Ibovespa despenca e dólar tem forte alta com aversão global, tarifas e juros

Por Clara Assunção 3 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa despenca e dólar tem forte alta com aversão global, tarifas e juros

O Ibovespa aprofundou as perdas no pregão desta quarta-feira, 3, pressionado pelo desempenho negativo das blue chips, os papéis de grandes empresas. As negociações são marcadas pela cautela dos investidores diante da nova escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã, que impulsiona os preços do petróleo no mercado internacional, além das novas tarifas comerciais por Washington.

Por volta das 13h20, o principal índice acionário da B3 recuava 2,04%, aos 170.641 pontos, bem próximo da mínima do dia. Na véspera, a referência encerrou no patamar dos 174 mil pontos.

O clima de aversão ao risco leva as ações da Vale (VALE3) a caírem 3,56%, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4) recuava 1,90%, Bradesco (BBDC4) perdia 2,14%, Banco do Brasil (BBAS3) cedia 1,26% e BTG Pactual (BPAC11) caía 3,47%.

As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) operam estáveis com ligeira queda de 0,04% e 0,12%, respectivamente. Entre as poucas altas, estavam Minerva (BEEF3), subindo mais de 5%, e Copasa (CSMG3), 0,06%.

Guerra no Irã no foco

O conflito no Oriente Médio voltou ao centro das atenções. Apesar das declarações do presidente Donald Trump de que o Irã teria concordado em não desenvolver armas nucleares, os EUA acusam Teerã de continuar realizando ataques na região, elevando as incertezas sobre uma solução diplomática para a crise.

Os investidores também repercutem a proposta do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) de aplicar tarifas adicionais de até 12,5% sobre produtos de 60 parceiros comerciais, incluindo União Europeia, China e Japão devido à suposta falta de ações deles para impedir mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, explica que ontem o mercado chegou a reagir bem ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, com a imposição de novas tarifas, apontando impactos limitados.

“No entanto, hoje pesa a notícia de uma tarifa adicional de 12,5%, aplicada ao Brasil e a outros países no âmbito de uma investigação comercial relacionada a suspeitas de trabalho forçado. Esse novo fator elevou a aversão ao risco e intensificou as perdas nos ativos brasileiros. Ao mesmo tempo, os investidores seguem acompanhando os desdobramentos da situação entre Irã e Estados Unidos”, disse.

A agenda dessa quarta-feira também concentra uma série de indicadores econômicos no Brasil e no exterior. Dados de atividade, emprego, indústria e inflação devem ajudar investidores a recalibrar as expectativas para a trajetória dos juros nas principais economias.

No âmbito do petróleo, o barril do Brent sobe 2,07%, negociado a US$ 98,03, e o West Texas Intermediate (WTI) avança 2,49%, para US$ 96,09. Já o dólar comercial avança 0,94% frente ao real, a R$ 5,055.

Juros futuros disparam e vão às máximas do ano

Os juros futuros também operam em forte alta, nos maiores níveis intradiários do ano, o que também pressiona a bolsa.

Por volta de 13h05, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 subia de 14,17%, do ajuste de ontem, para 14,24%; a do DI de janeiro de 2028 avançava de 14,065% a 14,24%; a do DI de janeiro de 2029 saltava de 14,055% para 14,265%; e a do DI de janeiro de 2031 tinha forte alta de 14,065% a 14,24%.

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