo. Segundo o estudo, 50% das empresas brasileiras com maior clareza sobre salários afirmam que contratar ficou mais fácil.

“A relação entre empresas e profissionais se tornou mais exigente. Confiança deixou de ser um conceito abstrato e passou a ser um critério de decisão”, afirma Basaglia.

Para a Michael Page, o futuro do trabalho será menos definido apenas por tecnologia e mais pela capacidade das empresas de combinar eficiência com relações humanas mais consistentes.

“A tecnologia vai seguir evoluindo e acelerando o mercado, mas não resolve o principal: decidir bem”, diz o executivo.

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